terça-feira, 30 de junho de 2015

"Dualidades"



Sou duas faces de uma mesma moeda,
duas farsas de uma verdade,
duas margens de um mesmo rio.

Escorro por entre duas vias,
num somatório da via-cruscis
dentre duas possibilidades que a vida oferece!

Entre amores e odios,
guerra e paz,claro e ofusco,
habito!

Sou homem menino,
pai e filho do meu
próprio destino!

Que no pluralismo das coisas,
singularizo meu tempo
nos meus paradoxos.

Viver ou morrer?
Viver pra morrer!
Qual é a graça de ser?

Entre duvidas e incertezas
vou costurando a sorte
com minhas dualidades...
De braço dado com a Morte!

Ela é o só mais um lado oposto,
fazendo eco em meu viver
nos meus fundos de poço!

Reginaldo

segunda-feira, 29 de junho de 2015

"O MENINO DEUS DO TROVÃO"



Nunca foi flor que se cheira,
nem templo antes profanado,
tinha mascaras de mundo,
Tentava e era tentado!

Era um jardim de avessos,
laços diversos tramados,
seus contrários assumia...
Um quebra-cabeça desmontado.

Que por vezes atraia,
sutilezas e o que fosse...
Se disfarçava as vezes de homem,
pra atrair o beija-flor!

Queria roubar o segredo do voo,
da leveza do flutuar,
pairar sobre as margaridas,
tua humanidade burlar...

Ser oásis no deserto seco,
de incertezas e versos,
romper a rima com prosa
e soltar-se no vento.

Ser o menino da pipa,
com o controle da linha,
colorir o azul do céu
com ingenuidade de um deus!

De um deus menino pequeno,
nos raios e trovões dos dias
que tramasse em pensamento,
ser a própria poesia!

Reginaldo





"PLATÔNICO"



A noite cai em silêncio,
despenca sobre mim
uma angustia infinda...

Solidão se mostra na escuridão,
clara e latente,
como a lua cheia que passeia lá fora!

Espreita pelos olhos das fendas,
o claro do corpo,
o lume da alma!

Estreita percepção da beleza,
das curvas tentadoras,
do cio carnal!

Desvai-se os olhares embrenhados de volúpia,
nas frestas entre abertas,
pelo desejo utópico!

Desfaz-se das mascaras,
o quebra-cabeça interminável,
ainda por montar uma história!

Minha vida sonda ao longe,
minhas mãos não conseguem tocar,
meu desejo arde por não te amar!

Só em imaginar a possibilidade
de não existir!

Reginaldo

"Sob o bico da pena"



As palavras são como nós,
as vezes alarde,gritos,balburdia,
noutras se escondem,fogem,
refugiadas no silêncio.

Elas tem personalidades
tão difíceis quanto a incerteza dos dias,
quando chove,molha,
mas quando não, seca!

Palavras as vezes são como deserto
incubando o enquanto de um oásis!

Jose Regi Poesia

"COLECIONADOR DE LEMBRANÇAS"



Que não espante os teus olhos,
ao me ver entre os anciões,
ali na praça sem graça e mascaras,
ouvindo histórias pretéritas!

A praça é um palco de memórias,
onde o velho ainda moço,
se veste da criança que não o abandona,
para lembrar saudoso do colo de mãe!

Pois sabe-se que uma vela apagada,
é só uma vela e mais nada,
na escuridão de um existir vão,
Ela precisa da chama pra ser em plenitude!

Vou ouvindo atento aos lamentos,
que úmidos caem sobre o tabuleiro de Dama,
neste jogo de xadrez com o passado,
antes do xeque

Hoje eles,os anciões,só tem suas lembranças
e os jogos de matar o tempo,
falam a esmo aos passantes apressados,
porque um dia será outro o orador!

"O tempo não para..."!

Jose Regi Poesia


"Precipitar"


As palavras despencam,
descem abaixo dos pés...Buraco!

As vezes é assim,
sem sentido se escondem,
buscando luz na escuridão...Em vão!

Sem o aval dos olhos,
elas,as palavras,
são meros sopros mudos...

Ecos de silêncio profundo!


Jose Regi Poesia

terça-feira, 23 de junho de 2015

"IN-CONFIDENTES"



Escrevo,
porque não me cabe o silêncio,
E moinho de vento parado é falta...

