segunda-feira, 2 de junho de 2014

"SEM PALAVRAS"




NEM UMA SOMBRA DO QUE DIZER,
DAS OPERAS SILENCIOSAS E DESARMÔNICAS,
QUE A NOITE ME FAZ ESCUTAR.

PULO NO BAIXO VENTRE DO MEU ABISMAR,
ESCONDO DOS MEUS FANTASMAS,
RASPO MINHA CABEÇA COMO DISFARCE,
NÃO BASTA,
TENHO MEDO ESTAMPADO NA FACE.

ENTÃO CORRO,
AOS VOOS RECORRO,
FLUTUO COMO PLUMA NO VENTO,
REINVENTO A CORAGEM E AFRONTO,
NOS MEUS SONHOS ,
OS DEMÔNIOS.

AO MEU SOCORRO SÓ ANJOS CAÍDOS,
NEM UMA SOMBRA DO QUE DIZER,
FUI TRAÍDO.

PEÇO ENTÃO O DESPERTAR DESTE DELÍRIO,
ABRO OS OLHOS AINDA NUBLADOS,
NEM UM FIO DE AZUL.

SEGUE O MARTÍRIO,
O SOL SEM BRILHO DA NOITE,
NÃO AQUECE ,
NEM AO MENOS TRAZ A LUA
DE MEL PRA MINHA CAMA.

O SOM QUE BATE AO OUVIDO,
NÃO É DO GOZO,
DO GEMIDO DELA NO AUGE DO CLÍMAX,
É MINHA SOLIDÃO VELADA,
PELA PRESENÇA AUSENTE.

NESTA ALCOVA FALTA SEU CALOR,
SEU CORPO SUADO,
SUA TARA,
TODA SUA NUDEZ,
E ATÉ MESMO UM POUCO DE AMOR.

FAZ FRIO NO MEU QUARTO,
INTENSO E GÉLIDO,
CARENTE ME PEGO NOS BRAÇOS DO SONO,
ESQUEÇO DO MEDO
E DURMO GRUDADO EM MINHAS FANTASIAS.



Reginaldo

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