sábado, 31 de maio de 2014

"O CONTO DO ANCIÃO SEMEADOR"


O intento é plantar pra não colher,
é semear a semente,
por semear futuro...Perpetuação!

Explicitou o velho ancião,
já cansado das mazelas e calejado
no auge do seu cristalino e lúcido saber.

Eu quando cá cheguei,embrenhando por trilhas
entre as araucárias,agraciado pela pujante
fartura de especies e grãos...Saciei-me!

Hoje temos tecnologia,temos imagens de saudade,
uma floresta de arrependimento sob o asfalto,
muitos não conhecem o cheiro e o frescor do pinho.

Algo insano,fora do entendimento,
se analisarmos com frieza o que estamos fazendo,
depurados de quaisquer sentimento.

Ha que se observar com olhos de aprendiz,
o que bem diz os exemplos naturais,
mire na exuberância cíclica ao redor da selva de pedra.

Ha que se aprender com a esperteza do "chupim",
que mesmo negro de fome,não come todos os ovos
que encontra no ninho do "Tico-tico".

A ideia é preservação da especie,
não minha que to de passagem,
mas dos vindouros que hão de estar.

Por isso onde minha bengala afunda no solo,
um buraco se abre,lanço a semente que não vou comer o fruto,
pois eu tive o privilégio de saber o gosto.

Deixo minha contribuição,na condição de ver através,
daqueles que virão coletores das dadivas destas arvores,
provar do fruto,do frescor e do aroma revitalizante da araucária.

Assim fazendo garanto que "verão",
a frieza "invernal" da ganancia,"outonar" e voar como folhas secas,
no raiar de uma renascida "primavera".


Reginaldo

"COMEÇAR DE NOVO"



Todo aquele que necessita de buscar algo pra longe de si,
comete o engodo de esquecer-se.
Talvez o espelho seja de fato o portal da alma,
ao depararmos de frente com,
olharmos de que forma sutil e avassaladora como tempo nos acomete,
olhamos com desdém as marcas,
a casca,
pois esta não é de fato nossa essência,
a superficialidade não nos revela a profundeza 
e a incrível capacidade de renascimento que é dado a cada semente.
Analisando a ação do tempo sobre um caroço de abacate,
percebi o quão belo é o sentido da vida,
a depuração que se faz na passagem,
todo viço e lisura vai se esvaindo até o aparente final,
quando um fio,fino,frágil se rompe 
e desprende num ciclo novo essencialmente vivo,
renasce o que virá ser grande 
e produtiva 
e frondosa arvore.
Percebi ai o encanto que pode ter a morte,
o sentido de tudo está no que não se vê,
esse não sofre a ação do tempo,
é o próprio tempo agindo pra eternizar.

Reginaldo

Para Valéria Pinheiro Montenegro

sexta-feira, 30 de maio de 2014

"ANINHA MINHA SININHHO"


Inocente,alma pura,
sopra suas reticencias,
acelera seu projeto
de viver só pra o vento.

Acerca de suas vaidades,
mulher ainda menina,
não precisa de todo aparato,
que lhe faça mais bela.

És botão de flor em cacho
não da ponta,mas do meio embaixo
aquelas tímidas ainda por pintar
grudadas ao caule colo de mãe. 

Tens a pureza das raízes,
imaculada sem o toque do mundo imundo,
sua boca são seus olhos,
teu corpo sua fortaleza.

Um misto de tudo que lhe rende,
atrás destes trejeitos,meio sem jeito,
vai se esvaindo a criança,
dia a dia se metamorfoseando. 

Assim tão sutil quanto a brisa,
o tic tac das horas,o soprar do vento fino,
que ti leva a viajar,
nos desejos de menina.

Vais tomar forma de grande,
ante toda  inquietude amiúde,
só não deixe levar o vento,
a delicadeza que lhe farta.

Docilidade ,ingenuidade peculiar,
não perca ,não embruteça em rocha,
seu liquido olhar,que umedece minha retina,
transborda em sopro por te Amar.

Reginaldo 3152014
Para minha filha Ana Helouise .


