sexta-feira, 14 de novembro de 2014

"CHEIRO DE CAFÉ E VIDA"


Tem cheiro de candeia fumegando,
um cheiro ardido de doer os olhos,
levanto olhar sobre o distante,
é lá na casinha do terreiro,
de onde vem o tal cheiro.

Ainda meio tonto,
não refeito por inteiro,
vou caminhando,
cabelos espatifados,
o rosto amarrotado
da noite de sono bom.

Outro aroma invade as narinas,
ao aproximar do fogão a lenha,
então lavo o rosto na bica,
os olhos se aguçam e o
aroma de café fresco me abraça.

Rosca,broa de milho,
bolão de fubá,
leite da mimosa fervido,
mesa posta
e o sol sentado a me esperar.

Amanhece na roça,
o dia sempre apressado toma seu café
e segue agitado pra não perder a hora,
o vento sopra sem rumo,
as flores ainda orvalhadas se secam ao sol da manha,
vou despertando aos goles de café com leite.

Os passarinhos fazem algazarras,
alaridos e sons diversos,
as galinhas,os bichos soltos,
os gatos e cachorros correndo,
a vida enfim desperta.

Sigo pra lida,pra luta,
com a essência do simples,
sem grandeza no sonho,
aqui tenho tudo que preciso,
água corrente e nos olhos,
na roça a vida acontece...

Desde o amanhecer
até quando anoitece!

Reginaldo

"SILHUETA"


Era tarde,chovia muito,
as águas bravias passavam ligeiras,
levando aos trancos meu barco de papel!

Era tarde pra ver o céu
coberto de nuvens negras,
e os olhos eram chão!

Era tarde,quando ela veio do desespero,
toda molhada e escorrida,
buscar guarida em meus braços.

Era tarde e o sono boêmio,
ainda na saideira,
era cedo pra dormir!

Mas...embora tarde,era tempo
de sobra no tardar da madrugada,
para amar...!

Da chuva,só se ouvia a musica,
do silêncio os sussurros ladinos,
era um entrelaçar de pernas...Nunca tarde!

A silhueta hipnotizava os sentidos,
incólume aceitava as carícias
era pura sedução.

Então lá pelas tantas,
o ápice na porta do paraíso,
um trovão mais raivoso...

Os olhos só captaram a luz
do estampido,depois o quarto vazio
e a solidão morrendo de sono!





Reginaldo

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

"LIQUEFEITO"

Um vento,
uma brisa,
alma em elevação!

Um sopro,
uma gota,
Evaporação!

Desejo
flerte,
Sublimação!

Sou Eva,
sou amor
renascimento e purificação!

Sou destino,
sonho,
neblina e dissipação!

Sou relva fina da manha,
sou orvalho úmido,
que vai indo embora...

Ao sabor do tempo
ao prazer das horas
sem precipitação!


Reginaldo

"O LIVRAMENTO DE JOÃO NINGUÉM"


Indica o desvelar da retórica,
ludibriando o lirismo,
em rimas ensopadas de dor,
onde a prosa não encontra palavras!

Nos rabiscos que se seguem,
nota-se o trajeto acidental,
de caminhos mal traçados,
sem beleza...
marginal!

O enredo das páginas cheias,
escritos de um viver,
vai revelando as minúcias
de um fragmentado ser.

Atravessa a grande alameda,
sempre cercado de sombras,
sobras e escuridão,
só tem a si e mais nada!

História triste,sem Happy And,
não lhe fartou a sorte,
assim no fim da tarde foi como veio,
abraçado com a morte!

Aqui não teve espaço,
nem carinho,nem abraço quente,
por ser invisível,Joãozinho,
foi só indigente.

Descansa das agruras,das desgraças,
é mais um exemplo do desprezo,
que a seleção impôs,
uma cruz,uma cova e o livro se fechou!

O banco da praça vazio,
agora só na memória,
seu inquilino mais nobre...
Agora é livro de História.

Reginaldo

domingo, 9 de novembro de 2014

"AS MARGENS DO ENCANTAMENTO"


O peixe soube-se rede,
quando se viu fora d`água,
perdido entre pernas e escamas.

Perdeu-se na heresia,
ao perceber sobre areia,
uma canção doce sereia.

Fez-se homem,
para domar a bela
sob a colcha de mar.

O tempo se faz vento
brisa encantamento,
maresia e relento.

Onde o homem soube-se refém
dos encantos,
virou sonho no sono dela.

Adormeceu a margem,
do mar,quando só queria Amar,
na calmaria.

Jose Reginaldo Da Silva da Silva

"PERCEPÇÃO"


Por ter a alma inquieta,
as mãos nervosas,
uma ânsia louca
de falar dos meus silêncios,
quis estar em versos
inversos ao claro do dia,
em rascunhos tortos,
pensos de pensar latente,
ardência de espirito,
que flutua em asas de mariposas,
no lume inebriante da lua cheia,
engolidos de escuridão,
neblina densa,
amanhecer úmido,
olhos de buscar lá dentro,
o que falta cá fora.
Noites distintas,
dias que se diferem,
cores em cinza,
tons negros de azuis,
no fim,papel e caneta,
vela acesa e luz,
outra vez me reverto em demasia,
em versos doces ,colhidos
nos canteiros da poesia.
Graças a Deus!

Jose Reginaldo da Silva

"LEVEZA"


Contra os fartos fardos...Fada,
contra todos os azares...Asas,
contra os pesadelos...Sonhos.

Para toda escuridão dos claros dias...
O som do silencio
e a luz da poesia.

Jose Reginaldo Da Silva da Silva

Volúpia

  volúpia   quero me perder nos seus confins sem sentido, dormir a sua sombra despir suas vestes, sedas e cetins revelar o desejo ...