terça-feira, 21 de julho de 2015

"Sabedoria"

"Não planejo nada,
deixo a vida me levar
e ela não decepciona...
Vai me levando!"

Jose Regi


"CRISÁLIDA"


Uma suavidade ao toque na pele,
onde a sutileza revele,
segredos encarcerados!

O voo sutil,
frágil,desafiador,
um descasular vil...

Compor asas ante ao abismo,
plenitude em vento,
amor que cismo...

Existir além do sonho,
dos lençóis,no abandono do sono,
onde a alma borboleteia!

Inverter o caos,
para o inefável acaso,
da vã felicidade!

Pois que seja este amor
silêncio e euforia,
um verso escrito na pele,
esquecido em poesia!

Jose Regi Poesia

"ALAR"





Veio no ar,
com o vento do mar,
a soprar caricias,
na ânsia de amar.

veio assim sem alarde ,
num fim de tarde,
ao por do sol...

Um envolucro sem graça,
numa embalagem para viagem,
que fora esquecido na margem...

veio o tempo sorrateiro,
moleque menino arteiro,
mexer naquele ninho...

o tempo sempre padrasto,
foi deixando seu rastro
na quebra daquele ovo...

numa manha úmida,
percebe-se o vazio,
do casulo no estio.

Foi como veio,
pelo ar,no sopro do vento,
desalento do tempo...

que lhe permitiu voar!


Jose Regi
Imagem Sarlota Ban

"AMNÉSIA


"

A noite me trouxe em sonho um poema,
estava morto o corpo abandonado,
um peso longe do voo...

A alma passarinhava pelo verso,
sem peso,sem macula,nem fardo,
flutuava na leveza plena,
na cadência das asas.

Era sentido um prazer na liberdade,
sem sombras,sem amarras...
era sonho,era sonho,sonho!

Veio o amanhecer como pedra,
quebrando a vidraça,
despertando o corpo almado,
pesado,enfardado...

O dia levou a noite e o sonho bom,
do poema não lembro nem o tema,
os versos suaves,terei que rascunhar
com os  passos que terei de dar...

a vida é o avesso,
é a alma muda,o silêncio,o contrário,
o sonho é plano de voo,
leveza,fuga...de mim!

Na nudez do poema me completo,
escrevo meus medos,nos meus alforges,
minhas armas,na minha alma o poeta!

Todo resto não me lembro!

Jose Regi

domingo, 19 de julho de 2015

"ANSIEDADE"




Um menino
a merce do destino
que vai impondo
passagem,
frestas,
fendas,
findos.

Um jovem,
cheio de sonhos,
deserto de chuva,
repleto de
passagem,
frestas,
fendas,
curvas.

Um homem,
que deixou de ser menino,
pra ser jovem,esqueceu de ser...
envelheceu,
nas passagens,
nas frestas,
nas fendas
do tempo.

Agora chora o colo da mãe,
o beijo por cima da cerca,
a maturidade invertida,
esquecido ao sol na cadeira de balanço,
esperando só
a passagem,
as frestas,
as fendas,
e o findo tempo!

Que não viveu!


Jose Regi

sexta-feira, 17 de julho de 2015

"CONFIDENCIAS"




Falo sozinho,ando só,
não suporto minha companhia,
queria ficar longe de mim,
queria nem me ser apresentado,
queria não estar aqui!
Um vazio de fazer eco,
ressoa em meus confins,
retumba no fundo
um coração,fazendo barulho
pra se fazer notar.
Um vão entre aberto,
vendido por certo,
caminho traçado,
pela contra mão,
onde todos seguem.
Vou rompendo noutra direção.
Sou pura teimosia,
um tanto contravenção,
normal aos olhos do mundo,
a mim...acomodação!
Zona de conforto,
na dureza dos dias,
na rotina imutável,
pela falta de sorte,
pelo rumo sem norte...
Pelo fascínio e repulsa
da presença da Morte!
Meus amigos onde estão?
Meus amores,
meus temores,
o jardim de inverno perene,
sem flores,
Deserto de areia fria,
sem rio,sem riso,
sem risco de chuva...
A seca acerca de mim,
tão pueril,se agarrou nas pedras
como craca e parasita,
um corpo estranho,grudado,
Encalacrado na alma,
que só faz sentir solidão...
Acaba que só tenho eu
a mim mesmo,
todo resto é confidência e silencio,
da insana loucura de ser...
Normal!


