terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Pedra amarela

Itajubá...Do guarani, relicário Ouro de tempo, sentinela Da língua Tupy originária, Simplesmente pedra amarela. Itajubá de Padre Lourenço Seu pioneiro e fundador Percebeu potencial e fomento Para grande sucesso e valor As margens do Sapucaí De caudaloso legado Muito tem contribuído Na projeção do estado. Conta seus dias em paz Na direção do futuro Calcada em fé contumaz Vai dissipando o escuro Há mais de duzentos anos Do seu despertar primeiro Tornou-se no altiplano Referência do brasileiro Suas montanhas e vales Sua gente trabalhadeira Isenta de todos os males Acolhedora e alvissareira Com suas universidades formando renomados doutores excelência e qualidade na educação de vencedores Segue a sina da grandeza Destinada a quem merece Com galhardia e nobreza Itajubá se apetece! Um pedaço do paraíso Na Mantiqueira encravada Itajubá portal do sorriso Cidade fácil de ser amada. José Regi

sábado, 30 de agosto de 2025

Medo de altura.

 


Eu,
poeta de superfície,
raso de chão e asas atrofiadas
Ofereço-vos o mirante
A beira dos meus abismos
Sem egoísmo oferto-vos
Tentativas de voos.
O mergulho
A incerteza
Do pouso seguro.
Dou a ti,
No escuro,
O lume da lua
O cio da loba
O uivo do vento...
A dança das folhas mortas
O sementio do horto
O tempo torto
E meus medos mais sórdidos.
O ócio
A ausência dorída
Asas parcas, feridas
O vazio e o eco.
Retiro o véu
Ofereço-vos
O céu
E o chão
Onde aguardo
Vosso pouso.

quarta-feira, 23 de julho de 2025

Saudade é tempo dizendo que não acabou

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  •  O amor é um espanto
  • Um escárnio vivo.
  • É vento soprando
  • Sobre encantos cativos.
  • Fogo de chama forte
  • Encandeia os sentidos
  • Dói como arame farpado
  • No tempo de ter vivido.
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  • Saudade é um escracho
  • E tempo tirando perfume
  • Do vaso de enfeite
  • Com flores de plástico.
  • Recende como incenso
  • Em tempo de pouco lume.
  • Em noites de pouco facho.
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  • Paixão é lenha seca
  • De fácil combustão
  • Dois corpos suados
  • Em noites de verão.
  • paixão que vira amor
  • Por certo vira saudade
  • Em tempo de adeus tardio
  • No átimo de uma maldade.
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  • Bom encontro é de dois
  • Já dizia a canção
  • Amor e paixão
  • é pra agora.
  • Saudade...
  • Saudade...
  • É pra depois.
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  • José Regi


sexta-feira, 6 de junho de 2025

Menino do olho azul


Jaz infanta estripulia.
Ainda cedo corria pra rua o menino,
Não sabia nada de limites
E o mundo lhe era um convite
a campear.
Explorar além do horizonte
Da janela da sala
Da cercania entorno
Da margem da velha estrada.
Olhos azuis de céu
Asas nos pés
Era quase um semideus
Com todos os seus “eus’
Ainda incubado
De voos e sonhos.
Cismas várias
Não eximia os anseios,
Havia de ser grande
Já previa a cigana
Que vendia engodos
em troca de migalhas
Na esquina da rua do centro.
Desbravador solitário
Num relicário de teimosia
Esculpido a força
No tempo.
Jaz infanta estripulia
Na sucursal de ontem
Das gerais do sul...
Hoje homem feito adulto
Inventa versos como indulto
Para proteger
aquele menino do
olho azul.
José Regi

quinta-feira, 17 de abril de 2025

Enfim...

 



 

 

Dedico a vós o meu silêncio

A inquietude abismada

Dos meus versos

Esses voos ora preteridos

Deixo assim subentendido

Em pousos dantes...Arremetidos.

 

Vasto é a amplidão

Desse universo mudo

Eximido de eco

Ou retorno

Onde o exilio

É silente contuso.

 

Corto os punhos,

Dramático, patético

Suicídio poético

Antes, porém, rascunho

A sangue quente

A dor corrente

Na rubra tarde que cai

Aos pés da noite eterna.

 

Não tenho asas,

Nem pernas

Nem plumas

Ou penas

Que sentenciam o fim

No crepúsculo.

 

Há um último impulso

Antes da queda

Um último plano

Ante o medo da escuridão.

Respira afoito

Um derradeiro pulso...

 

Não há mais nada

Nunca houve,  

Nunca esteve.

Nunca foi...

Não há mais tempo!

Poema escrito

Sobre areia fina,

Só quem lê

É o vento.

 

José Regi

 

 

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

 


Fé é uma planta frágil

Regadas a gotículas

De esperança.

É acreditar no impossível,

No imponderável,

andar na contramão da lógica

Da realidade

e crer no invisível,

na onisciência,

No divinal.

 

Ter fé é cultivar

a ingenuidade

De uma criança,

A fragilidade

de uma mariposa no

Entorno da luz.

É entender possível

Quando tudo

Se mostra ao contrário.

 

Ter fé

É pegar no rosário e pedir

Como quem esfrega

Uma lâmpada mágica.

É não aceitar.

É a negação de si

Nas entrelinhas da sua

Própria incapacidade.

 

É acreditar numa utopia

Na poesia do inédito

No remédio amargo

No apelo ao vento

Ter fé é orar em silêncio

Durante um temporal...

Ansiar desvios,

Piquetes e atalhos

Na estrada da vida.

 

É a dureza do chão

A escassez do pão

É o calo das mãos

Ter fé é não ter explicação

É se nortear pelo íntimo

Se entregar a uma filosofia

É sacrifício de vida

Alienação, Aliança

E Abnegação

 

 

Ter fé é escrever torto

Em linhas retas

E não contestar.

Andar na contramão da seta

É ver razão e sentido

No projeto gêneses

É ter Deus...

E isso lhe bastar.

 

 

José Regi 28/11/24


sábado, 26 de outubro de 2024

Guardado

 



 

 

O que me prende não são cercas.

Acerca disso, encarcero-me.

Grades, gaiolas e asas de cera

No interior quase deserto de mim.

 

Tento a teimosia

Da brota, do florescer

Para assim ser

Pouso de insetos melíferos.

 

Nos outonos finais

Invento quimeras

Sobre folhas mortas

Soltas ao vento da estação.

 

No distante, não obstante

Uma araucária solitária

No estio cumpri (no imperativo)

Sua regra sina.

 

Livre de qualquer amarra

Arraigada,

Sentenciada

Ao lugar da queda.  

 

Eu que posso voar

Me prendo qual andrajos velhos

No arame farpado

No varal do tempo.

 

Sob calendários, agendas

Horários e itinerários

Ocultos nas entrelinhas

Das minhas utopias.

 

 

José Regi

Pedra amarela

Itajubá...Do guarani, relicário Ouro de tempo, sentinela Da língua Tupy originária, Simplesmente pedra amarela. Itajubá de Padre Lourenço ...