sexta-feira, 14 de março de 2014

"ACORDES DAS CALÇADAS"





Indigente, aos olhos indiferentes
da grande maioria cega,alienada,
sem o menor sentido.
Não escuta o som das ruas,
o barulho da selva de pedra.

Ouve eco do que não me diz nada,
dedilha com os pés a canção dos passos,
declama musica na caminhada,
faz vibrar as cordas do seu destino,
buscando a vida em rodas e calçadas!

Louco sem juízo final,
não precisa de julgamento,
a vida sem parada,sem fixar moradia,
toda essa labuta,essa covardia,
não lhe tirou da alma a poesia,
esta é tua sentença!

Segue desembrutecendo vidas duras,
amolecendo as pedras do caminho,
colhendo rosas no canteiro de cactos,
fazendo brotar encantamentos
na cegueira opaca sem brilho,
ao som do seu instrumento.

Tens apenas o dia pra seguir só,
estradas de pó,comendo o que lhe dão os passarinhos,
indiferente,imune,não desiste,
insiste em dizer palavras doces ao vento,
a fim de adoçar o sopro que a vida é.

As praças o acolhe,os bancos 
são os braços que lhe acarinham,
as arvores lhe trazem as sombras,
o céu é seu telhado,sua única cobertura,
a noite seu acalento até que o dia desponte.

Enfim,lá no fim de tudo,
tudo que precisa estava com ele,
a mais pura essência!
Que espalha ao pisar nas calçadas nuas,
receptivas ruas,
acolhedores dias.

Indigente pra muita gente,
mas nunca deixou de ser ele,
jamais silenciou a musica dos passos,
nem calou tua poesia!  


Reginaldo

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