Veio num verso solto,
Lépida, desinibida,
Peito aberto
Corpo nu
E dançava tão livre
quanto uma folha ao vento.
Sem pudor
Sem amarras
Sem aparas
Liberta de todos os grilhões
Da moralidade.
Insinuava-se qual
Margarida a uma borboleta.
Trazia no olhar
A pureza casta,
Não se deixava adestrar
Castrar os desejos...
Era pura volúpia!
Até despertar
E sentir a dureza
No ponteiro apressado
Do relógio impondo tempo.
Cerceando vontade,
Encarcerando sonhos
Na timidez da realidade.
Vestiu
rapidamente o uniforme
Pegou o crachá
e a marmita,
Bateu o ponto
em cima da hora.
encasulou qual crisálida
em pupa de silêncio
e medos.
Agora anseia a noite
Para novamente
Reaver suas asas
Livrar-se do peso
Enfadonho.
Vestir-se de mariposa
Pelo menos nos sonhos.
José Regi

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