"O QUE NÃO ASSUSTA,ACOLHE"

Me falta o tema,
só temo que falte
o poema.

Assim entre aspas e tremas,
pausas pequenas.

Retaliações do dia,
problemas...

Me abandono em fuga,
escondo,bicho do mato,arredio.

De repente,acalento,
acalanto,empatia...

Eu nos braços da poesia!

Reginaldo 3052014

"INDUZIDO AO VOO"


No vazio da alma escura,
ante ao aparente abismar,
resiliente asas e voo imaginários.

Alçam pra fora tentando fuga do que machuca,
das maculas do tempo,
num sublime flutuar pro dia,
da alma pra poesia.



Reginaldo 3052014

quinta-feira, 29 de maio de 2014

"PARADOXO"


Toda superficialidade tem um que de profundeza,
quando raso me sinto submerso em solidão.

Então na profundidade do silencio me absorvo,
em longos papos com meu eu.

Introspectivo olhando pra dentro do vazio,
tento tirar do fundo algum naco de luz.

Algo que de sentido por estar submergido,
na dependência visceral de não estar só.

Quero o mundo em bombardeios enlouquecidos,
só pra remover o deserto que ha em mim.

Retirar debaixo,do lodo seco,águas mortas,
que ainda sim são águas vivas desassistidas.

Beber desta fonte um pouco de morte,
que acabe de vez com agonia vã.

Revolver areia que passa apressada na ampulheta,
sem tempo pra gozar o vento.

Abraçar o que tiver de cor no sopé do arco-iris,
namorar a menina dos olhos,atrás da retina.

Tomar banho no mar que invade a costa oeste,
rumar pro norte,no encalço da feliz idade.

Ali recepcionar o destino,com a maturidade de um menino,
no auge do seu despertar.

Encontrar na superficialidade imposta,
um mundo cheio de possibilidades,inclusive de amar.

Abandonar na praia a solidão,dar as mãos pra alguém,
e povoar o silencio.

Encher de vida e amar com toda profundidade,
que possa permitir meus vazios.
      

Reginaldo

terça-feira, 27 de maio de 2014

"O DESEJO DA LAGARTA"


Desejava...
No casulo onde a ninfa se alinhavava,
tecer de seda seus sonhos,
em fios frágeis de sensibilidade,
ganhar asas ao despertar.

Observava...
Incubada de silencio,
o voo livre do beija-flor,
infiel ao beijar todas rosas,
margaridas e dálias do jardim.

Esperava...
Incubada de silencio,
o desabrochar da metamorfose,
do rastejar pesado imbelo,
ao voo sereno e Narciso.

Ansiava...
Ainda incubada em silencio,
pelo alarido dos pássaros,
arautos da alvorada,
mensageiros da primavera.

Findava...
Enfim o silencio,
rompia o invólucro que lhe permite a luz,
vestiu-se de asa delta e voou
pra além do jardim.

Nascera...
Fugaz como chuva de verão,
colhe do voo,tudo que lhe fora negado,
depois precipita suave sobre a flor mais bela,pousa!

Agora...
Ávida de cor e vida,
desfila sublime entre violetas,
o bulbo seco é lembrança do incubado silencio,
no delicioso bailar da borboleta.

Reginaldo

"DISSEMINANDO"



O tempo incisivo e dissimulado,
passa com a secura das horas,
tentando me roubar as defesas,
impondo sua verdade.

Nos dias que amanhecem,
loucos pelo anoitecer,
mostro todas as faces a que me prendo,
anjo dormente e dócil ou peçonha letal.

A mais intrigante das mascaras de uso,
não são as dos sonhos vãos,
mas a real,pela qual destilo meu fel,
trajado de veste pura,ocultos em véu.

Com ela me pego,maquiando o engodo,
deixando o belo evidente,
disseminando aparências fúteis,
tentando ocultar a dor de Narciso. 

Reginaldo

segunda-feira, 26 de maio de 2014

"NÃO OLHE PRA FORA..."




