terça-feira, 16 de junho de 2015

"MIGRADOR"




O velho Poeta,
escreve o que não lhe cabe,
esparrama como rama de trepadeira,
alastra com o lastro da poesia.

Assim abrange e tange olhares sensíveis,
invade a janela da alma dos passantes,
quebra o vidro embaçado da dureza,
inunda o deserto estio,
enche os vazios com seu feitio!

Ele percebe no olhar triste
um jardim que não brotou,
uma flor murcha sem tempo
sem exalar seu odor,
sem enfeitiçar os olhos,
úmidos de orvalho.

Mais uma folha seca no vento,
de um outono frio,sem calor,
todo olhar triste,
oculta uma gargalhada em gaiola,
pássaro sem asa,
sem céu ,sem voo!

A boca quieta não teme,
o grito que não deu,
sabe do eco,
espera o momento
de romper as mordaças,
e no centro da praça,
sem fazer fumaça,
incendia os sentidos.

Afugenta o gélido silêncio,
declama vida aos ávidos
ouvidos dos comandados,
institui uma nova estação...

O velho Poeta,
consegue outra vez
florir os olhos opacos,
com versos primaveris,
decreta fim de inverno,
do inferno sentido na pele,
libertar o voo do bando...


Reginaldo

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