 Jose Regi


quinta-feira, 16 de julho de 2015

"DECIFRA E DEVORA"



Teu corpo é meu papel,
suave,macio,sem rasuras,
onde desliso minhas mãos
escrevendo caricias.

Teus olhos meu guia,
dois vaga-lumes a dissipar
as sombras,mostrando-me
o plano de voo.

O pecado maculado
pelo desejo ,enseja teu beijo,
como uma flor ao colibri,
e se abre em apelo.

Nesta profanação,
esta você nua em pelo,
o mantra soprado pelo vento,
leva-me ao êxtase dos teus braços.

Sagrado é o amor,
o entrelaçar de corpos,
o embrenhar e o cheiro lascivo
dos cabelos.

Bendito seja a imaginação,
este terreno fecundo
de heresia,de utopia,
onde a farra se rende...

Se compra e se vende
ao preço do tempo,
fugaz e efêmero,
sobre a luz dos olhos fechados!

Nela sou quase um Deus pequeno,
dono de um mundo de quatro paredes,
sem luz,sem silhueta,escuro,
esperando pelo sol

No sal do suor,
dos corpos banhados,
pela entrega ao calor
do amor,mal intencionado...

Sem nenhum pudor!

Jose Regi

"Peixe voador"

Perdi os rastros na areia,
acho que não ando mais,
vou procurar-me no céu,
entre o bando de pardais!

Tava difícil seguir
sob a luz da escuridão,
adentrei a fenda estreita,
do voo da libertação.

assim sigo ainda insignificante,
porém sem marcas no chão,
sou agora risco e pena
no azul da imensidão.

voo em busca de algo
que não sei o que é,
sei que ha,e hei de encontrar,
na baixa maré!

Ouço o som vindo das conchas,
vazias como eu,de amar,
agora sei porque do voo,
é só saudade do  mar!

Jose Regi


terça-feira, 14 de julho de 2015

"NO ESCURO DE MIM"





Eu confinado dentro de mim
aguardo a visita do Sol dourado,
no final da tarde fria de inverno!

Mas de um sol que seja dissipador,
que transpasse a cortina
e entre neste cárcere,onde a alma
sonda pela janela!

Minha casa é minha prisão,
um corpo na sombra,
oculto em névoa de fumaça,
de uma densa solidão.

Sou gaiola daquele pássaro migrador,
que se encantou com as flores da cerejeira,
desgarrado do bando
na armadilha fria do pouso!

Agora sonha com o sol
a invadir suas asas,
aquecer suas penas,
a iluminar sua alma.

Deseja o fim do inverno,
pelo vento de outono a varrer folhas secas,
das flores mortas na primavera...
No por vir de outro verão!

Na ânsia de encontrar as portas entre abertas,
aquecido e livre,fugir pela fresta,
então abandonar-se em voo de dentro pra fora...
inventar outra estação!


Jose Regi Poesia

VÃO ao VOO





"Se viver for uma condenação,
uma sina,
uma pena...

Que seja pena da asas,
da leveza,
que nos permitam voar!"

Jose Regi Poesia



"VOLÚPIA"





Me atacou como nunca,
se atracou em meu corpo,
se alojou em meu colo,
me beijou como louca...

Nossas bocas se fundiram,
na ilusão de um beijo
de um profundo silêncio
e desejo!

Os olhos falavam de saudade,
com tanta verdade que molhavam
a secura do tempo.

O corpo num frenesi de arrepios,
calafrios de ausências,
se esbaldavam em apertos e toques.

Nem uma palavra dita
depois do abraço
e o calor afaga do frio,
onde o sussurro habita.

Era triste meu viver,
Era deserto e inverno
meu jardim hibernado,
agora floriu em cores avivadas!

O amargo da boca,adoçou,
o céu se abriu depois da noite,
e a lua é mel no café da manha!

Junto a rotina está de novo
o amor de volta a mesa,
e um mundo preste a me devorar!

Jose Regi Poesia

"Travessia"



Sobre limo e musgo,
das pedras do caminho
se prende as fendas...

Escondido do sol,
na umidade do orvalho,
sobre as folhas mortas...

Agora é todo sub-mundo,
baixo,rasteiro,
és sobra de sombras!