Por não ter o teu olhar,
na sombra dos meus passos,
ando voando baixo,
em voo de reconhecimento
da minha insignificância.

Me joguei num abismo profundo,
soltei-me na corrente de vento,
pra disfarçar meus murmúrios,
gemidos e lamentos.

Depois de tanta turbulência,
talvez seja hora de pousar
mais perto dentro de mim,
semear minha semente...

Fincar o pé na terra,enraizar,
deixar enfim brotar a flor,
viçosa e perene,
a essência do que eu for.

Quem sabe assim ela se encante,
olha-me com toda sua vaidade,
do canteiro dês-plante a flor nativa,
toma-me como adorno em suas madeixas.

Assim despertará a primavera,
os campos serão oásis,
os olhos verão a vida com outra cor,
se cumprirá a sentença "sufi andarilho".

O que procuras cá fora,
só encontrarás dentro de ti.

Reginaldo

domingo, 25 de maio de 2014

"CAMBIO SEMILLAS"


Cambio de semillas
não por acaso,
as semeaduras rendem frutos.

Um dia propício
pra toda origem incubada,
dês-hibridar.

Um mar de raças,
tão natural,quanto 
a universalidade das sementes.

Segue o mundo,
num retrocesso lento e inefável,
na busca do profundo.

De tão alto que voou,
precisou refazer o trajeto,
reinventar um regresso,pousar!

Da superficialidade do avanço
a qualquer custo,
para por o pé no chão,
ouvir o lamento da terra.

Andar sobre,viver da,
revolver e se abraçar os braços
desta que te revelou homem.

Puro como semente,
mas incubado e imperfeito
como um deus pequeno.

Trocar a casca e no mais fascinante renascimento ,
se desvelar do pó, a luz e frutificar!

Reginaldo



"FEITIÇO DE ÁQUILA"


O jardim onde semeei primavera,
ha muito outonou.

Onde o verde e as flores jardinavam,
desertificou.

Quando esperava o calor do verão,
inverno frio,solidão a dois.

Faltou regar,faltou a chuva,
faltou água,as fases da lua.

Sobrou lagrimas,fartou choro,
excesso e decepções.

No canteiro das flores,
nasceu "não me toques".

Somos dois estranhos,
separados por um encanto.

Você é "Dama da Noite"
de quem só tenho o perfume.

Enquanto sou "Girassol",passando os dias
na dependência da luz.

Assim busco ,na transição 
do dia pra noite,ao menos tocar sua mão.

Em vão,pois fomos por um encanto separados
"Sempre juntos,embora,sempre afastados".

Reginaldo


"EM MENÇÃO AO LANÇAMENTO DO LIVRO DO POETA PAULO GONÇALVES"



Paulo Gonçalves,,
meu amigo e por sorte minha
foi meu professor.

defini-lo é difícil,
pois se tornou um enigma,
falando em silencio,
suas escritas,por vezes se torna
um misto do eco das suas inquietudes.

É um guerreiro solitário,
que no auge dos seus delírios
vislumbrou um desvio
por onde trilhou seu caminho.

As vezes incompreendido,
taxado de doente,até louco,
mais comum aos poetas,
esses seres que enxergam oásis
no mais inóspito deserto.

Não por acaso é hoje,
seu dês-encasular,
seu mostrar a cara.
Maria da Fé,
que hoje recebeu
um evento internacional de troca de sementes Criola,
tem um filho seu que começa colher o fruto
de sua semeadura.

"O encanto que se dá,
é do pouco que se tem
é do tanto que se sobra,
deste pouco para alguém.

Isto é o que estamos presenciando aqui.


Jose Reginaldo Da Silva.

24/05/2014

sexta-feira, 23 de maio de 2014

"COMO VOO DA BORBOLETA"


Minhas mãos, 
acenam pra ontem,
num satisfeito adeus.

Meus braços,
abraçam o hoje,
na intenção de vive-lo.

Já o amanha, 
é só esperança,
que ainda não posso tocar.


Reginaldo

"DESAFIO"


Atravesso assim atrevido
ávido este deserto,
as vezes me sinto assim,
árido,inóspito e seco.

