terça-feira, 8 de setembro de 2026

Volúpia

 


volúpia

 

quero me perder nos seus confins

sem sentido, dormir a sua sombra

despir suas vestes, sedas e cetins

revelar o desejo que me assombra

 

possuí-la, vê-la entrar em erupção

ouvir sua boca sussurrar meu nome

no azul de seus olhos, nua imensidão

o feitiço da mulher sobre o homem

 

depois do encontro à beira do sonho

soltar as amarras da embarcação

navegar as cegas, isento de vergonha

 

ancorar na solidão de uma ilha deserta

esperar a noite roer a realidade dura

enquanto de sobressalto...me desperta. 

 

josé regi

quinta-feira, 16 de julho de 2026

premissa de primavera



 

 

há um além

que fica longe de mim.

é lá nesse além

aonde oculto as angústias.

 

lá é ermo e solitário,

nem um pé de felicidade

ousou brotar,

não há barulho...

 

o som é silêncio,

o ar parado

e o vento

é de dentro para fora.

 

não chove

é sombrio

não tem rio,

não tem nada...

 

embora muitas vezes

o nada transborda

e uma lágrima

rompe a secura.

 

de tempo em tempo

invento deuses menores

do que meu próprio deus

de templo em templo.

 

busco pertencer

ainda que longe de mim

no ermo da alma

flores-ser.

 

josé regi

   

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Obsceno

 

 


 

Obsceno

 

 

Penetrar em riste sua entranha

Aquecer na doce fenda morna

Sugar-lhe em êxtase e transe

A volúpia com que me assanhas

 

Extinguir a carência e o fogo

Lamber seus lábios carnudos

Sugar estrelas no céu da boca

Perder sem defesa no seu jogo

 

Beijar-lhe suave os mamilos

Com a indecência da língua

Explodir jatos de saciedade

 

Ao sobreviver ao teu gozo

Deixar o vento secar o suor

Da nossa vil cumplicidade.

 

José Regi

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Orgasmo



 

Uma aventura louca

no breu da noite

a vivenciar...

De tesão embevecido,

hirto mergulho

executou.

 

Águas placidamente

aquecidas,

fendas, frestas

receptivas

num quase um rio

a desaguar.

 

Cada ida

e cada volta

suor e calafrio

misturava

as sensações.

 

Tateava o prazer

desse lugar sagrado.

Acordou atordoado

entre lençóis, fronhas

e travesseiros...

Despertou todo

molhado.

 

José Regi

segunda-feira, 30 de março de 2026

Memórias da meia noite

  


Guardo ainda...

Reflexos,

Lampejos

Nossos desejos

mórbidos.

O cheiro no dedo

do teu sexo,

nossos segredos...

Sórdidos.

 

Teus seios

roçando minha pele

Eriçando pelos

e meu falo.

Lasciva,

toda entregue

A volúpia

do meu tato.

 

Noite corporal

Nudez   

Dual

segunda intenção

Entrelaçar uníssono

Com gozo pleno

No final.

 

Depois...Procurar e

Encontrar outra vez o ar

Respirar

Suspirar

Pulsar lentamente...

 

Tomar um ban

ho

Deixar a água corrente

Voltar a alcova

Relaxar e dormir

Tranquilamente.  

 

Jose Regi 

quarta-feira, 25 de março de 2026

Mariposa



Veio num verso solto,

Lépida, desinibida,

Peito aberto

Corpo nu

E dançava tão livre

quanto uma folha ao vento.

 

Sem pudor

Sem amarras

Sem aparas

Liberta de todos os grilhões

Da moralidade.

 

Insinuava-se qual

Margarida a uma borboleta.

Trazia no olhar

A pureza casta,

Não se deixava adestrar

Castrar os desejos...

Era pura volúpia!

 

Até despertar

E sentir a dureza

No ponteiro apressado

Do relógio impondo tempo.

Cerceando vontade,

Encarcerando sonhos

Na timidez da realidade.

 

Vestiu

rapidamente o uniforme

Pegou o crachá

e a marmita,

Bateu o ponto

em cima da hora.

encasulou qual crisálida

em pupa de silêncio

e medos.

 

Agora anseia a noite

Para novamente

Reaver suas asas

Livrar-se do peso

Enfadonho.

Vestir-se de mariposa

Pelo menos nos sonhos.

 

José Regi

quinta-feira, 12 de março de 2026

Tentação


Em noite de lua cheia... 
Uiva na tua orelha 
Um anjo torto 
 De segundas intenções! 
Sussurra palavrões 
Daqueles que eriçam a pele, 
Atiça desejos 
e entrega nu... 
No quartinho 
De despejo. 


 José Regi

Volúpia

  volúpia   quero me perder nos seus confins sem sentido, dormir a sua sombra despir suas vestes, sedas e cetins revelar o desejo ...