segunda-feira, 30 de março de 2026

Memórias da meia noite

  


Guardo ainda...

Reflexos,

Lampejos

Nossos desejos

mórbidos.

O cheiro no dedo

do teu sexo,

nossos segredos...

Sórdidos.

 

Teus seios

roçando minha pele

Eriçando pelos

e meu falo.

Lasciva,

toda entregue

A volúpia

do meu tato.

 

Noite corporal

Nudez   

Dual

segunda intenção

Entrelaçar uníssono

Com gozo pleno

No final.

 

Depois...Procurar e

Encontrar outra vez o ar

Respirar

Suspirar

Pulsar lentamente...

 

Tomar um ban

ho

Deixar a água corrente

Voltar a alcova

Relaxar e dormir

Tranquilamente.  

 

Jose Regi 

quarta-feira, 25 de março de 2026

Mariposa



Veio num verso solto,

Lépida, desinibida,

Peito aberto

Corpo nu

E dançava tão livre

quanto uma folha ao vento.

 

Sem pudor

Sem amarras

Sem aparas

Liberta de todos os grilhões

Da moralidade.

 

Insinuava-se qual

Margarida a uma borboleta.

Trazia no olhar

A pureza casta,

Não se deixava adestrar

Castrar os desejos...

Era pura volúpia!

 

Até despertar

E sentir a dureza

No ponteiro apressado

Do relógio impondo tempo.

Cerceando vontade,

Encarcerando sonhos

Na timidez da realidade.

 

Vestiu

rapidamente o uniforme

Pegou o crachá

e a marmita,

Bateu o ponto

em cima da hora.

encasulou qual crisálida

em pupa de silêncio

e medos.

 

Agora anseia a noite

Para novamente

Reaver suas asas

Livrar-se do peso

Enfadonho.

Vestir-se de mariposa

Pelo menos nos sonhos.

 

José Regi

quinta-feira, 12 de março de 2026

Tentação


Em noite de lua cheia... 
Uiva na tua orelha 
Um anjo torto 
 De segundas intenções! 
Sussurra palavrões 
Daqueles que eriçam a pele, 
Atiça desejos 
e entrega nu... 
No quartinho 
De despejo. 


 José Regi

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Pedra amarela








Itajubá...Do guarani, relicário 
Ouro de tempo, sentinela 

Da língua Tupy originária, 
Simplesmente pedra amarela. 

 Itajubá de Padre Lourenço 
Seu pioneiro e fundador 
ercebeu potencial e fomento 
Para grande sucesso e valor 

 As margens do Sapucaí 
De caudaloso legado 
Muito tem contribuído 
Na projeção do estado. 

Conta seus dias em paz 
Na direção do futuro 
Calcada em fé contumaz 
Vai dissipando o escuro 

Há mais de duzentos anos 
Do seu despertar primeiro 
Tornou-se no altiplano 
Referência do brasileiro 

Suas montanhas e vales 
Sua gente trabalhadeira 
Isenta de todos os males 
Acolhedora e alvissareira 

Com suas universidades 
formando renomados doutores 
excelência e qualidade 
na educação de vencedores 

Segue a sina da grandeza 
Destinada a quem merece 
Com galhardia e nobreza 
Itajubá se apetece! 

Um pedaço do paraíso 
Na Mantiqueira encravada 
Itajubá portal do sorriso 
Cidade fácil de ser amada. 

José Regi

sábado, 30 de agosto de 2025

Medo de altura.

 


Eu,
poeta de superfície,
raso de chão e asas atrofiadas
Ofereço-vos o mirante
A beira dos meus abismos
Sem egoísmo oferto-vos
Tentativas de voos.
O mergulho
A incerteza
Do pouso seguro.
Dou a ti,
No escuro,
O lume da lua
O cio da loba
O uivo do vento...
A dança das folhas mortas
O sementio do horto
O tempo torto
E meus medos mais sórdidos.
O ócio
A ausência dorída
Asas parcas, feridas
O vazio e o eco.
Retiro o véu
Ofereço-vos
O céu
E o chão
Onde aguardo
Vosso pouso.

quarta-feira, 23 de julho de 2025

Saudade é tempo dizendo que não acabou

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  •  


  •  O amor é um espanto
  • Um escárnio vivo.
  • É vento soprando
  • Sobre encantos cativos.
  • Fogo de chama forte
  • Encandeia os sentidos
  • Dói como arame farpado
  • No tempo de ter vivido.
  •  
  • Saudade é um escracho
  • E tempo tirando perfume
  • Do vaso de enfeite
  • Com flores de plástico.
  • Recende como incenso
  • Em tempo de pouco lume.
  • Em noites de pouco facho.
  •  
  • Paixão é lenha seca
  • De fácil combustão
  • Dois corpos suados
  • Em noites de verão.
  • paixão que vira amor
  • Por certo vira saudade
  • Em tempo de adeus tardio
  • No átimo de uma maldade.
  •  
  • Bom encontro é de dois
  • Já dizia a canção
  • Amor e paixão
  • é pra agora.
  • Saudade...
  • Saudade...
  • É pra depois.
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  • José Regi


sexta-feira, 6 de junho de 2025

Menino do olho azul



Jaz infanta estripulia.
Ainda cedo corria pra rua o menino,
Não sabia nada de limites
E o mundo lhe era um convite
a campear.
Explorar além do horizonte
Da janela da sala
Da cercania entorno
Da margem da velha estrada.
Olhos azuis de céu
Asas nos pés
Era quase um semideus
Com todos os seus “eus’
Ainda incubado
De voos e sonhos.
Cismas várias
Não eximia os anseios,
Havia de ser grande
Já previa a cigana
Que vendia engodos
em troca de migalhas
Na esquina da rua do centro.
Desbravador solitário
Num relicário de teimosia
Esculpido a força
No tempo.
Jaz infanta estripulia
Na sucursal de ontem
Das gerais do sul...
Hoje homem feito adulto
Inventa versos como indulto
Para proteger
aquele menino do
olho azul.
José Regi

Memórias da meia noite

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