Porem não gosto assim,
gosto do cheiro da relva,
queria mesmo é ser mata viva,
com sons,cores e afins.

Mas tento disfarçar com emoção,
para irrigar este chão morto
busco água na alma,
na fonte da imaginação.

Retiro do céu o azul,
despejo no amarelo da areia,
aquarelo o deserto que sou,
assim o chão esverdeia.

Pronto agora sou mata,
tem cheiro de terra,flores e asas,
floriu meu deserto,
ouço até longe as cascatas.

Sigo a corrente ligeira,
no caminho vazio dos dias,
semeando sempre nas margens
me fazendo brotar todo dia.

Porque viver é um tentador desafio!

Reginaldo

quinta-feira, 22 de maio de 2014

"DÊS -INQUILINAR"


Ver o avesso inverso,
o contrario que mostra
no verso do verso
e sondar por traz da cortina.

Desalojar por um instante,
tudo que habita em mim,
andar solto por todo canto,
sem estar em lugar nenhum.

Subir no parapeito e saltar,
na esperança do voo,
tocar o chão do abismo,
que me convida a tentação.

Encarar o espelho nos olhos,
ali de dedo em riste,
mostrar o que encontrei
no delinear das rugas.

No grisalho do cabelo
que o tempo pintou,
marcas da mais incompleta
e imperfeita odisseia.

Então retirar a mascara
impregnada do egoismo meu,
ler os rabiscos que o tempo 
escreveu na linha das mãos.

Assim encarar de vez o espelho,
abraçar o que ele ofereceu,
aquela templo vazio 
o inquilino era "Eu."

Reginaldo

terça-feira, 20 de maio de 2014

"VAGANTE"



procuro o caminho do infinito,
as vias que me levem ao veredito,
ao abraço quente e sórdido do destino, 
doido pra esfriar-me a vida.

sigo os raios do sol,
desvencilhando a escuridão,
mesmo no breu total das noites sem lua,
apego-me em absorver as estrelas.

candieiro celeste,veludo azul imenso
pirilampos piscantes suspensos,
clareia o pensar titubeante
enquanto rasgo insana jornada.

o céu,vastidão em abismo,
desliso meus olhos admirar,
andarilho a imaginar o infinito,
se não pernas,crio asas pra buscar.

Reginaldo

"CANSADO"



Vai se esvaindo o dia,
pelo vão dos dedos cansados,
vai consigo muito de si,
menos muito que o desejado.

Ávido por outra aurora,
descansa o corpo exausto,
a cama rende sossego,
o quarto escuro cela o claustro.

Passa ileso pela noite,
imerso em sono profundo,
semeando sonhos fartos
nos jardins do submundo.

No silencio das madrugadas,
recolhe pesadelos, loucuras,
confusão de sentimentos ouvidos,
no grito vivo das ruas.

Desperta de sobressalto
assustado com todo alarido,
ressente que ainda escutas
o dia que se fez ido.

Abraça a esposa do lado,
conta sua respiração,
ajeita o travesseiro de novo,
entrelaçam as mãos.

Beijo carinhoso na face
daquela que lhe aquece,
aconchega-se bem juntinho,
não demora adormece. 

Reginaldo

"PLANTADOR DE SONHOS"





Fiz um poema feliz,catei flores do campo,
borboletas,joaninhas e fechei com os colibris.

Cerquei com felicidade,com sorriso e carinho,
amarrei tudo com fios de amizade,fiz certinho.

Plantei ali todo encanto,que a vida podia dar,
foi tão grande a surpresa,quando tudo começou brotar.

Tinha pé de gargalhada,alastrou ramas de encanto,
cores havia aos montes,odores eram um espanto.

Tentei proteger das pragas,das ervas daninhas também,
gabava do meu jardim,igual por ai ninguém tem.

Porém não ouvia nada a respeito,tão belo e em vão,
descobri no belo que havia,um tanto de obsessão.

Havia crescido na cerca ,sem minha observação 
um tanto de trepadeira,que ofuscava a visão.

