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Mostrando postagens de 2014

"SER FELIZ DE DENTRO PRA FORA"

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Um sol que arde,
uma dor oculta,
uma felicidade pintada
pros olhos dos outros...
Um sorriso largo,
por trás da mascara
chega dando voadora
na tua emoção.
Todos riem,
efêmera aceitação,
inciso,incluso,
excluído coração.
Medos não revelam,
camuflam um sentir,
semeador imune
ao próprio veneno,
vendendo imagem
fingimento,sabotagem.
É artista das palavras,
que desvela seu "Eu"
na linha tênue da vida.
Equilibra,
se pega,se prende,
não se solta,tem medo,
das palavras amargas,
do fel,que dissipará o doce,
o mel da sua boca,
o lilás dos olhos,
da flor de lis,
seu desejo é ser feliz!
Sabes capaz,
pobre poeta rapaz,
faz verter água em deserto,
correr rumo ao mar,
sabe-se sol disseminando
calor do seu núcleo,
do seu interior.
Sutileza,suavidade,
o lirismo é tua verdade,
tem ânsia e sensibilidade,
não se encontra feliz
escondendo a própria felicidade...
Dane-se a sociedade,
sua aceitação,
sua ação,falação,
dana-se o amargo da linguá,
o fio da navalha,
tens no peito,
um coração que bate

"REFLEXO"

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Nadar num lago de espelhos,
para confundir os traços
de mim mesmo.

O espelho não é nada,
até que capta alguém
e sai espalhando o brilho que não tem!!!


É tudo rastro deixado no tempo,
tudo vento em calmaria,
nada é invento...Tudo é poesia!


Reginaldo

"BREVE HISTÓRIA DO TEMPO"

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Quem inventou a calendário,
era um revoltado,
cansado da mesmice
do igual ,do repetir...
Queria algo novo,
um nascer,
um findar,
um recomeço.
Não contava mais as luas,
nem as noites e os dias,
não somava as rotinas
a mesma coisa,a monotonia.
Então deparou-se com a morte,
que mostrara outro caminho,
pra onde teria ido a vida do passarinho.
Pensou como seria o findar,
no fim do dia,
quando o sol toma seu banho,
lá no fundo da Baia.
Onde andara seus amigos
que os olhos já não viam,
Parou traçou novas rotas,
como um dono do destino,
dividiu ,fracionou,fragmentou,
criou hora, minutos e segundos,
dias,meses e ano,
num período seco e fechado de doze,
doze grandes enganos!
Mau sabia que estaria,
arrumando um paliativo,
o vento sopra as folhas
secas por todo canto,
mas a arvore fica presa a seu destino,
não passa de uma pintura no pano.
O tempo este apressado,
vai andando sempre em frente,
nos fez um dia bebê,criança e adolescente,
adulto,velho onde a passagem é eminente.
o calendário?
É só p…

Zengoldábil e Beduzupo

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Á todos os meus amigos
e inimigos que por ventura houver.

Porque...
bons fluidos e boas energias,
positivismos e otimismos,
são ingredientes indispensáveis
para realização e acontecimento das nossas ambições,
que os anjos nos guarde nas tempestades
e nos protejam na escuridão.

Feliz Ano Novo!!!

Que seja transparente a inocência,
a iminente ingenuidade,
que se troque a truculência
por afagos e fraternidades,
que se desconstrua a rocha,
do embrutecido coração do homem,
que assim fragmentado,
não se esqueça que és pó,
que a vida é um sopro
e a morte um vento sem direção!


Reginaldo

"ORÁCULO"

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Falo de assuntos diversos,
pra tanto me assumo em versos,
na calada das noites sombrias,
me invento em poesias,
assim disperso em meu mundo,
mergulho profundo
da ilusão de poeta,
na cadência rítmica das mãos,
na tímida intensão,
de florir um deserto,
brotar na seca fonte,
jorrar dos olhos
o silêncio das palavras,
formar um lago nos pés,
refletir o rosto satisfeito
lumiar como lua cheia
na finitude das madrugadas,
antes do romper da alvorada,
descansar o lápis,
embalar o papel,
reverenciar o dia,
a passarada cantante,
o mugido do gado,
o cheiro do campo,
o pó das estradas
o chão batido
o leite tirado
o café fervido
o apartar os bezerros
o reconhecer os erros
abraçar a paz
e o que se faz
com tudo que se quis...
Sair do ostracismo
assumir meus avessos
meus contrários
e minha contravenção,
ser na discrição do rabisco,
o mais fino esboço de um ser
imperfeitamente Feliz.
Simples assim...
E dormir ao sol
que beija a vidraça,
quando a manha
se abre depois da névoa densa
e da cortina de fumaç…

"OUTROS OLHOS"

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Ardia,
minha ânsia doentia,
Louco, insistia
em gritar silêncios,
encher vazios
nas fendas do tempo.

