domingo, 18 de janeiro de 2015

"SOFRÊNCIA"


Queria amar--------------------------,


o azul do mar,
o dourado das tardes,
o véu negro da noite,
o cinza da chuva,
ocre da pele,
o marrom do chão,
o lilás dos sonhos...

E o vento!

Espalhador das cores,
das flores os odores,
dos amores as cismas e temores
deixar tudo branco.

Foi heresia sonhar assim,
seria o começo do fim!

Voltei pra lenda do pote,
no sopé das sete cores,
onde as borboletas
pintavam o arco-iris.

Que sempre aparece depois
que eu choro...!


Reginaldo





sábado, 17 de janeiro de 2015

"SOB CONTROLE"


Tenha certeza...
O pouso não impede o voo,
se as mãos receptivas de céu,
não lhes negar a chave da porta.

Saibas que...
Livres podes ser ponto no azul,
águas de mar,sombra nos galhos
e vento a soprar.

Sendo assim...
Não se sinta preso
no sufoco das mãos,
mas liberto no calor
do abraço.


Voe solto,
pois o pouso é certo
no recolher de asas
no final da tarde!

Regresse...!


Reginaldo


"O PÁSSARO E A FLOR"




Pintei minha liberdade
com as cores do dia e da noite,
fiz do amanhecer orvalhado
porta aberta pro meus voos.

Minha gaiola se abre pra dentro,
lá no fundo alojei o meu ninho,
no profundo mundo"Manoel de Barros",
já fui homem,pedra e passarinho!

Estou encarcerado,
por designo de vontade,
voo preso ao jardim
que tenho perto de mim.

Pena?
Só tenho do colibri,
que mantêm agonia do voar,
beijando aqui e ali,
sem saber o que é amar!

Do seu intermitente bater de asas,
disfarçando sua dor,
Tem o carinho das rosas,
mas não tem do seu Amor!

Eu?
Hoje tenho sossego,harmonia,
selei acordo com a Paz,
desfruto das beneficies
que um pouso certeiro traz!

Pousei!
O Amor pegou-me pelas asas,
na displicência do voo,
gozo da segurança nos braços do tempo,
deixei ha muito de ser folha seca solta no vento!

Reginaldo

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

"HA FLOR NO ESPINHO"



Meus olhos se perderam,
nas curvas dos teus caminhos,
das rosas dos teus canteiros,
só talos e espinhos.
Secos!

Foi-se o encanto,o viço,
o veludo da pele,das pétalas,
foi tanto choro,tanta lágrima,
que foi murchando,murchando,
Murchando...

Aos poucos retornando ao pó,ao chão,
sumindo ao tempo de recomeçar,
mas tinha uma carta na manga,
a chave do amanha!

Deixou cair seu coração,
no solo sedento de vida,
veio,a chuva,o vento,
gravido o tempo eclodiu!
Brotamento!

Deu luz à escuridão,
os olhares se encontraram de novo,
na bifurcação dos canteiros,
no raiar de outra estação.
Primaverou!

Reviçou o jardim com verde,
musgos,limos e flor,
quebrou o casulo a crisálida
recomeçou.

Hibernou pro tempo da secura,
guardou em si a essência do ser,
desabrochou em tempo,
de saber que o tempo todo era...
Amor!

Reginaldo

"MOINHOS DE VENTO"


Quixote encontrou
o pequeno Pixote,
sem armadura,sem escudo,
sem proteção,sem nada...

Deu-lhe acolhida no moinho,
Quixote tinha o Don,
de fazer ninho no vento.

Montou em seu cavalo
e partiu cantarolando,
seguindo seu destino
no sopro do catavento.

Pixote pequeno?

Era o Don de Quixote,
de se rever em delírio,
moleque,pequeno,pixote...

Moinho!

Era o medo de crescer,crescendo...!


Reginaldo

"O SILÊNCIO DA ROSA"



Tocas,valas e trincheiras,
cenário de guerra nos teus afins,
canhões,espadas e corpos escudos...