Descobri naquele instante ,forçado meio,sem querer
que devia abrir o leque,meu jardim pra outro ver.

Então derrubei as cercas,fiquei pequeno no estio,
veio logo uma chuva forte,levou um tanto pro rio,

O vento soprou com força,levou pra longe as sementes
deixou em outros canteiros,o que me era eloquente.
  
De repente tudo era verde,acabou a solidão
onde era deserto,baldio,um mar de satisfação.

Havia felicidade e sorriso,alastrado por todo mundo,
contagiante euforia,contentamento profundo.

Percebi então, aprendiz que sou,cercar não é o caminho,
as cercas não sabem ler,ninguém é feliz sozinho.

Hoje espalho no vento e chego a cada rincão
as palavras flores que semeio,encontram acolhida,chão.

Me vejo feliz,tal qual ao poema,escrito com flores do campo,
com simplicidade,solto no tempo,aqui do meu canto.

Palavras voam,batem,ecoam ao voar,
tem sempre ouvidos sedentos,um deserto pra saciar.

Agora que cheguei na fonte,do oásis em mim,
vou limpar as margens,das corredeiras enfim...

Seguir ladeira abaixo,na busca de encontrar,
um delta pro meu poema,quem sabe florir o mar.


Reginaldo

sábado, 17 de maio de 2014

"EMBORA NÃO NOTES"




É por você...

Todo calor que ora sinto,
todo abrupto despertar,
toda busca por teus olhos,
todo meu  tímido olhar.

Percebo que...

Ando vagante entre tantos,
de tanto vagar em vão,
no vácuo dos dias idos,
sonho doce, ilusão.

Por isso...

Queria muito o braço teu,
tua sanidade e loucura,
neste inverno que se fez,
cela fria e clausura.

Um lugar...

Onde o tempo passe a esmo,
sem medidas, nem repudio,
quero teu corpo meu templo
casa mata,refugio.

Desejo...

Quero eu, me entregar,
a mais sensata doação,
saber-se que nada sou
sem o toque de suas mãos.

Assim...

Espero que entenda
este meu desprendimento,
aceite o meu amor
e todo meu encantamento.
  
Enfim...

Se tudo evoluir pra nada,
se tudo for  poeira de nós,
ainda sim serei lembrança viva
impregnado nos teus lençóis.


Reginaldo

quarta-feira, 14 de maio de 2014

"PERCEPÇÕES OBVIAS DO TRIVIAL"


O encanto que se dá,
é do pouco que se tem
é do tanto que se sobra,
deste pouco para alguém.

A vida disso abastou-me,
sonhos e encantos tantos,
sorrisos e alumbramentos,
mesmo aos choros e prantos.

Reclamar não posso não,
tenho pés,braços e mãos,
caminhante me fiz
na busca de ser feliz.

Quem espera, diz o dito,
sempre alcança,melhor não,
parado não se chega,
parado é raiz é chão.

Mas pode ser que sim,
a arvore nunca sai do seu lugar,
porem seu frutos e flores viajam,
no vento que vem lhe buscar.

Então fica o dito pelo não dito,
na perfeição do feito
tudo tem seu sentido,
de varias formas e jeitos.

Veja as cores dos pássaros,
do arco iris depois da tempestade,
só tem sombra porque existe luz,
tudo é inteiro,nada é metade.

Ainda me chamam de aluado,
por falar destas arestas,
a vida abastou-me com tudo,
me fez olhar entre as frestas.

Não me preocupo com reprimenda,
basta se queres entender ,olhar,
está tudo ai na sua frente,
não serei eu a lhe mostrar.

As flores do jardim são belas,
os pássaros,seus cantos,o sol,
a chuva,a terra,o céu,o mar,
não precisa ser poeta,pra isso exaltar.

Basta um tiquinho de sensibilidade,
olhar em silencio e ver com a alma,
depois é só admirar,tranquilo,
com calma!


Reginaldo

terça-feira, 13 de maio de 2014

"MESMO ASSIM"



Mesmo que o verso seja simples,
que a rima seja pobre,
que nas entrelinhas fique confuso
que a métrica não seja nobre.

