Pular para o conteúdo principal

CALEIDOSCÓPIO (Auto-Retrato)



Sou eu aquela aquarela,
aquela tela em branco
onde o tempo chamusca cores.

Sou um misto de desejos e delírios,
de versos e avessos
por traz da alquimia.

Pinto o sete,o dia ,a noite,
colho flores no deserto,
que o vento sopra em mim.

Sou pedaços de reflexos,
pinceladas de tristezas,alegrias,
sou um caleidoscópio.

Sou a própria lei da reação,
as vezes recebo luz,
que decanto da escuridão.

Sou fugitivo do caos,
recolho das ruínas
o bálsamo pra alma.

Embalo com fita vermelha,
selo com amor a embrolho da vida,
espalho-me ao vento.

Sou grato,amigo ,escorpião,
sou careta,correto,amigável,
por vezes céu,outras vezes chão.

Sou veneno,sou peçonha,
sou antidoto e cura,
Sou ombro e rasteira.

Sou homem bicho,
tentando descifrar o bicho homem
ainda que o tempo me devore!

Sou uma incógnita da própria loucura,
de Rembrandt,de Picasso,de Claude Monet,
sou rabisco descolorido que jamais foi Pintura!

Sou um apanhado de doçura
ocultando alguns demônios,
obra inacabada,esquecida em sonho!

Reginaldo

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Enfim...

      Dedico a vós o meu silêncio A inquietude abismada Dos meus versos Esses voos ora preteridos Deixo assim subentendido Em pousos dantes...Arremetidos.   Vasto é a amplidão Desse universo mudo Eximido de eco Ou retorno Onde o exilio É silente contuso.   Corto os punhos, Dramático, patético Suicídio poético Antes, porém, rascunho A sangue quente A dor corrente Na rubra tarde que cai Aos pés da noite eterna.   Não tenho asas, Nem pernas Nem plumas Ou penas Que sentenciam o fim No crepúsculo.   Há um último impulso Antes da queda Um último plano Ante o medo da escuridão. Respira afoito Um derradeiro pulso...   Não há mais nada Nunca houve,   Nunca esteve. Nunca foi... Não há mais tempo! Poema escrito Sobre areia fina, Só quem lê É o vento.   José Regi    

Menino do olho azul

Jaz infanta estripulia. Ainda cedo corria pra rua o menino, Não sabia nada de limites E o mundo lhe era um convite a campear. Explorar além do horizonte Da janela da sala Da cercania entorno Da margem da velha estrada. Olhos azuis de céu Asas nos pés Era quase um semideus Com todos os seus “eus’ Ainda incubado De voos e sonhos. Cismas várias Não eximia os anseios, Havia de ser grande Já previa a cigana Que vendia engodos em troca de migalhas Na esquina da rua do centro. Desbravador solitário Num relicário de teimosia Esculpido a força No tempo. Jaz infanta estripulia Na sucursal de ontem Das gerais do sul... Hoje homem feito adulto Inventa versos como indulto Para proteger aquele menino do olho azul. José Regi

Medo de altura.

  Eu, poeta de superfície, raso de chão e asas atrofiadas Ofereço-vos o mirante A beira dos meus abismos Sem egoísmo oferto-vos Tentativas de voos. O mergulho A incerteza Do pouso seguro. Dou a ti, No escuro, O lume da lua O cio da loba O uivo do vento... A dança das folhas mortas O sementio do horto O tempo torto E meus medos mais sórdidos. O ócio A ausência dorída Asas parcas, feridas O vazio e o eco. Retiro o véu Ofereço-vos O céu E o chão Onde aguardo Vosso pouso. José Regi