Um dia,um livro,livre,
meu livramento...

A lata de lixo,
do lado do banco
na praça central,
numa tarde normal,
fuçava o pão,
com as mãos sujas,
a barriga nas costas,
e os pés no chão.

Um livro de Drummond,
como algo que luzia,
foi meu banho,
minha assepsia,
Ter-a-pia,
água corrente
pra dentro da alma.

Me curei,lavei as mãos.

Entre flores e espinhos
encontrei o meu caminho,
nos avessos,
entre Aves e raposas,
colhi os versos,
inversos ao meu universo.

É agora José?

Como vai ser?
Depois de comer deste pão,
do mel das  palavras
ditas por gente?

Não sei,serei
poeta pros pássaros,
pras arvores da praça,
pras flores dos canteiros
em meio a fumaça...

Mas aos olhos do mundo
só mais um imundo contente,
um "Indigente"!


Reginaldo

"Estrepolia"

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Voa em névoa,
num vê a nuvem
e nu vêm...

Assim no vão
do silêncio,sonha
o barulho do mar...

Se joga no ar,
mergulha na profundeza,
do mel do algodão doce...

Leve depois de chorar
o sal do tempo,menino
dos olhos de mar...

Só queria nadar,
molhar o corpo
onde Ha-mar!


Reginaldo

"AINDA FALANDO DE FLORES...!"

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Subtérreo,
porta de ida,
agora pretérito,
sobras e saudades.

Subsistência,
aloja no inconsciente,
o frescor da imagem
o verde vida partida.

Semi-térreo,
sensações,
jardim de eternidade
portal do éden
retorno ao pó.

Certeza,
efêmero viço,
rabisco de esboço,
fugaz sorriso
vida abismo e fosso.

Cala tudo,cala dor,
cala boca,calabouço,
viver é caminhar pro fundo do poço...

É osso!


Reginaldo

"CABEÇA DE VENTO"

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A cabeça voa,
o corpo se arrasta,
as pernas não andam,
as sombras ...
Só sobras de mim!

Assim passarim,
cabeça de vento
vai céu adentro
aninhar-se nas nuvens!

Cansado do chão,
das rasteiras
do alçapão,apruma,
empluma e alça voo!

Aprendiz de céu,
mesclado ao azul,
só um risco na tela
e nada mais aos olhos.

Desbrava o imaginar,
reflexo do mar,
peixe voador
é passarim de aquário.

Gaiola de tempo,
sem grade na porta
espírito liberto
da clausura do corpo...

Cabeça de vento,
filho do chão,terra,
água dos olhos
que desemperra.

Passarim livre
que não sabe do jardim em flor,
foge das pragas que devoram a alma,
foge da dor.

Encara o novo desconhecido,
flutua nas asas rumo ao vazio,
cabeça de vento,passarim...
Menino arredio! Voa!


Reginaldo

"oscilante"

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Quando pesam as asas,
pousa,
cede a tentação,
depõem-se do voo,
do sonho,
viste-se dos seus demônios,
desdenha do céu,
rasteja no chão!

Agora serpenteia,
fogo,brasa,paixão!
Flutua no limbo
do sagrado e da
profanação,
este corpo máscara,
anjo torto,caído,
salvação!


Reginaldo

"ABSOLUTA"

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Não ofusque minhas certezas,
não anuvie meu querer,
desembace o vítreo dos olhos,
límpido ver...!

Amarre tuas frustrações a uma pedra,
deixe o tempo lapidar,
amargue tuas angustias,
deixe as pedras voar.

Descanse teu fardo pesado,
relaxe ao som do mar,
colha todo azul,
aprenda me amar!

Sou poeta da palavras,
sou as asas do dilema,
sou aquele que te amou
na doçura do poema.

Amargo,doce,azedo,
picante,acido,insosso,
sou assim cê sabe,
criança,velho e moço.

Só não duvides do meu sentir,
do gostar de ti minha flor,
neste canteiro efêmero,
sem duvida é amor!


Reginaldo


"OCULTO"

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Tenho em meus silêncios,
sussurros entorpecentes e analgésicos,
para desespero da minha dor de cabeça.

Vou para dentro do nada,
reduzo-me à casulo,
hiberno!

Quando o abismo
é morte certa
dou-me asas.

Tenho sono,tenho sorte,
tenho sonho,
durmo bem.

Borboleteio em cores,
viço pulsante,as palavras
pousam,superfície e rasante!

Renasço das dores do parto,
nas fendas do tempo,
sob as contrações da estrada.



Reginaldo

"CLÓRIS"

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Passeia no jardim das borboletas,
entre cravos ,
margaridas,
o cheiro do jasmim,
as calêndulas pequeninas
se abrem no caminho,
só beleza sem espinhos
esparramados sob os pés,
voam assustadas
as pequenas borboletas,
mais parecem flores de asas,
num revoar de violetas.


