domingo, 15 de novembro de 2015

=entre as quinquilharias =


Procurava o poema,em meio aos meus acúmulos,
isolado no quartinho dos fundos,
Eu o PC e um vazio profundo,
nesta tríade olhei para velha maquina...

objeto obsoleto,adorno de saudade,
peça de decoração,que já disse tanta coisa,
do corpo,da alma e do coração...Hoje?

Minha remington não fala mais...
já não bate seu coração nas teclas,
inventaram o silencio...

Meus dedos titubeantes,
já não mais acariciam seus
pontos e virgulas.

esquecida ao pó,
jogada num canto,emudeceu,
teu carro não toca mais a sineta!

Escrevestes tantos versos,
com a fidelidade da vela
e do copo de Whisky...

Eram versos pra Lua,
que nua sondava pela janela,
tentando ler na surdina.

Por detrás da cortina,
mal sabia ela(Lua)
que meus olhos à viam...

Passou o tempo,
modernismos exagerados
tiraram a Lua do céu...

Enfiaram na tela de um monitor,
individualizaram,isolaram,
inventaram o silêncio.

Hoje não olho pro céu À noite,
tenho tudo ao toque das mãos,
Dia,noite,céu,mar,chão,ar...

e a velha remington a me observar,
com os olhos cheios de poeira,
e a língua, vermelha e preta,Seca...

Ela nunca mais escreverá outra Poesia!


Jose Regí Poesia




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