quinta-feira, 7 de julho de 2016

GUERRA E PAZ



Amor desalmado, armado,
Impondo-me o bélico
Feria meu peito, apunhalado
Ao seu jeito maquiavélico.

Travava nos confins
O intento de batalha,
Este amor cortava em mim
Qual lâmina de navalha.

Sangrava qual rio ao entardecer,
Aonde o sol vinha lavar-se
Antes do adormecer... Meu coração.

Quando os sonhos são fantasia
Toda guerra é utopia
E o amor dor e ilusão.


Jose Regi

domingo, 3 de abril de 2016

DESERTIFICAÇÃO




Há nas densas matas de mim
Criaturas que me assombram
Águas mortas sussurrando
Nas horas que me assolam

Nos meus rios correm pedras, paus e pó  
Nas arvores dos meus cílios
Penduram-se samambaias e parasitas
Enroladas nos cipós

Pontes que emergem do chão
Fazem elo nas entrelinhas
Buscam alguma forma de versar
Um sinal, uma conexão.

Enquanto o corpo deserto
Vai se esvaindo ao vento
A alma planta floresta
Ante ao desolamento

Nos meus rios correm pedras,
Ao Céu aberto me recolho
Toda água do meu rio

Trago no recanto do olho.


Jose Regi

sábado, 2 de abril de 2016

Das minhas crenças



A Poesia é um grito silencioso
Cheio de conflitos,
O poeta tem a boca
Que fala nas mãos

Imaculado

Não tem tatuagens
Em seu corpo matriz,
Mas carrega na alma
Alguma cicatriz

Marcas, quem não as tem?

Uma pagina em branco
O poeta é só fachada,
É uma pintura rasurada,
Sem assinatura

Um sinal

Esta que vai ao rodapé da obra,
Ali não tem rima, nem prosa,
Um tanto de utopia,
Disfarçada em poesia.

Um ponto final

A ultima descida do pincel
Faz emergir dos recônditos
Mutações em cores
Agradáveis de ver...

Então nas letras ele se encontra.


Jose Regi




quarta-feira, 30 de março de 2016

Saudade de ontem






Eram ruas de pedras
Tardes sem sol
Chuva ao longe
Enquanto ardia
Em ti o desejo de sair

A noite vinha de banho tomado
Beijar-lhe na janela
Onde folheava sutil
As doçuras de Drummond

O mundo reduziu-se
A um olhar perdido
No escuro
Que a lua colheu

Olhando lá de cima
Aquela menina, a lua,
Da janela de vidro
Fugia sua alma pro meio da rua...

Eram ruas de pedras.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Solidão lunar


A noite acende a lua que ilumina as trevas
As estrelas se enveredam pelo veludo negro
A escuridão então dá tréguas
Ante a claridade a que me entrego
Vagalumeio sem rumo contra os meus medos
A luminescência revela o caminho
Que aos olhos eram segredos
E aos pés desnorteio e espinhos
Já corri tantos janeiros fugindo da escuridão
Que até meu peito arde
Quando a lua toca o chão
Talvez a lua tenha lá sua razão,
Pra se vestir com tanto brilho
Sofre ela e Eu o mesmo mal da solidão.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Mascara de ferro





O palhaço chora sorrindo,
No mar dos teus olhos, temporais
Há um diluvio incontido sobre o deserto
De onde arranca risos abissais

Haverá sempre o consolo das palmas
Aliciando sua graça desajeitada,
Palpando suave o rincão de sua alma
Que se vê erma e desabitada

Do picadeiro sob as luzes foge
Rápido para seu muquifo
Libertando-se da pintura

Comum à plateia se mistura
Sem riso no rosto,
Palhaço é concerto sem partitura.



Jose Regi

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Soprando Brasa



Eis que semeias
Um jardim imaginário amiúde,
Cíclico despetalar folhas secas
Ao vento de levar pra ontem

Renasce
Num mar de ondas vãs
Onde há sempre um vão
A invadir ondas novas

Ante a histeria balburdiante
De frases sem nenhuma cor
Uma prece apetece
O silêncio multicolorido

Sopra a centelha,
A vida é um flerte eterno e fugaz,
Como os fogos agora cinza
Da noite passada

Que ainda arde!


Jose Regi

Bilhete de Ida

Quando o relógio para, A vida não ousa passos sem tempo. O vento sopra a vela que alumia A escuridão das veredas Adentro...