Reginaldo

"Enquanto o ano não vem..."

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Sigo no rastro do velho,
em passos lento,agonizantes
sem pressa,ofegante,
cansaço nas pernas,longa caminhada,
vou pela estrada sem olhar pra traz,
farejando um novo despertar.

Ainda resta um pouco do tempo,
ainda posso realizar adiados,
abraçar esquecidos,
aplaudir ignorados,
no rastro do velho,
aprendi tolerância,
paciência,perseverança,
ao longo da estrada.

Eu aprendiz de mim mesmo,
mau sabia que o velho,
era meus passos,
que arrastava-me em sombras,
tentando me oferecer outra chance,
para trilhar novas veredas.

Destino ao renascimento,
onde o sol encontra o vento,
o mar silencia as tormentas,
as flores brotam do nada,
como os poemas em mim.

As utopias seguem comigo,
os sonhos também,
desejos possíveis,
manter os amigos,
ama-los,vê-los,fala-los,
ouvi-los e abraça-los...

Enquanto o ano não vem!


 Reginaldo

"SENTIDOS AGUÇADOS"

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O tato revela os sentidos,
são cinco os motivos
pra ter a vida nas mãos.

O silêncio me é perturbador,
quando oculta coisas
do meu interior!

A boca profere palavras
no vasto vazio,
onde não ha eco!

Os olhos afoitos,
buscam ver o nada,
onde tudo é escuridão!

Mas há uma luz,
nos canteiros de alfazema,
um aroma cítrico nos pés.

O cheiro de amanhecer,
invade a alma dormente,
desperta cambaleante...

Empluma as asas,
alça voo,
refaz o curso fora do ninho!



Reginaldo

"QUANDO GRITA O SILÊNCIO,SOU TODO OUVIDO"

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Louco um pouco,
busco a boca do calabouço,
estreita fuga para um poema!

Na fuga deixo escapar,
aspas,pontos e reticências,
o avesso do verso!

Aquela estrofe sem fim,
frase inacabada,sem rima,
prosa sem graça...

Deserto de Adélia Prado,
a morte dos versos de João Cabral,
palavras rebeladas.

Fogo da Fênix!

Só cinza,pó e poeira,
a certeza da poesia
é não ter hora...Nem dia!

Reginaldo

"FALANDO SOZINHO"

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Meu anjo da guarda está em apuros,
coitado...,Tem medo de escuro!

Não pode cumprir tua missão,
já que meu caminho é denso e tortuoso,
tem receio de seguir meus passos,
dentro da escuridão!

Pobrezinho,se treme todo,
talvez eu seja pra ele,
seu pior engôdo.

Entro deste de enxerido,
quem mandou ser anjo da guarda
de um outro anjo caído!


Reginaldo

"NADA A TEMER SE..."

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As horas afugentam a calma,
o barulho dos raios do sol,
quebram o silencio e
invadem o vitral dos olhos.

Ha cores...

Já é dia e a noite se foi,
a vida respira o amanhecer,
se inspira nos pássaros cantantes,
transpira voos e vazios.

No vão...

Passou pelas veredas dos sonhos,
entre sustos ,anjos e demônios do sono,
desperta refeito de defesas,
caminha as claras,longe da escuridão.

Ha luz...

Trilha por entre as flores,
no tato,no cheiro
e no palato,o gosto da vida,
sem amargor...Doçura!

Ha luta...

Desconstrói o ranço do tempo,
enche-se de leveza,
levita a cada passo,
pois ainda tem ar no teu peito.

Persevera...

Caminha sob as bençãos de Cronos,
sabe-se finito e fugaz,
mas abraça o engodo,
acredita na eternidade do momento!

Feliz...

Vive e ponto!


Reginaldo

"COLHEITA"

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A margar- idas,
quando Amar finda,
renascer eterniza
sempre boas novas...

Boas vindas!


Reginaldo

"PRINCÍPIO ATIVO"

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Com o Tempo,
a gente,
transforma dor.

Ali via dor,
encalacrada no peito
magoando o dedo das mãos.

Aprendi a receita,
resiliente absorvi o unguento!
Um poção de tempo,
é o próprio tempo
transformador.

Fui criando casca,
proteção,defesa,
nada me aflige...

Aliviado de todo sofrer,
colho do sofrimento
o veneno pra dor.

Meus olhos tem a cor,
do céu e do mar...

Vermelho por baixo do azul!



Reginaldo

"CADAFALSO"

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Passo em falso,
corpo nu,
mãos e braços,
sob os pés descalços.

No encalço,
as dores de alguém,
que a vida fez
adorno de ócio
envolto no pescoço.