És resquício de escuridão,
que não amanheceu,
aquele sono mal dormido!

Aquele grito tolido
de apelo,impedido de soar,
sob o silêncio dos olhos...

O choro seco de fome,
o romper da calmaria,
o barulho,o trovão e céu cinzento...

És aquele pássaro sem canto,
sem voo,sem asas,
sem encanto!

Sendo assim,
és tu e mais nada
aquele brilho opaco.

Aquela lagrima de chuva
que escorre pelo frio da pedra,
pelo veio,pelo friso.

Pelo crivo da luz e das trevas,
onde o corpo deixa escapar
o pouco da alma...

De novo rescende
o cheiro de madeira
velha molhada.

A Hipocrisia banha
do esquife repouso final,
depois da ultima chuvada!

Uma pedra sob o terra
é todo feudo que lhe resta de memoria,
a parte que lhe cabe neste latifúndio!

Jose Regi Poesia

"oráculo"



Aquele que não assume seu eu,
foge das pedras do caminho,
se acovarda ante o abismo...

Infeliz é este que não nada,
nas correntezas de suas tribulações,
nas águas barrentas de seu viver...

nos rebojos
onde rodam em círculos
os acúmulos de seus pesares.

Infeliz é este que não assume tuas
turbulências,seus temporais,
teus dias nublados...

Estes não terão o calor do sol,
a bonança
e o céu claro...

Nem enfim gozarão,
do abraço do Mar
e de sua calmaria!

Jose Regi Poesia

quarta-feira, 8 de julho de 2015

"DISSIMULAÇÃO"




O espelho rejuvenesce,
toda vez que lhe olha nos olhos,
tem um brilho novo,
o sol por despertar...

E reflete a aura luziada,
o espírito iluminado,
uma vontade de viver
de dentro pra fora...

O corpo sai de foco,
desvia os olhos,
olha pro nada,
descrê no que vê!

Tapa o espelho,
se arrasta de joelho
até a soleira da janela,
se atira como pedra...

Ele acredita no voo,
Na incerteza do pouso,
nas tuas verdades
desconfia do espelho...

Guarda em si todas as eras,
pretéritos felizes,estações chuvosas,
invernos aquecidos por braços vius,
flores desabrochando o agora por viver,
desejoso do por vir.

Acredita no insólito,
nas utopias,
nos engodos do tempo,
que lhe pinta os cabelos de branco...
onde os espelho só mostra o brilho.


Acredita no voo as cegas,
sem reflexo sobre tua sombras...
Basta suas mentiras!

Reginaldo

sábado, 4 de julho de 2015

"DISSIPADOR"




Uma foto,um foco,um fato,
mesmo que falso!
Que desfaça e rechace
esta nuvem de fumaça,
que aos olhos embaça.

Um vaga-lume,que assuma
a clareza deste lumiar.
Pequeno ,sutil suficiência,
ante a deficiência de brilho
das trilhas.

Rompendo a perene escuridão,
voos tortos,desengonçados,
ritmando um caminhar inseguro,
perante a incerteza do pouso.

Uma seta,uma meta-física ou sensorial,
uma rima,uma prosa,um verso
ou diversos,que reveja os traços,
os passos,os rabiscos e rascunhos deixados,
num pretérito sempre presente,sem futuro! .

Desejos mórbidos de vida,
uma sorte ,um norte,
que desvie o destino,que ponha dúvida,
quanto a hora da morte.

Que seja o que tiver de ser,
se for pra ser,sem dor,
pois viver e morrer...
Tenho duplo caso de Amor!

Jose Regi Poesia​

quinta-feira, 2 de julho de 2015

"QUANDO ME LIVRO"



Quando fecho os olhos
depois das reticências,
embrenho nos meus vazios
e recrio-me novo!

Ler é sempre um livrar-se
dos lugares comuns aos olhos e
trilhar miras que os olhos
veem de dentro da alma .

Desgrenhar cenários singulares,
situações de felicidade plena,
mergulhar no mar do imaginar,
e voar,voar e voar!

Ver no verso
o avesso do acaso,
o contrário da vida,
outra rota e itinerário!

Ler é criar alamedas,
atalhos ao real,
é a ante via-crúcis
ao real de fato!

Um livro traz dentro de si
vias de liberar pensamento,
caminhar nestas trilhas
pode ser um livramento!

Livre-se!