Tenho abastado dentro dos olhos temporais,
vez por outra varrem folhas  secas do chão...

Escrevo porque a boca se cala,
quando grita os olhos
e as mãos conseguem tocar a sensibilidade.

Escrevo por que a oratória me foge,
e o papel é leito manso e confidente,
e não espalha meus absurdos!

Reginaldo

"REABITAR"



Abissal,absolto,pênsil,solto,
pássaro ermo,
deserto imerso,voo torto...

Misto de sanidade,
na vastidão de um corpo...
Louco!

Não encontrou a paz,
onde guerra se faz
nos ponteiros da horas!

Encontrou consigo,
a beira do abismo,
ansioso de fim.

Vestiu-se de asas,
sabendo do chão
e pulou...

Voou sobre os vales,
sobre as incertezas,
plainou sobre as águas.

observou as cascatas,
os jardins primaveris,
as flores de estação.

o trem cortando a colina,
voou,voou,além dos olhos,
buscou ficar longe tão perto de tudo!

Pois o abismo era seu próprio peito,
ignorar seus preceitos
pra viver futilidades.

Entrou então por traz dos olhos,
em turbulento voou interior,
se assustou com as erosões...

Com os buracos,
com os ecos
e os vazios de si.

Pousou perto da encosta,
resolveu habitar seu deserto,
semear e renascer...

Reginaldo

segunda-feira, 22 de junho de 2015

"OLHOS FECHADOS"




O Poeta não olha a lua...
Ele a traz em si,
com a utopia da claridade!

Desfaz-se das gaiolas,
nem liberta os passarinhos,
sabendo-o,
próprio voo fora das asas!

O Poeta incendeia o seu entorno,
com calor dos teus silêncios,
Percebe-se nas minúcias,
Do tempo e no espaço.

O Poeta está preso a seus limites,
Cercado de finitudes,
enquanto saboreia a eternidade
de uma existência fugaz!

Seus jardins são desertos,
de voos e cores,um mundo fantasioso,
onde cultiva trovões e barulhos mudos!

O Poeta é um dissimulado,
um Ator-mentado fora do palco da realidade,
que vive de olhos fechados...

A procura da poesia!

Reginaldo

"Sobre Ontem..."




É humano...
por ser finito esta ansiedade e pressa...

queremos tudo pra ontem,
o imediatismo atropela
o saborear dos mementos...

as vezes ficamos
só com o amargo do tempo...

Perdido!

Reginaldo

"CAÇADOR DE ILUSÕES"





Tenho vícios,
vida violada,
vertigens,
ânsias de vômito...

Náuseas ,nojo,
um pó no estojo,
liberdade vendida barato,
no camelô da esquina...

comprei a passagem...
embarquei,
canoa furada...
afundei!

Busco ainda sair da lama,
um mantra de libertação,
sair da sacra profanação...

longe do tapa,do beck,da maresia,
cansei das ondas quebrando...
do mar bravio...

Hoje só calmaria...

Reginaldo

"ESCURO"







Não tenho medo do que não vejo,
do que sinto e prevejo,
percebo,noto,rastejo,
sozinho ou em cortejo...

estou sempre só!
nesta solidão desencano,
abraço-me, aqueço-me,
sinto-me protejido,
pelo que me é essencial ...

minha Paz de espirito!
escrevo no branco do dia
no diário rasurado,
as mazelas do cotidiano,
vou como manso regato,
desviando das pedras...

ao encontro do mar!
sereno,calmo,
desso o rochedo dos olhos,
adentro veredas afins,
margeadas de flores,
da solidão do meu Eu...

avanço!
vou semeando meu caminho,
colho estradas de chão,
jornadas e abismos meus,
não fujo,nem corro,
não peço socorro,
nem morro antes da hora...

no escuro...apenas sussurro!

Reginaldo

quarta-feira, 17 de junho de 2015

"AINDA É CEDO..."



Veio o tempo lhe trazer chuva,
lhe ofertar alivio,
molhar-lhe a secura,
re-alizar as rugas.

Para leva-lo lúcido ao fim!
Mal sabia ele(o tempo),
que assim fazendo,
reviçava-o,
desobstruía a seiva...