Mesmo que eu conte prosa
numa aliteração total,
mesmo que a alma fuja,
isto pode até ser normal.

Mesmo numa metafisica subjetiva,
numa figura de linguagem,
espero de fato que entenda
o sentido desta mensagem.

Antes da poesia eu nada podia,
do seu olhar escondia meus olhos,
atrás de qualquer sombra,
que tua luz produzia.

Hoje a tenho por inteira,
pra meu uso a revelia,
falo-te nos meus versos
o amor em demasia.

Tenho-te como quero
feitiço,encanto,magia
não encontro em meus braços,
mas na minha poesia.

Mesmo assim,sem logica alguma,
sem noção de gramática,sem analise sintática,
sem rumo,nem plano,este mote eu fiz ,
só pra dizer que Te Amo.

Reginaldo

"OBSESSÃO"


O que me levaria a alucinação,
não seria mais uma dezena taças,
nem mesmo mais beck entre os dedos.

O que me faz viajar é AMAResia,
é a fumaça que a alma rechaça,
da boca pra fora nas noites de frio.

É a tua maldita ausência presente,
que ainda no inconsciente se faça,
mesmo sabendo que foi vento ,brisa,fumaça.

O que fazer então se na solidão te vejo,
se no vinho tinto te acho e no cigarro a queimar
que toco nos lábios te beijo?

Acho que vou parar com boemia,
farei um trato com a solidão,
faremos deste imaginar,poesia...

Vou parar de beber e fumar,
isso acho que da pra fazer,
só não consigo parar é de Amar você!

Reginaldo


Imagem: Mehmet Ozigur
Inspirado por Cris de Souza.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

"MAIOR AMOR EXISTENTE"


Mãe,
a TI
eu quero dedicar:

Meu 
aconchego e 
esperança.

Minha 
aliança com 
este mundo.

Meu 
amanhecer 
ensolarado

Meu 
aluarado 
escurecer.

Meu 
acontecer e 
existir.

Meu
amor e gratidão
eterna.


Reginaldo

"ESCREVENDO TORTO POR LINHAS RETAS"



Deus é tão infinitamente sábio,
e tão primoroso artista,
que fez tudo belo e harmônico,
ao pintar o quadro da criação,

Assim se fez consumar
completa a obra da inspiração,
Deus ao inserir o homem,
assinou embaixo...

Imperfeição.

Reginaldo

"CÓPULA"

Ensejo,loucura e desejo,
delírio doce prazer
uma penumbra suave
entrega, acontecer.

Tenra maciez,
expressa em pele nua
deslize suave das mãos
profanação da lua.

Entrelaçados corpos
frenesi de impulsos
suor e calor ardente
jorro de jatos eloquentes.


Saciado desejo
festa em lampejos 
caricias e toques
carinhos e beijos.

Amor,sexo,cópula
numa perfeita invocação,
carnal invasão do templo, 
meu fraco,minha perdição.

Reginaldo

"FUGA PRA DENTRO DO SILENCIO"



Tece o destino outra teia,
linha reta,outra armadilha 
mais um corredor polonês,
sem curvas e redondilhas.

Junto uma mochila vazia,
completo com o resto de mim,
atravesso a calçada descalço
talho por entre o jardim.

Abraço a paineira da praça,
ela parece se despedir,
suas folhas tremulam no vento
parece querer fugir.

Sigo por entre as ruas mudas,
um silencio denuncia-dor
janelas fechadas,
ruídos,sussurros,clamor.

Embrenho viagem
solto ao sabor do tempo,
andando em frente sempre
sob temerosos passos lentos.

Busco o que não sei,
insatisfeito que sou,
fragmentados desejos
asas e solitários voos.

Jogo-me no abismo, 
vazio,acumulando sonhos
decantando pesadelos,
enfrentando demônios.

Vago no caos do silencio,
onde a minha paz escondeu,
fujo pra dentro desta inquietude,
na ânsia de encontrar...Eu.


Reginaldo