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"SOPRA SAUDADE"



Ouço outra vez o uivo do vento,
bater na janela e soprar a cortina
querendo conversa.

Atravessa os caixilhos sem vidro,
chega atrevido e me pega
desprevenido.

Sopra segredos do tempo,
faz molhar os meus olhos,
soprando confidencias.

Deixa escapar indecências,
trazida de outras querencias,
de alguém que os olhos não vê.

Ela jogou palavras ao vento,
mensageiro insolente,
fez questão de entregar.

Agora estou despertando,
ainda com olhos de noite,
já sinto no peito o açoite.

O vento fofoqueiro,
diminuiu a distancia por um instante,
mas aumentou a saudade daquele amor de menino.

Puro,inocente,cristalino,
amor que jamais morreu,
por não ter reciproca...Adormeceu.

Agora esse uivo doido,
deste vento bandido,
me faz reviver.

Solto meu silencio pra ele,
com toda essência do meu sentir,
e peço pra levar essa saudade pra longe daqui.

Assim que ele partir,fecho a cortina e a janela,
conserto o vidro quebrado,
e me fecho dentro de mim.

Outra vez!

Reginaldo

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