Re-nato!
Refolhava a copa,
possibilitava o florir,
o esparramar no vento
a semente...

Mal sabia (o tempo),
cheio de finitude,
que sua atitude,
o renasceria para eternizar...

Tronco,
Arraigado nos caprichos,
de fungos e parasitas,
onde as epífitas,
exuberam beleza...

Mal sabia(O Tempo)...
Seu maior aliado!

Reginaldo

terça-feira, 16 de junho de 2015

"MIGRADOR"




O velho Poeta,
escreve o que não lhe cabe,
esparrama como rama de trepadeira,
alastra com o lastro da poesia.

Assim abrange e tange olhares sensíveis,
invade a janela da alma dos passantes,
quebra o vidro embaçado da dureza,
inunda o deserto estio,
enche os vazios com seu feitio!

Ele percebe no olhar triste
um jardim que não brotou,
uma flor murcha sem tempo
sem exalar seu odor,
sem enfeitiçar os olhos,
úmidos de orvalho.

Mais uma folha seca no vento,
de um outono frio,sem calor,
todo olhar triste,
oculta uma gargalhada em gaiola,
pássaro sem asa,
sem céu ,sem voo!

A boca quieta não teme,
o grito que não deu,
sabe do eco,
espera o momento
de romper as mordaças,
e no centro da praça,
sem fazer fumaça,
incendia os sentidos.

Afugenta o gélido silêncio,
declama vida aos ávidos
ouvidos dos comandados,
institui uma nova estação...

O velho Poeta,
consegue outra vez
florir os olhos opacos,
com versos primaveris,
decreta fim de inverno,
do inferno sentido na pele,
libertar o voo do bando...


Reginaldo

segunda-feira, 15 de junho de 2015

"SOBRE MOINHOS DE VENTO"


A vida folheia com sopro,
a bela lenda de Cervantes,
uma insana loucura,
sobre o cavalo uma intrigante figura...

Quixote,
vaga na saga das fadas,
historias e contos,
feitiços e lendas
de cavaleiros e damas.

Era uma vez,
sempre um fim,
nada feliz!

Lendas de sendas,
de lutas brutais,
sacrifícios em nome do amor!

Sabe-se que tudo é loucura,
engôdo,placebo.
a poção do amor é amar...
amar,amar e amar!

Sempre haverá espaço,
lugar e um canto,
no cantinho de algum conto...

Uma fada ,uma princesa,
um cavalo e seu dono,
e as desventuras do amor...

Para aventurar!



Reginaldo




"QUADRADO"

Gritava silêncios,
ninguém ouvia,
todos surdos
se percebia.

Será que o Amor morreu?
Mas quem velou?
Deu cabo do seu corpo,
ocultou está verdade
e não me avisou?

Então escrevo mentiras,
nas bordas do meu diário?

Passando por otário!

Que me importa!
vou seguir minha utopia,
acreditando em demasia
na eternidade do Amor!

Escreverei poesia,
em memória póstuma,
pra quem quiser lê,
mesmo que soe Démodé.

Reginaldo

"Sozinho"



Hoje ele não vem,
foi visitar outro alguém
que sente falta
também...

Quando ela não está,
o tempo demora a passa,
até ela voltar...

amenizar meus dilemas
reverter os meus avessos
em reversos e versos...
Em poemas!

'VER ALÉM..."

Para os olhos do Poeta..
O tempo é a caneta
a escrever teus rascunhos,
a pintar-lhe de branco os cabelos...

Dobrar de cansado a pele...

Para os olhos do poeta
o inefável é a meta...
A curva faz reta
e ele se presta aos caprichos do tempo.

Para os olhos do Poeta...
O vida é vento,fugaz,
Pensamento,
e vive-la é o ápice
do contentamento!

Reginaldo

"ENCANTO MARCADO"





Noite fria,
uma mesa de bar,
um copo e uma cadeira vazia!

Ela não veio de novo...
Um,dois,três conhaques,
quem sabe?

E a porta se abre no tempo
onde os olhos voam pra fora,
colher a claridade no vento!

A Alma se apequena em silêncio,
se desfaz das mascaras,
pra se por nua...

O Poeta bebi doses de lua,
na solitude da rua se recria,
lacunas de seus vazios.

Sacia sua sede de ser,
normal é sua insanidade,
some nas sombras sem ninguém ver.

