Pular para o conteúdo principal

"ESTÁ NO ALTO DA COMPADECIDA"



Quando se perde alguém,
se desespera,
os olhos lacrimejam,
despeja de dentro
o acumulo da alma.

Escorre pra fora sentimento,
em forma de lamento
que molha o sulco do rosto.

Tenta-se entender o acaso,
este que nos faz pouco caso,
e nos submete ao seu imperativo.

Embora seja 
a mais verdade das certezas,
jamais vou entender a morte.

Aceito como destino,
mas duvido como menino,
que ela um dia falhe!

Vai ceifando a sorte do convívio,
de pessoas do meu meio,
do meio de tanta gente,
vai levando como dela,
pro seu mundo de saudade,
deixando o meu mundo 
e de todo mundo um vazio profundo.

Por estes dias tem sido barra,
Foi Rubem Alves,João Ubaldo, 
em suma...Vai ter sarau la no céu.
Porque agora choro por Suassuna. 

"Que Cumpriu sua sentença. 
Encontrou-se com o único mal irremediável, 
aquilo que é a marca do 
nosso estranho destino sobre a terra, 
aquele fato sem explicação 
que iguala tudo o que é vivo 
num só rebanho de condenados, 
porque tudo o que é vivo, morre."

Descanse em paz Ariano. 

Reginaldo

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Enfim...

      Dedico a vós o meu silêncio A inquietude abismada Dos meus versos Esses voos ora preteridos Deixo assim subentendido Em pousos dantes...Arremetidos.   Vasto é a amplidão Desse universo mudo Eximido de eco Ou retorno Onde o exilio É silente contuso.   Corto os punhos, Dramático, patético Suicídio poético Antes, porém, rascunho A sangue quente A dor corrente Na rubra tarde que cai Aos pés da noite eterna.   Não tenho asas, Nem pernas Nem plumas Ou penas Que sentenciam o fim No crepúsculo.   Há um último impulso Antes da queda Um último plano Ante o medo da escuridão. Respira afoito Um derradeiro pulso...   Não há mais nada Nunca houve,   Nunca esteve. Nunca foi... Não há mais tempo! Poema escrito Sobre areia fina, Só quem lê É o vento.   José Regi    

Menino do olho azul

Jaz infanta estripulia. Ainda cedo corria pra rua o menino, Não sabia nada de limites E o mundo lhe era um convite a campear. Explorar além do horizonte Da janela da sala Da cercania entorno Da margem da velha estrada. Olhos azuis de céu Asas nos pés Era quase um semideus Com todos os seus “eus’ Ainda incubado De voos e sonhos. Cismas várias Não eximia os anseios, Havia de ser grande Já previa a cigana Que vendia engodos em troca de migalhas Na esquina da rua do centro. Desbravador solitário Num relicário de teimosia Esculpido a força No tempo. Jaz infanta estripulia Na sucursal de ontem Das gerais do sul... Hoje homem feito adulto Inventa versos como indulto Para proteger aquele menino do olho azul. José Regi

Medo de altura.

  Eu, poeta de superfície, raso de chão e asas atrofiadas Ofereço-vos o mirante A beira dos meus abismos Sem egoísmo oferto-vos Tentativas de voos. O mergulho A incerteza Do pouso seguro. Dou a ti, No escuro, O lume da lua O cio da loba O uivo do vento... A dança das folhas mortas O sementio do horto O tempo torto E meus medos mais sórdidos. O ócio A ausência dorída Asas parcas, feridas O vazio e o eco. Retiro o véu Ofereço-vos O céu E o chão Onde aguardo Vosso pouso. José Regi