A barbárie é geral no reino dos racionais,
impera o ódio e a intolerância que foge ao entendimento,
um estrondo,uma rosa se abre no horizonte!

De repente,O silêncio...

Os pombos mensageiros cessam o voo,
Já não se encontram na praia bilhetes em garrafas,
os sinais de fumaça no céu,já não dizem mais nada!

Ante o marasmo que se estende aos olhos.

Não se escuta o pio da cotovia,
nem o intermitente canto martelado da araponga,
tudo é só quietude depois do ultimo estampido!

Sopra o vento a nova ordem...

As cruzadas embainharam as espadas,
livres a cavalaria desfila sem formação,
o exercito do norte agora é bandeira branca!

Enfim respira-se...Tempos de paz!


Reginaldo

"ECOS"



Queria falar dos meus silêncios,
mas fui advertido pela placa;

SILÊNCIO!

Calei-me,
dentro dos meus Gritos!



Reginaldo

"CISMAS"



Avançam cavalarias,
esquadras e bandeiras,
ha batalhas infindas,
ao sul de tuas veredas.

Os vales sombrios enfeitiçam,
o canto mudo dos pássaros,
o vento uiva solitário,
tem água pura nos cântaros.

As brumas ralas e úmidas,
revelam o amanhecer,
no recanto das fadas
o sol começa a marcar o dia.

Ouvi-se os gritos ao longe,
guerras em tempo se faz,
o desassossego da alma,
apela um gole de Paz.

Um dia quem sabe me encontro,
sentado a beira de um tronco,
do lado inverso da luta,
onde os olhos versejam.

O Mar,
a colina,
o céu azul,ar puro,
e calmaria!


Reginaldo

"ALAR-DIA-AR"




"A Crisálida em buldo no jardim
é ninfa rosa que ainda não voou!
Aguarda seu tempo em silêncio!"


Reginaldo

"REVOADA"



Voa os olhos,
bate asas e vai...

Pula A alma,
no impulso de ir...

Fica o corpo ninho vazio,
frio,a murmurar solidão!

O vento que sacudiu
a copa das arvores...

Deixando o som
da debandada no ar.

O ócio,
o eco e seus silêncios...


Reginaldo

SOBRE REFLEXOS"

"


O Homem é o lobo do homem...
Quando se vê que...
Deus te dá inteligencia,razão e forma de pensar,
ainda sim você regride ao estagio mais baixo
e se classifica numa zona sem classificação,
Animal não és,pois eles não agiriam assim desta forma ,
humano tá longe de ser,
já que não fazes uso dos atributos dedicados a ti,
então vagas no limbo da incompreensão,
do ódio e intolerância.
Depurando no crivo,
na ânsia de se encontrar motivo
que justifique tanta ofensa á iguais
e tamanha barbárie contra vida!
Ai quem sabe entenderemos que
LIBERDADE é respeito MUTUO,
elo sem emenda,onde não se encontra "deixa"
e espaço para qualquer tipo de humilhação,
França um País Miscigenado,
mais do que ninguém deveria seguir o lema de sua Bandeira
Liberté, Égalité, Fraternité,
Cabe a imprensa Divulgar fatos e informar de forma Leal e sem excessos,
pois sempre haverá olhos que vêm a mesma coisa que todos,
mas o entendimento é livre.
Ha que se resguardar de temas Polêmicos,
para não atiçar a ira do extremo fanatismo,
que não tem compromisso com a VIDA.
Todo excesso é sobra,
e tudo que sobra
acaba vazando...Todo vazamento causa danos.
Por vezes irreversíveis!!!
Ha que se ter muita cautela!!!
Minha liberdade limita-se ao
inicio da liberdade do outro,
é tempo de refletir,
sobre os cacos do espelho
Bisotê e seu reflexo Globalizado!


Reginaldo

"Deus e Eu no jardim de infância"



Um lugar depois do sorriso,
onde a paz se faz com o vento,
com o lamento do tempo
ondulando o espelho d`água.

