quinta-feira, 16 de julho de 2026

premissa de primavera



 

 

há um além

que fica longe de mim.

é lá nesse além

aonde oculto as angústias.

 

lá é ermo e solitário,

nem um pé de felicidade

ousou brotar,

não há barulho...

 

o som é silêncio,

o ar parado

e o vento

é de dentro para fora.

 

não chove

é sombrio

não tem rio,

não tem nada...

 

embora muitas vezes

o nada transborda

e uma lágrima

rompe a secura.

 

de tempo em tempo

invento deuses menores

do que meu próprio deus

de templo em templo.

 

busco pertencer

ainda que longe de mim

no ermo da alma

flores-ser.

 

josé regi

   

sábado, 13 de junho de 2026

À PRIMEIRA VISTA

 



Um dia que não hoje

se não me foge a memória

Numa noite de novembro,

Relicário, eu me lembro

Nossos olhos se cruzaram

Como raio corta o céu,

Meu olhar perdeu o véu

Quando enfim te encontrou.

Me cegou completamente

Para as luzes ao redor

O silêncio que se fez

No romper da timidez

Foi abismo...

E me abraçou.

 

Avassalador o sentimento

No eterno do momento

Quando enfim se aproximou.

Disparou o coração

De tão forte a emoção...

Eu sabia que era amor!

E assim você chegou

Trazendo as incertezas

As dúvidas

As expectativas

Dessa tentativa

De ser “pra sempre”.

e foi a minha mais

bela poesia

 

Minha rotina

Meu roteiro

Minha inspiração

Meu sossego

e tormenta,

minha ira e alegria.

Tornou-se a razão dos meus dias

O motivo do caminhar

O sentido de despertar

Meu insistir em acreditar

No que o destino

Prometeu

Você é o amor

que me sustenta

É a minha fé em Deus.

José Regi

 

 

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Obsceno

 

 


 

Obsceno

 

 

Penetrar em riste sua entranha

Aquecer na doce fenda morna

Sugar-lhe em êxtase e transe

A volúpia com que me assanhas

 

Extinguir a carência e o fogo

Lamber seus lábios carnudos

Sugar estrelas no céu da boca

Perder sem defesa no seu jogo

 

Beijar-lhe suave os mamilos

Com a indecência da língua

Explodir jatos de saciedade

 

Ao sobreviver ao teu gozo

Deixar o vento secar o suor

Da nossa vil cumplicidade.

 

José Regi

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Orgasmo



 

Uma aventura louca

no breu da noite

a vivenciar...

De tesão embevecido,

hirto mergulho

executou.

 

Águas placidamente

aquecidas,

fendas, frestas

receptivas

num quase um rio

a desaguar.

 

Cada ida

e cada volta

suor e calafrio

misturava

as sensações.

 

Tateava o prazer

desse lugar sagrado.

Acordou atordoado

entre lençóis, fronhas

e travesseiros...

Despertou todo

molhado.

 

José Regi

segunda-feira, 30 de março de 2026

Memórias da meia noite

  


Guardo ainda...

Reflexos,

Lampejos

Nossos desejos

mórbidos.

O cheiro no dedo

do teu sexo,

nossos segredos...

Sórdidos.

 

Teus seios

roçando minha pele

Eriçando pelos

e meu falo.

Lasciva,

toda entregue

A volúpia

do meu tato.

 

Noite corporal

Nudez   

Dual

segunda intenção

Entrelaçar uníssono

Com gozo pleno

No final.

 

Depois...Procurar e

Encontrar outra vez o ar

Respirar

Suspirar

Pulsar lentamente...

 

Tomar um ban

ho

Deixar a água corrente

Voltar a alcova

Relaxar e dormir

Tranquilamente.  

 

Jose Regi 

quarta-feira, 25 de março de 2026

Mariposa



Veio num verso solto,

Lépida, desinibida,

Peito aberto

Corpo nu

E dançava tão livre

quanto uma folha ao vento.

 

Sem pudor

Sem amarras

Sem aparas

Liberta de todos os grilhões

Da moralidade.

 

Insinuava-se qual

Margarida a uma borboleta.

Trazia no olhar

A pureza casta,

Não se deixava adestrar

Castrar os desejos...

Era pura volúpia!

 

Até despertar

E sentir a dureza

No ponteiro apressado

Do relógio impondo tempo.

Cerceando vontade,

Encarcerando sonhos

Na timidez da realidade.

 

Vestiu

rapidamente o uniforme

Pegou o crachá

e a marmita,

Bateu o ponto

em cima da hora.

encasulou qual crisálida

em pupa de silêncio

e medos.

 

Agora anseia a noite

Para novamente

Reaver suas asas

Livrar-se do peso

Enfadonho.

Vestir-se de mariposa

Pelo menos nos sonhos.

 

José Regi

quinta-feira, 12 de março de 2026

Tentação


Em noite de lua cheia... 
Uiva na tua orelha 
Um anjo torto 
 De segundas intenções! 
Sussurra palavrões 
Daqueles que eriçam a pele, 
Atiça desejos 
e entrega nu... 
No quartinho 
De despejo. 