A Noite fria,
agora está escura
o poeta bebeu a ultima gota da lua!

Restam garrafas,
uma mesa de bar
e duas cadeiras vazias...

O Boêmio abstêmio,
embriagado com solidão,
foi dormir com a lua dentro de si!

Reginaldo

"O X DA QUESTÃO"


O amor...

É a soma de muitas perdas,
para multiplicação aos ganhos,
numa divisão de sentir...

Uma incógnita teoremada,
irresolúvel...

Se não pela pessoa amada!

Reginaldo

"SURDEZ"


A Vida se faz de silêncios,
ecos e vazios...

De lacunas,
fendas e frestas...

De profundezas,
abismos e Fundos...

De sopros,
temporais e ventanias...

A Vida é um jardim no tempo,
onde as flores despetalam...

E Viver é uma passagem efêmera,
tão fugaz quando pôr do sol.

Que vai se pondo,
aos olhos incrédulos dos insensíveis...

Viver em vão
é estar morto a vida toda...
Inutilmente !

Sabio é quem morre
por viver seus vazios...
Intensamente!

Reginaldo

"LONGE DAS LUZES A CANÇÃO É MUDA"



Meu violão cansado,
não toca mais teu coração,
minhas cordas vocais,
já não vibram na canção...

O toque dos dedos,
sempre tão sutis,
perderam a leveza,
e a suavidade...

O vento ainda insiste,
incide sobre as cordas...
mudas,
não falam do meu amor.

Meu violão cansado,
ficou cego,surdo,
no tempo da canção.

Agora curte o silêncio,
no canto,sem canto
e o encanto das cordas...

Uma caixa sem alma,
fazendo morada pro silencio,
sem ressonância!

Reginaldo

sexta-feira, 12 de junho de 2015

"FLORES DIVERSAS"



Hoje resolvi regar algumas flores,
sou jardineiro zeloso embora distraído,
meu jardim cultivo no peito,
esse não tem cerca e nem jeito!

Aparece cada lindeza...
Cada dia é uma surpresa!
Abri minha janela do tempo,
Avistei o azul singular no pé de Zuila,flor de Pereira,
tinha Brunas,Laryssas,Adrianas junto a relva matinal.
Valérias no canteiro de azaléias,
Tanias entre os cravos vermelhos,
Ledas.Luanas e Lenka pendurada nas avencas.

Entre as margaridas
se escondem tantas belezas
que não passam despercebidas,
Maria,Lucia,Letícias exalam teus perfumes.
Entre os pequenos seixos,
destaco as calêndulas
sutis de Adri Aleixo.

Sigo regando,
meu Deus como é grande este jardim!
Vai se alargando pra longe de mim...
Acho que não vou dar conta...
Peço pra chuva regar as flores que esqueci!

Ainda tem no canto esquerdo do canteiro,
Suly flor pequena,Adriana a Lagarta,
tecendo seda,em cores vivas
voos de borboletas da Chris,
Perto dos pomares,Juciara Soares,
Joelma na beira do rio,Janet Flor de JIZ...

Julianas,Rosa Lilás,Rosa Amarela,
se espalham pelo campo verde,
harmonizando o baldio,
Faz eco tanta beleza...

Minhas Patricias sempre alegres,
resistentes não despetalam,
mantendo o viço do bem me quer...

Anas,Biancas de todas as cores,
Cely,Lirias,Helenas,Claudias
Carmens,Silvanas...se alastram...

Se entrelaçam nas Leilas,
Carlas,Zelias,Cassias,Ritas,
Sem regras e Normas,
simplesmente se abraçam!

Vasculho perto das sombras,
Brotou Paroca,Kiria,Sandra,
Bia,Elke,Regina,nossa quanta vida!

Perto do paredão,do rochedo,
Aquela escuridão de dar medo,
Uma fenda me Traz,
uma flor de encanto rara...
Dri Ferraz!

Gernina Germana,Fora da Quaresma,
Julia,Lazara,Daniela,Marianas,
Lucimara,Fabianas,Neuzas,Jaquelines,
Como se fora alma e arte...
Se mostra bela Cai duarte!

Yara,Ceci,e todos os deuses,
se mostram aqui,
o vento leva meu choro
pra regar quem esqueci,
Sou um só a cuidar deste jardim...