Na penumbra arte
um velho colosso,
que um dia foi moço
o rosto do masso,
da foto,o estrago
não lhe permite
o ultimo trago.

Agora lembra saudoso
dos idos em fumaça,
a beira do cadafalso,
tenta seu ultimo esboço,
antes das flores e o fosso.


Reginaldo

(Ali via dor )

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(Ali via dor )

O Poeta morde a caneta
como alívio pra dor,
pois a palavra é sua dura pena!

Jose Regi Poesia

"O BEIJO DA LUA"

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O mar dorme no silêncio,
sob o lenço negro da noite,
a lua brilha por encanto,
só pra se namorar na flor d'água!

Narciso se olha no espelho,
o tempo maquia teu rosto,
cansado se admira
com o vento que sopra!

O corpo já não voa,
asas de chão,
caminha esguio
com a cabeça nas nuvens.

Ainda sim feliz,
dois olhos de ver o mundo
uma boca e o cheiro
da vida de frente o nariz!

Na areia da praia,
rastro de fim do dia,
imagem desconstruída
remendos,versos e poesia!

Tudo que fica vai indo,
sumindo com a noite que finda,
o espelho do tempo oculta
uma alma a deriva.

A lua não se aguenta,
e toca na água teu rosto,
Narciso se desespera
por ser da arte o esboço!

Um vulto desforme e torto!

Reginaldo

"MUTILAÇÃO"

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Estou preso nas sombras do pensar,
uma ferida aberta no peito,
evidencia a violação.

O som que ouve é silêncio,
as falas são mudas
os versos nulos.

Um corpo sem alma,
casca vazia,
um oco,um eco e o ócio.

Tudo remete pra fora,
tudo sair é pouco,
sufoco,fuga!

Trancaram por fora,
o tempo roubou a chave,
sonhar já não cabe.

Sangra liberdade do voo,
pássaro sem asas
saudoso de céu.

Mudo, já não canta,
não ouve,não encanta
amarga solidão.

Mas ainda vê luz,
embora mutilação,
não lhe roubaram a visão.

Ainda voa o olhar,
até que a noite caia!

Reginaldo


"É ASSIM..."

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Efêmero como um sopro
a vida se faz breve ventania,
tempestade dolorida,
que virá ser saudade e calmaria.

Lembrança vale o viver,
ter vivido,
conhecido e convivido,
vale as lágrimas,
o choro a comoção.

Vale o conforto do ombro,
o abraço
e o aperto de mão.

"Morte não é nada"

Ante o que foi plantado,
pelas flores colhidas,
matizes de cores diversas,
momentos eternos
que nem a morte por sorte
consegue apagar.

Só mudança de rota,
outro plano,
outro voo,
sem o calor do corpo,
mas com a chama da saudade
em labaredas!

Reginaldo

"SONHO DA MENINA DOS OLHOS"

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Tudo ser nada,
atordoado sentir,
revirar as expectativas,
reviver ,remoçar.

De tudo ser,
e mais nada,
de todo ser encantada,
as pétalas da calêndula.

Ser por insistência,
ser na existência,
na inocência,
criança!

Colher a esperança,
a flor que desabrocha,
pra ser pouso de borboleta!

Receber o carinho do tempo,
acalento do vento
e o beijo do colibri!

Reginaldo

"FAMIGERADO"

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A Fome deste que se chama amor,
insaciável devorador
de corpo ,de alma e coisas,
um dia me degustou.
Numa cama,sobre a mesa,
sem cadeira e cobertor,
corpo nu a seu dispor.
Banquete indelével,
que sabores a língua provou,
a boca que mastiga
dos olhos o amargor.
Ah ,o Amor,
este inefável sentir,
que é ,ou vira ser por vir.
Não deixa marca,nem rastros,
feridas abertas no dorso,
o coração vagabundo
acaba amando de novo.
E assim sou banquete,
na vida,por amar sem medida,
por ser presa fácil,
sem defesa e guarida.
Tenho o gosto sabor de atração,
meus rumos na sina a sorte,
não me importo de ser consumido
o amor não tem medo da morte!
O amor é por si só faminto,
da beleza dos versos,do corpo,
das curvas sem desvios,da flor,
da noite e do dia sempre igual...
E´loucura sagrada,
sacrifício profano
é chegada e partida...
Atemporal!

Reginaldo

"RETICENCIAS"

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Poesia,
estado de espírito,
que o corpo capta do dia
e a alma converge em verso...irradia!
O que outros tomam como rotina
tenho como inspiração,
sou mesmo avesso
ando na contra mão.
Colho de olhar o tempo,
de passar a mão,
de sentir o vento
dos pés no chão,
Do jardim em flor,
do cheiro da terra,
do beijo no queijo
do beija flor.
Tudo ver
tudo ter
todo sentir
e assim ser...
Feliz de vez em quando,
enquanto acabam as palavras do poema,
o pensamento segue o voo!

