segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

"INSONE"



Despertou,
abriu os olhos,
se pôs de pé.

Abriu os braços,
quis neste instante,
abraçar o mundo.

Encheu de ar o peito,
ainda meio tonto e sem jeito,
deu o primeiro passo do dia.

Alegria e euforia,
misturou as incertezas,
que certamente viriam.

Porem,não se abateu,
juntou toda tralha que tinha,
pôs na mala e partiu.

Foi em busca do sonho,
na lida ,na luta ,na garra,
mas foi mesmo assim.

Tudo que tinha era o dia que despontava,
foi pisando no tempo e deixando pegadas,
incansável caminhante.

Incrédulos olhares o fitam,
indagações sem respostas,
indigente e sábio.  

Louco de palavras doces,
discursa pros passarinhos,
versa pra vida.

Solto na praça,
declama com graça e expressão, 
espera que lhe venha o pão.

Insano que não repele,
agora querem ouvi-lo,
faz sentido ao que ele refere,

Carência de sutilezas,
deficiência de suavidades,
estamos todos...Loucos.

Ávidos de sensibilidades,
embrutecidos e petrificados,
fossilizados vivos.

Que se despertem,
que se abram os sentidos,
que se absorvam a seiva.

Que se deixem levar pelas palavras,
que escorrem dos olhos e lábios
do mensageiro.

Que se amoleçam nas mãos do oleiro
e se façam gente,
a mais perfeita obra sonhada pelo criador.

Que se realizem,se revelem,se encontrem,
que se desejem e que esses momentos
se imortalizem,mesmo que por um simples instante.

Que o sopro da vida seja brisa leve,
pra conduzir...
Mas que se torne vendaval,
se acaso não despertares!



Reginaldo

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