Perfeito são estas flores,
amigas pra o sem fim,
eu sigo distraído, regando
aqui e ali.

Mas carinho e amor ,
este jardineiro,
tá com o regador cheio...

Reginaldo
"Ler é estar em sintonia 
com mundos imaginários.
É desfrutar de sensações,
de situações realmente pouco tangíveis...
Ler é viajar as cegas 
pra luz que que ilumina a alma!"

Reginaldo

"TRAVESSIA"





Busco transmutar
as durezas diárias,
em salutar
e serenos voos,
pra deleite próprio.

Assim sendo,
consigo trafegar incólume
as margens descampadas,
dos meus desertos
e chegar ao oásis de um jardim.

Descansar as sombras das cores,
beber da tranquilidade dos regatos,
estocar ar nos pulmões
e ver que a vida
vale viver cada segundo.

E cada instante ofertado a mim,
é uma vitória sobre o improvável,
é um furto bom de fazer,
é um prazer...

Romper barreiras do tempo,
onde a mente é passarinho,
e o corpo seu ninho... pouso,
depois dos voos.

Reginaldo

"PONTO DE VISTA"



Sob o olhar do Poeta,
o céu é um salão de festas,
de Pássaros do fundo do mar,
de voos satisfeitos e fora das asas...

Ainda sob este olhar singular,
as estrelas são peixes luminosos,
onde o feixe de luz da lua,
na flor d'água flutua...

Aos olhos do Poeta,
todo delírio se completa,
num todo viver que lhe resta
a incompletude insana da normalidade!

Aos olhos do Poeta,
ser deus pequeno é poder a beça,
poder criar tudo lá no futuro,
sabendo-se passado de um efêmero presente!

Antes do ponto final,
aos olhos do poeta,
a vida é um poema sem lógica,
um teorema aturdido de incoerências,
com ecos,espaços e reticências...

Reginaldo

terça-feira, 9 de junho de 2015

"VOO BREVE"





Incoerente é a lógica
efêmera da eternidade sonhada,
encasulada a ninfa se maquia,
para explodir num desfile curto,
A Beleza da borboleta
não dura mais uns poucos voos!

A Rosa então,
no auge da sua plenitude,
da beleza aveludada,do perfume...
Atrai pra si os olhos do tempo,
que suga toda sua vitalidade,
impondo-lhe secura e fim...

Breve é a brisa do viço,
a perfeição é a ante sala da partida,
o ápice do entendimento,
é o final da história,o epilogo,
o arremate,o desfolhar,
do despetalar...

Do anoitecer em sono,
sem despertar!

Reginaldo






"RESISTENTE"

"



Vivo meu paralelo,
ante a instantaneidade galopante,
da tecnologia do isolamento,
do diálogo sobre tela...

Meus sentidos rumados,
ao visor colorido e artificial,
vai se perdendo na massa,
em meio a filosofia da individualização!

Mas ainda conservo o desejo,
do toque nas mãos e o beijo,
do cheiro da página,
da beleza da capa do livro!

Gosto do folhear,
da surpresa a cada virada,
da leitura fragmentada
ao meu bel prazer.

Gosto e me guardo em viagem,
sobre a sombra da arvore,da persuasão.
Gosto de deslizar os olhos até cansar,
de viver uma ilusão.

Sou um romântico,
Quadrado e nostálgico...
Graças á Deus!

Reginaldo






















quinta-feira, 4 de junho de 2015

"SEQUENCIA"




O dia amanhece perfeito,
o sol invade a vidraça,
o quarto e o leito...

Vazio seu peito se enche,
com a viva luz do dia,
o real é sonho e utopia...

O corpo se veste de alma,
se poe a caminho
no compasso da calma.

Segue o curso,desdormece,
abandona a morte da noite,
abraça a incerteza,em prece...

Passos firmes,
olhos viçantes de brilho,
o plural é singular e estio.

Simples como abrir os olhos
para agradecer a volta,
da alma a lacuna...

Anda de novo no arame,
na inconstância dos rastros,
até que a noite derrame
sobre ele o insone cansaço!

Vai marcando o passo
ao passo que vai marcado...
Ficando  no passado!