Um olhar sereno,
um despertar viçal,
uma oração.

O verde de todas as rosas,
o azul refletido nos olhos,
o cinza mais belo
que o pôr do sol,
no vermelho fogo
de viver cada pulsar.

Imaginar o Divino criar,
um lugar além dos olhos,
Deus e Eu nos rincões
distantes de uma lágrima.

Um Paraíso,
um éden
um ser elementar
nos quatro cantos
da mais profunda Beleza.

A Natureza é o próprio Deus,
que se faz ver,sentir e tocar,
tão simples quanto aquarelar
o amanhecer com guache e pincel
no jardim de infância!


Reginaldo

"POETA"

"Ser poeta"

Não é reconhecer-se abismo,
mas ter coragem pro salto
na certeza das asas!

Reginaldo

"ABISSAL"



Sob minhas profundezas,
se escondem meus "Eus"
e minhas Superficialidades!

Pela fresta dos olhos,
vagueia alma impulsiva,
sedenta de luz.

Escapa por vez,
na busca de ontem.
um a um.

Retorna ao acalanto escuro,
oculto vitral dos olhos
paradoxal medo da noite.

Lá no fundo é dia o tempo todo,
lá me sinto bem,
na insinuância do abismo.

Um salto entre meios mistérios,
encontro paz nos hemisférios,
no centro nervoso de mim.

Enfim percebo-me asas,
desabotoando as pétalas
de um voo que bem me quer!


Reginaldo

"SEGREDOS"



Um Palhaço...

Que traz no rosto pintado um sorriso largo,
esconde a obscenidade do belo,
na expressão do nada ser,
além de uma farsa!

Todo ser por traz do palhaço é triste!
Ressurge das cinzas,
das tuas profundezas à superfície,faz-se ver,
verter o sangue liquido em seiva,
no sorriso coletivo,ocultando seus tormentos!

No centro do picadeiro,
tem admiração do escuro,
da mascara das palavras,
da inocência das crianças...

Este palhaço sem graça incompleto,
Que um dia chamarão de poeta!
Um fingidor todo Poeta é,
o palhaço é a dor que não consegue fingir!

Depois recolhido ao teu silêncio,
introspectivo e calado,
chora diante do espelho,
quando os olhos revelam sua verdade,
ainda ouvindo o eco das palmas,
efêmeras como o sorriso pintado!


Reginaldo

"SENDAS"



Quero...

Um poema,
que não trema as mãos,
que não rasure o papel,
que não ofusque a visão.
Um poema,
que tenha suavidade,
como tema a
beleza,a calma...
que expresse Paz, alma.
Mas há desertos infindos,
hostis,secos,ardentes,
onde o vento não sopra,
dias de tormentas,
canteiros de areia...!
Um dilema...
não brota doçuras de um amargo
caminhar,despertar...
é preciso mais que areia
para um poema!
Um córrego,um regato,água corrente,
um olhar diferente,
O poema é liquido e transparente,
broca das profundezas,
erupção silenciosa,é palavra magma...
Por vezes uma Lagrima,
teimosa que molha o papel,
uma solitária senda,
úmido começo e ponto final,
e tenho meu poema!

Reginaldo

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

"ROTA DOS SONHOS AZUIS"

Pó e mar,vento e calmaria,
os passos
seguiriam o voo dos pássaros.

Pó da terra nos olhos dela,
chorariam o mar de saudade,
do chão distante dos pés.

Do verde do pomar,
das frutas,da paz
molhada de azul.

Barco de estrelas,
espelho d`água,
eu a deriva.

Amar,
ha mar em cada olhar...
Um poema.

Ela se veste de lua,
pra não me deixar sozinho,
na solidão dos meus versos.

Viaja no vento,
carinho,acalento,
um beijo no rosto,a paz embala meu sonho.

Adormeço...!