Reginaldo

"ASAS DE VOAR PRA DENTRO"

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Havia um pássaro no silêncio,
a um passo da escuridão,
havia ave noturna
no voo do coração.

Pousara na mudes dos seus pios,
do alto olhar não se via,
que o pensamento voava
no estio,entre o vão e o vazio!

Havia um louco de pedra
deste que o vento arrasta,
deixava marcas no chão
rastro por onde passava.

Um pássaro desalado,
deposto do céu caído,
soube-se agora demônio,
meio anjo ou um nada...
Uma espécie de homem Ferido!







Reginaldo

CALEIDOSCÓPIO (Auto-Retrato)

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Sou eu aquela aquarela,
aquela tela em branco
onde o tempo chamusca cores.

Sou um misto de desejos e delírios,
de versos e avessos
por traz da alquimia.

Pinto o sete,o dia ,a noite,
colho flores no deserto,
que o vento sopra em mim.

Sou pedaços de reflexos,
pinceladas de tristezas,alegrias,
sou um caleidoscópio.

Sou a própria lei da reação,
as vezes recebo luz,
que decanto da escuridão.

Sou fugitivo do caos,
recolho das ruínas
o bálsamo pra alma.

Embalo com fita vermelha,
selo com amor a embrolho da vida,
espalho-me ao vento.

Sou grato,amigo ,escorpião,
sou careta,correto,amigável,
por vezes céu,outras vezes chão.

Sou veneno,sou peçonha,
sou antidoto e cura,
Sou ombro e rasteira.

Sou homem bicho,
tentando descifrar o bicho homem
ainda que o tempo me devore!

Sou uma incógnita da própria loucura,
de Rembrandt,de Picasso,de Claude Monet,
sou rabisco descolorido que jamais foi Pintura!

Sou um apanhado de doçura
ocultando alguns demônios,
obra inacabada,esquecida em sonho!

Reginaldo

ANATOMIA

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Deslizei por tua consciência,
dependurei em teus coqueiros,
pra beber lagrimas de cocô
e vislumbrar a tua foz!

Passei frente ao reconhecimento,
invisível penumbra do amanhecer,
sem odor no ar
nem gosto em tua boca!

Fui descendo tuas trilhas,
tateando o teu mapa,
eu bandeirante primeiro,
a desbravar tuas matas.

Sem desvios e picadas
no limite da intuição
desbravador solitário
cheguei na base das colinas gêmeas!

Terrenos acidentados
buracos e seixos
compõem tuas veredas
e anunciam teu oásis.

Uma área verde de grama macia,
com frescor e sombras aconchegantes
uma fenda entre deserto,
um convite a tentação!

Nômade andarilho,
sem parada segui viagem
até chegar aos teus pés
e descifrar teus enigmas.

No fim desta noturna jornada,
refeito de consciência,
acordei de um sonho
ao lado segredos e mistérios.

Toda esta loucura insólita,
foi agrado do destino,
este passeio insano
era um corpo feminino.

Reginaldo

"SEDIMENTADO"

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Costurou seu Hábito
em tecido de lágrima,
um colar de gotas!

Sabia que a solidão
era um barco ancorado
na inquietude do medo!

Por ser racional,
não se viu louco,
em teus silêncios.

O tempo alfaiate,
lhe costurou o destino,
com água de orvalho.

Desnudou-lhe o corpo,
revelando a névoa que era,
deixando sem arremate!

Agora,choro de saudade,
é conta de rosário,
que o tempo faz secar.

Adorno transitório,
de passagem foi profano,
em sagrado oratório!

Como lagrima de dor,
que embrutece o coração,
não dissipou...

Sedimentou!


Reginaldo

"CHOVER"

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Impávido,
olha pro alto na
busca do vento.

Há um rio
que deves atravessar,
antes do abraço com mar.

Desce dos montes,
manso regato
pra ser forte erosão.

Levas águas e fogos,
matos e morros
para morrer no delta...

Depois,
voltar ser nuvem,
voltar aos cumes.

Gotas de poesia...
Precipitar!


Reginaldo

"SELVA DE PEDRA"

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Hoje é o dia,o momento é agora,
a porta do tempo se abre
escrevo o que me sobra,
um pouco do que se sabe.

A história é bem simples,
como que fosse lenda,
mas é tão corriqueira,
como coisa que se entenda.

Havia uma selva de pedra,
cor de concreto cinzento,
terra não se sabia,não se via ou pisava,
tudo era asfalto e cimento.

Mas havia também um recanto,
no meio da fortaleza,
que atraia os olhares
por seu fascínio e beleza.

Era lindo este oásis entre as edificações,
asas,arco-íris,flores e claridade,
água fresca,uma praça,um banco,
muita felicidade.