Reginaldo

"O SEGREDO DA PORTA"



Achava-se fechado para o voo,
trancado sem chave,
do lado de fora das asas...

Mirava roubar o segredo da Lua,
mas faltava-lhe o mapa,
as trilhas ocultas das andorinhas.

Queria fugir com o bando,
migrar para longe
dos seus lamentos.

Descifrou então o código,
revelado pelo sopro do vento,
ainda em tempo...

O Poeta,
tinha as portas da Lua em si,
e a chave era voar pra dentro!

Reginaldo

quarta-feira, 3 de junho de 2015

"OUTRA AVENTURA"



Amanhece...
Como num rito sagrado,
a sacerdotisa exorciza com incenso,
proteção e escapulário,
Ameniza e harmoniza a natureza da vida,
com todo seu relicário.

O Sol...
Acorda ainda cedo em meio as brumas,
o prado todo orvalhado,
a vida inicia seu ritmo frenético
onde o Azul é cor do cenário.

O dia...
Se ergue imponente e claro,
outra vez o cavaleiro monta seu cavalo,
abraça seus desafios e galopa incerto,
mudando seu destino,tramando itinerários.

O Tempo...
Apressado como um córrego,
atropela seus planos,impõe a tarde,
sem alarde a finitude,seu calvário!
A Lua despretensiosa vem cheia de luz,
ali no horizonte depois do crepúsculo diário.

Os Olhos...
Cansados pesam,
desce do cavalo,solta os arreios,
arma sua rede,espanta seus demônios,
Debaixo de um véu negro,
entregue seu corpo adormece,
enquanto segue viagem seu pensamento,
na batalha dos sonhos.Anoitece...!

Reginaldo


"LAMENTAÇÕES"


Meus olhos de ver estrelas
olham pra dentro da alma,
molham as mãos que imploram
o mar em calmaria.

Meu coração atribulado,
balança qual barco a deriva,
quebra em si ondas gigantes,
de um amor que não livra.

Preso no abismo das palavras,
ouvindo o ecos do silêncio,
concha na areia nos meus desertos,
saudade do som dos ventos.

Brisa mansa assobia
segredos inefáveis,
lonjuras,fagulhas de uma chama,
que o vento não apagou a tempo.

Sou eu uma ilha deserta,
naufrago de um pensamento,
que solto no vento voou,
virou utopia e não acontecimento.

Agora saudoso som de oceano,
numa concha deserta na areia,
pois o que não se vive,
se chora e permeia!

Reginaldo

"SOCIEDADE ANÔNIMA"



O poeta se pôs de pé,
sobre o banco da praça,
onde olhos sem graça,
espiavam de longe.

Assim se fez ouvir,
lamentos rimados,
versos tramados de sofrer,
uma dor de sentir,de ter...Compaixão!

Ajuntou pessoas ao entorno,
autoridades e policiais,
murmuravam entre si,
quem é este rapaz?

ele então percebendo o incomodo
pediu que se aproximassem,
ele então declamou solene,
sou filho das palavras,irmão das letras... Sou órfão.

Meu lar é o céu,
os pássaros são meus olhos,
a caneta é minha voz,
meus passos são ventos!

O amor é meu companheiro,
a poesia é meu refugio,
declamo pros ouvidos sensíveis,
e pra corações amargurados.

Nunca estou só,
tem sempre outros comigo,
Puxou do bolso Mario Quintana,
e bradou:

"Um dia... pronto... me acabo.
Pois seja o que tem de ser.
Morrer: que me importa?
O diabo é deixar de viver."

Colheu um naco de palmas,
pegou sua dor de cabeça
e sumiu depois da esquina!

Reginaldo



Relógio lunar


A madrugada se veste de Luto,
luta em meio a claridade da Lua,
para se ver livre das sombras...

A Lua por sua vez é provocante
e passa a desfilar seu encanto
no véu negro da noite.

Meus olhos insones,
Sondam pelas fendas
as horas marcadas.

Um tempo crivado de finitude,
cheio de momentos únicos
contidos em instante... passados.

Ela passa também sempre linda,
todas a noites cheia de luz,
só pra ver meu partir de mansinho.

Ela sabe que não sou o mesmo de ontem,
como água corrente de incerto destino,
hoje sou diferente.

Enquanto ela se desdobra
para parecer menos linda...
inutilmente.