quinta-feira, 28 de maio de 2015

"VIRANDO A PÁGINA"



Os olhos sondam em frestas,
voltando anestesiado
dos campos inconscientes do sonho,
ainda insone...

Analisa o real,aturdidos
por uma sinestesia confusa,
passa a mão pelo rosto,
buscando ordenar a bagunça.

Percebe o amanhecido,
pelo vitro molhado de orvalho,
que quebra a luz do sol,
invadi o quarto um arco-iris!

Se coloca de pé,
se despe do nu
e se veste de cores
vai tomar o café...

Todos já se foram pra correria,
sobrou Ele
e sua solidão amistosa,
mais quatro cadeiras vazias.

A vida lhe faz eco,
no vale fundo dos dias,
mergulha pra fora do silêncio,
abraça tua agonia.

Escorre como se fora água de rio,
serpenteando as pedras do caminho,
tateando cauteloso as margens,
sabedor de seu destino.

Mas ainda assim vai,
buscar o abraço inevitável,
o acalento do ultimo olhar
sobre o inefável.

Ainda resta hoje pra viver,
a arte de correr o risco,
o rascunho,o esboço,
de uma obra sem assinatura...Inacabada!

Reginaldo

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