Ali os pássaros em harmonia
cantavam ao balanço do vento,
enquanto os homens cegos,
murmurações e lamentos.

Naquele banco da praça,
sentava por vez uns loucos,
que cismava as vezes de recitar,
poemas de outros...Poucos!

Havia um naco de luz,
arauto de outros dias,
pois os pássaros dali,
ainda inspiravam poesia.

Afinal era uma praça,
reserva de encanto e graça,
onde toda aura clara emanada,
destoava dos dias escuros de fumaça.

Isto era logo a…

"VOLTANDO A TERRA DO NUNCA"

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Como coisa que tivesse haver
com todos cenário,
todo o entorno encanto,
um canto ,um Relicário.

Tem memórias frescas,
no auge de meio século
um punhado de minúcias
guardadas no Baú.

Muitas perguntas,
poucas respostas
que não quer saber,
pois viveu!

Quem nunca roubou
goiaba por cima da cerca,
nunca sentiu o gosto doce
da traquinagem.

Quem nunca correu descalço,
no campo verde,
jamais tocou nuvens com os pés,
na grama macia do chão.

Nunca dava ao tempo,
motivo ou importância,
jogava bola na rua,
soltava pipa,rodava pião...
Foi criança!

Esperto,nadava no rio,
fugia da escola,
lá não ensinava felicidade,
era feliz solto como passarinho
gozando de liberdade.

Era feliz,era menino livre,
que hoje aprisionado
aqui dentro,
clama por molecagem.

Cresceu,não queria é verdade,
daquele menino,aquela inocência,
ainda resta o doce da goiaba,
o brilho dos olhos...

Restou a essência!
Sem maldade!

Reginaldo

"SINAIS DO TEMPO"

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O Tempo!
Ah o tempo!
esse apressado
que disfarçado
deixa seus rastros.

Faz alterações
nos dias ,nas horas,
nas estações,
em mim,
em minhas emoções.

O rosto sulcado
serve de margem
pro rio imaginário,
as lagrimas desprendem
dos olhos cansados.

De olhar pelas frestas
da vida que resta viver...

O tempo!
Ah o tempo!

Esse que vai me levando,
me fazendo virar...
Saudade!

Reginaldo

"PORTAS FECHADAS"

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arroios circundam a ruína,
o tempo fechado não abre,
o corpo ferrolho.

Tenho todas as chaves,
guardo todos os segredos,
no baú sonhos antigos,
perdido entre as quinquilharias.

Busco o portal ,
no vão do silêncio voo,
inútil caminhar nas sombras,
sobre os escombros de mim.

tenho todas as chaves,
de que vale tudo isto,
se não encontro a entrada.

Mas ainda guardo segredos,
que me salvam,
da revelação.

Estou só de passagem,
vou pegar água fresca
e seguir...!

Reginaldo

"ÍCARO"

Imagem
Deponho as asas..........,

..............suponho o pouso......,

                             ..........me ponho em sonho.......!






                                                                                                                                         Reginaldo

"CHEIRO DE CAFÉ E VIDA"

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Tem cheiro de candeia fumegando,
um cheiro ardido de doer os olhos,
levanto olhar sobre o distante,
é lá na casinha do terreiro,
de onde vem o tal cheiro.

Ainda meio tonto,
não refeito por inteiro,
vou caminhando,
cabelos espatifados,
o rosto amarrotado
da noite de sono bom.

Outro aroma invade as narinas,
ao aproximar do fogão a lenha,
então lavo o rosto na bica,
os olhos se aguçam e o
aroma de café fresco me abraça.

Rosca,broa de milho,
bolão de fubá,
leite da mimosa fervido,
mesa posta
e o sol sentado a me esperar.

Amanhece na roça,
o dia sempre apressado toma seu café
e segue agitado pra não perder a hora,
o vento sopra sem rumo,
as flores ainda orvalhadas se secam ao sol da manha,
vou despertando aos goles de café com leite.

Os passarinhos fazem algazarras,
alaridos e sons diversos,
as galinhas,os bichos soltos,
os gatos e cachorros correndo,
a vida enfim desperta.

Sigo pra lida,pra luta,
com a essência do simples,
sem grandeza no sonho,
aqui tenho tudo que preciso,
água corrente…

"SILHUETA"

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Era tarde,chovia muito,
as águas bravias passavam ligeiras,
levando aos trancos meu barco de papel!

Era tarde pra ver o céu
coberto de nuvens negras,
e os olhos eram chão!

Era tarde,quando ela veio do desespero,
toda molhada e escorrida,
buscar guarida em meus braços.

Era tarde e o sono boêmio,
ainda na saideira,
era cedo pra dormir!

Mas...embora tarde,era tempo
de sobra no tardar da madrugada,
para amar...!

