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"PERTURBAÇÕES DE UM SER IMÓVEL"




O que me prende?
o que me faz sentir
esta enraizada arvore?
Onde está alforria,
a euforia dos ventos
saliente a soprar?

Quando estas raízes
ganharam o céu,
transmutadas em asas,
para voos sublimes?
Quando serei vento,
incomodo cisco nos olhos dela?

Porque não dou o segundo passo?
Perdido no espaço deste campo estio?
Porque não tenho respostas,
pras minhas inquietações?
Porque o conflito evidente,
não salta as ramas e fogem pelos
cipós das parasitas?

Sei que sou porto seguro,
tenho ninhos em meus galhos,
tenho o canto dos passarinhos,
forte os troncos que me sustentam,
tenho o céu sobre mim,
as caricias do vento...
O agir do tempo!

Mas... quero ser mais,
quero andar pelos dias,
quero asas,
ver outros campos,
outras arvores,
outros mantos,
cantos e encantos.

quero a razão deste sentir só,
frear as atribulações,
aflições os desvios,
esconder dos vendavais,
disfarçar as emoções,
a liberdade de livrar-me...

Destas minhas perturbações!


Reginaldo

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