Reginaldo

 



"DISSIPAÇÃO"



Hoje sou vento,
vendido ao sabor do tempo,
lento,sendo,
lendo nas sendas de ser,
versos escritos na areia,
deixados na beira da praia,
esperando o beijo do mar...

Folhas esgarçadas dos galhos,
na ira das ventanias,
pousada no espelho D'água,
lá no alto da calmaria.

Ser da criação,
imperfeito que se desfaz,
em voar sublime de sonhos,
do fugir seguro das copas,
da frondosa arvore da encosta.

Hoje só vento,
sou brisa e não lamento,
desconstruído monumento,
movimento lento de ser
barco a deriva...

Espírito livre,do cárcere liberto,
sem corpo,só pensamento,
ruínas de vento,sobre o azul,
voo e névoa no balanço de ir e vir...

Depois da chegada,
tudo é partida!



Reginaldo

FOTOGRAFIA


Foto!

Imagem parada no tempo,
estática,incólume...Inerte!

Grafia!

Conta história,
fala nas entrelinhas,
reviça,reviva memória.

Imagem em Preto e Branco!
Cores da saudade!


Reginaldo

"TRAQUINAGEM"



Beijo roubado sob o guarda sol,
testemunha o anjo da guarda,
no banquinho da praça.

Ela surpresa e sem graça,
rubra a pele de seda,
ao toque inocente dos lábios meus!

Foi o roubo do século,
o crime perfeito,
jamais descoberto!

Não fosse o tempo gravado em negativo,
memória em preto e branco,
deste descolorido...Ido!

Era amor o que sentia,
ao vela passar dos braços da nogueira,
tocaiando teus passos.

Um dia desci e ataquei,
não resisti teu encanto,
um beijo mais doce que lua...De mel!

Morri em teus braços,
criança,adulto e velho,
na ingenuidade do primeiro beijo!

Ela refeita do susto,
me ofertou teus braços acalanto,
acarinhando meu rosto suavemente!

Eu ,a praça e Ela,
meu anjo sentinela e o dela,
eu Beija Flor...E a Flor mais Bela.



Reginaldo

"LIBERTAÇÃO"



Soltar os bichos,
os gritos,
os infinitos.

Soltar os Pássaros,
os saltos
as asas pro abismo.

Soltar o voo,
no azul do desconhecido.

Pousar no imaginário,
no destino relicário,
no terço ou rosário,
na crença profana,do pensar puro.

Viver agora.

Descerrar o som,
o vento falastrão,
animosidade,simbiose.

Pescador de sonhos,
vontades livres,
soltar a voz presa da alma.

Na eternidade de um instante,
deixar os olhos soltar as lágrimas,
correr livres os sulcos do rosto.

Preso ao tempo...Carcere!


Reginaldo

domingo, 4 de janeiro de 2015

"O SOPRO DO OLEIRO"


Um barco à velas,
em águas paradas,
sem rumo ,nem rota.

Faltava algo,
pra dar sentido,
aquela escultura...

Então...Um sopro,
um divino despertar,
essência vital invadiu as narinas...

Brisa do mar,
mostrou firmeza ao pés,
o Espírito das calmarias.

Um
voo profundo,
revelador de mistérios,
nas entranhas da alma.

Era nada moldado no barro,
uma obra inanimada,cálida,
imperfeita natureza morta.

O Deus dos deuses,
compadeceu-se,
soprou vida em seu rosto.

Acreditou...fez existir!


Reginaldo

"UM SOPRO"

Toda navalha da língua,
Todo corte na carne,
Toda voz o silêncio,
Todo olhar profundo,
Toda alma aflita,
Toda serenidade louca,
Todo perfume exalado,
Todo vento espalhador,
Todo tempo esvanecido,
Toda réstia de dia,
Todo manto da noite,
Todo sentir calor,
Tudo do todo,
Ter o máximo do minimo,
Todo nada que juntar
Tudo ser,
Tudo crer
Tudo poder...Amar


Reginaldo