Da chuva,só se ouvia a musica,
do silêncio os sussurros ladinos,
era um entrelaçar de pernas...Nunca tarde!

A silhueta hipnotizava os sentidos,
incólume aceitava as carícias
era pura sedução.

Então lá pelas tantas,
o ápice na porta do paraíso,
um trovão mais raivoso...

Os olhos só captaram a luz
do estampido,depois o quarto vazio
e a solidão morrendo de sono!





Reginaldo

"LIQUEFEITO"

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Um vento,
uma brisa,
alma em elevação!

Um sopro,
uma gota,
Evaporação!

Desejo
flerte,
Sublimação!

Sou Eva,
sou amor
renascimento e purificação!

Sou destino,
sonho,
neblina e dissipação!

Sou relva fina da manha,
sou orvalho úmido,
que vai indo embora...

Ao sabor do tempo
ao prazer das horas
sem precipitação!


Reginaldo

"O LIVRAMENTO DE JOÃO NINGUÉM"

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Indica o desvelar da retórica,
ludibriando o lirismo,
em rimas ensopadas de dor,
onde a prosa não encontra palavras!

Nos rabiscos que se seguem,
nota-se o trajeto acidental,
de caminhos mal traçados,
sem beleza...
marginal!

O enredo das páginas cheias,
escritos de um viver,
vai revelando as minúcias
de um fragmentado ser.

Atravessa a grande alameda,
sempre cercado de sombras,
sobras e escuridão,
só tem a si e mais nada!

História triste,sem Happy And,
não lhe fartou a sorte,
assim no fim da tarde foi como veio,
abraçado com a morte!

Aqui não teve espaço,
nem carinho,nem abraço quente,
por ser invisível,Joãozinho,
foi só indigente.

Descansa das agruras,das desgraças,
é mais um exemplo do desprezo,
que a seleção impôs,
uma cruz,uma cova e o livro se fechou!

O banco da praça vazio,
agora só na memória,
seu inquilino mais nobre...
Agora é livro de História.

Reginaldo

"AS MARGENS DO ENCANTAMENTO"

O peixe soube-se rede,
quando se viu fora d`água,
perdido entre pernas e escamas.

Perdeu-se na heresia,
ao perceber sobre areia,
uma canção doce sereia.

Fez-se homem,
para domar a bela
sob a colcha de mar.

O tempo se faz vento
brisa encantamento,
maresia e relento.

Onde o homem soube-se refém
dos encantos,
virou sonho no sono dela.

Adormeceu a margem,
do mar,quando só queria Amar,
na calmaria.

Jose Reginaldo Da Silva da Silva

"PERCEPÇÃO"

Por ter a alma inquieta,
as mãos nervosas,
uma ânsia louca
de falar dos meus silêncios,
quis estar em versos
inversos ao claro do dia,
em rascunhos tortos,
pensos de pensar latente,
ardência de espirito,
que flutua em asas de mariposas,
no lume inebriante da lua cheia,
engolidos de escuridão,
neblina densa,
amanhecer úmido,
olhos de buscar lá dentro,
o que falta cá fora.
Noites distintas,
dias que se diferem,
cores em cinza,
tons negros de azuis,
no fim,papel e caneta,
vela acesa e luz,
outra vez me reverto em demasia,
em versos doces ,colhidos
nos canteiros da poesia.
Graças a Deus!

Jose Reginaldo da Silva

"LEVEZA"

Contra os fartos fardos...Fada,
contra todos os azares...Asas,
contra os pesadelos...Sonhos.

Para toda escuridão dos claros dias...
O som do silencio
e a luz da poesia.

Jose Reginaldo Da Silva da Silva

"CONTATAÇÃO"

Viajo...
Quando o sol vaga solitário
na imensidão do teu buscar azul,
tentando ouvir o silencio da tarde.

Percebo...Aqui dentro,
no meu mundo
invade o peito,
uma névoa densa,incomum!

Aí...
Não tem jeito,
é meu defeito
voar no céu do teu pensar.

Enfim...
Sereno me vejo pousado,
nos galhos do teu silêncio,
no vermelho dos teus olhos
cansados de chorar o azul do mar!

Jose Reginaldo Da Silva da Silva

"AH! O AMOR!"

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É um chamado,um clamor!
Um pedido de atenção,
uma chama que arde.

É uma dor invisível,
não plausível,
sentida á flor da pele.

É uma flor em bulbo,
que pelo deboche do tempo,
pode não desabrochar.

É uma semeadura,
por vezes em desertos inóspitos
de areias e securas.

Pode ser tanta coisa,
que minha percepção não capta,
sentido nas entrelinhas.

No fragmentar dos dias,
no quebrar das louças,
no soprar do vento!

Pode ser pedra dura,
água corrente sedenta,
poeira de incomodar os olhos!

Ou só Amor!

"PODE SER BELO"

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Por ser chuva,
densa nevoa,
úmido olhar...

O amanhecer pode ser,
sem querer,
de encantar.

nasce antes do sol,
abre alas ,
arrebol.

Abraça o dia que chega,
aconchega nos braços dela.

Desperta devagarinho,
depois do cinza,tão bela.

Por entre o mato penumbrado,
onde o verde é renegado...A Vida!

Que vem pulsante,intrépida euforia,
arauto de boas novas,liquida Poesia!


Jose Reginaldo

"SOB AS BENÇÃOS DE ESCORPIÃO"

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Hoje tem festa,
abre-se uma fresta,
nas arestas do tempo,
é o ritual de passagem
onde fecha-se um ciclo!

Nota-se no horizonte,
resquícios de mistérios,
vai dissipando o inferno astral,
algo similar no ar convida
para voar sobre os abismos
no vão do rito do escorpião.

Todo veneno e tirania,
que ao vento se jogaria,
é a poção dos teus internos conflitos,
onde guarda pra si a rebeldia,
onde Destila,decanta...

Desnuda-se e encanta de repente a todos!
Com lirismo e poesia.

Reginaldo


Com imenso carinho
para aniversariante TaniaContreiras Arteterapeuta

"ARREMATE"

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Finalizando o esboço,
meio anjo,meio tosco,
no transmutar das horas,
as sombras me apavoram.

Vejo no arco do silêncio,
os murmúrios do meu ego,
são meus os gritos em vão,
os pego e não os nego.

Sigo a trilha da solidão
cercado de luz efêmera,
traço um risco em reta oposta,
rabisco entre impressões.

Nada tento esconder
nesta obra inacabada,
é só sensação de vazio,
ilusão e assinatura.

Rascunho de próprio punho,
onde sofrer evidencia,
viver é circunstância
e morrer é profecia!

Que não se cumpra
já que felicidade não se deu,
morrer fica adiado,
enquanto bater este peito meu.

Pulsa...pula a pausa,
morrer não está no plano,
onde viver é a causa.
sigo causando!


Reginaldo

"FONTE DAS TORMENTAS"

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O poema é água parada,
é o tempo onde sopram palavras,
passado,futuro e presente.

É brisa que não se sabe vento,
é pássaro pousado,dormente.

Não se ouve o ruído...Se sente!


Reginaldo

"CONTO DE FARDOS"

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Cinderela,saiu correndo,
da fome,do frio e da rua,
foi se despindo do que a cobria,
chegando a ficar nua.

Cinderela é uma incógnita,
um misto de muitos nós,
que entre a hipocrisia geral,
abandonada esta só.

Cinderela fugiu,antes da meia noite,
deixando pra traz resquícios de adeus espalhado,
não espera que a encontre pra este mundo,
mais um príncipe encantado.

Cinderela saiu do mundo cruel e real,
escondeu-se na névoa do amanhecer,
cansou de ser fantasia
resolveu acontecer.

Pobre da Cinderela,
perdeu o encanto da história,
perdeu até o sapato velho
amigo de trajetória.

Esperava aqui um final feliz,
como na historia alarmada,
perdeu a esperança...
Não acredita em contos de fadas!


Reginaldo

"EXERCÍCIO DE PARTIDA"

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O sol não veio,dormiu até mais tarde,
o trem que traria o destino atrasou,
somente a penumbra da despedida
apresentou a passagem.

Mas...
tenho os pés plantados,
mesmo de malas prontas ,
louco pra sair daqui,
vou indo ficando!

Tenho raízes e razões para ficar,
o corpo que vá...Não é meu,
é pó...
É terra!

Meus reflexos e reflexões,
são ramagens de uma vida,
minha essência é arvore
que cresceu á sombra.

Fico a espera do lenhador,
aqui perto da encosta,
saudoso entre os troncos tombados,
que se foram com o tempo.

Espero sem querer,
mas quero esperar
que o trem do ceifador
descarrile a poucos metros de mim!

Que eu tenho tempo pra ver,
meus galhos habitados,
meus frutos colhidos,
meu dependentes alimentados,
que eu tenha o que foi negado aos troncos tombados!


Reginaldo

"DÊS-ALAR"

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Abrir a gaiola que aprisiona a alma,
livrar-se do fardo das penas,
descerrar asas e caminhar livre...

No caminho dos sonhos,
nas veredas floridas,
nas vias de fato.

Encontrar o rumo do horizonte,
onde brote a semente redentora da vida,
onde seja do amor a fonte.

Seguir por ela a pé,
desnudo das maculas do voo cego,
tateando passos firmes de quem sabe o que quer.

Seguir,seguir e conseguir!

Reginaldo
Imagem inspiradora de Leila Angelina Zanardi