 José Regi

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Pedra amarela








Itajubá...Do guarani, relicário 
Ouro de tempo, sentinela 

Da língua Tupy originária, 
Simplesmente pedra amarela. 

 Itajubá de Padre Lourenço 
Seu pioneiro e fundador 
ercebeu potencial e fomento 
Para grande sucesso e valor 

 As margens do Sapucaí 
De caudaloso legado 
Muito tem contribuído 
Na projeção do estado. 

Conta seus dias em paz 
Na direção do futuro 
Calcada em fé contumaz 
Vai dissipando o escuro 

Há mais de duzentos anos 
Do seu despertar primeiro 
Tornou-se no altiplano 
Referência do brasileiro 

Suas montanhas e vales 
Sua gente trabalhadeira 
Isenta de todos os males 
Acolhedora e alvissareira 

Com suas universidades 
formando renomados doutores 
excelência e qualidade 
na educação de vencedores 

Segue a sina da grandeza 
Destinada a quem merece 
Com galhardia e nobreza 
Itajubá se apetece! 

Um pedaço do paraíso 
Na Mantiqueira encravada 
Itajubá portal do sorriso 
Cidade fácil de ser amada. 

José Regi

sábado, 30 de agosto de 2025

Medo de altura.

 


Eu,
poeta de superfície,
raso de chão e asas atrofiadas
Ofereço-vos o mirante
A beira dos meus abismos
Sem egoísmo oferto-vos
Tentativas de voos.
O mergulho
A incerteza
Do pouso seguro.
Dou a ti,
No escuro,
O lume da lua
O cio da loba
O uivo do vento...
A dança das folhas mortas
O sementio do horto
O tempo torto
E meus medos mais sórdidos.
O ócio
A ausência dorída
Asas parcas, feridas
O vazio e o eco.
Retiro o véu
Ofereço-vos
O céu
E o chão
Onde aguardo
Vosso pouso.

quarta-feira, 23 de julho de 2025

Saudade é tempo dizendo que não acabou

  •  
  •  


  •  O amor é um espanto
  • Um escárnio vivo.
  • É vento soprando
  • Sobre encantos cativos.
  • Fogo de chama forte
  • Encandeia os sentidos
  • Dói como arame farpado
  • No tempo de ter vivido.
  •  
  • Saudade é um escracho
  • E tempo tirando perfume
  • Do vaso de enfeite
  • Com flores de plástico.
  • Recende como incenso
  • Em tempo de pouco lume.
  • Em noites de pouco facho.
  •  
  • Paixão é lenha seca
  • De fácil combustão
  • Dois corpos suados
  • Em noites de verão.
  • paixão que vira amor
  • Por certo vira saudade
  • Em tempo de adeus tardio
  • No átimo de uma maldade.
  •  
  • Bom encontro é de dois
  • Já dizia a canção
  • Amor e paixão
  • é pra agora.
  • Saudade...
  • Saudade...
  • É pra depois.
  •  
  •  
  • José Regi


sexta-feira, 6 de junho de 2025

Menino do olho azul



Jaz infanta estripulia.
Ainda cedo corria pra rua o menino,
Não sabia nada de limites
E o mundo lhe era um convite
a campear.
Explorar além do horizonte
Da janela da sala
Da cercania entorno
Da margem da velha estrada.
Olhos azuis de céu
Asas nos pés
Era quase um semideus
Com todos os seus “eus’
Ainda incubado
De voos e sonhos.
Cismas várias
Não eximia os anseios,
Havia de ser grande
Já previa a cigana
Que vendia engodos
em troca de migalhas
Na esquina da rua do centro.
Desbravador solitário
Num relicário de teimosia
Esculpido a força
No tempo.
Jaz infanta estripulia
Na sucursal de ontem
Das gerais do sul...
Hoje homem feito adulto
Inventa versos como indulto
Para proteger
aquele menino do
olho azul.
José Regi

quinta-feira, 17 de abril de 2025

Enfim...

 



 

 

Dedico a vós o meu silêncio

A inquietude abismada

Dos meus versos

Esses voos ora preteridos

Deixo assim subentendido

Em pousos dantes...Arremetidos.

 

Vasto é a amplidão

Desse universo mudo

Eximido de eco

Ou retorno

Onde o exilio

É silente contuso.

 

Corto os punhos,

Dramático, patético

Suicídio poético

Antes, porém, rascunho

A sangue quente

A dor corrente

Na rubra tarde que cai

Aos pés da noite eterna.

 

Não tenho asas,

Nem pernas

Nem plumas

Ou penas

Que sentenciam o fim

No crepúsculo.

 

Há um último impulso

Antes da queda

Um último plano

Ante o medo da escuridão.

Respira afoito

Um derradeiro pulso...

 

Não há mais nada

Nunca houve,  

Nunca esteve.

Nunca foi...

Não há mais tempo!

Poema escrito

Sobre areia fina,

Só quem lê

É o vento.

 

José Regi

 

 

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

 


Fé é uma planta frágil

Regadas a gotículas

De esperança.

É acreditar no impossível,

No imponderável,

andar na contramão da lógica

Da realidade

e crer no invisível,

na onisciência,

No divinal.

 

Ter fé é cultivar

a ingenuidade

De uma criança,

A fragilidade

de uma mariposa no

Entorno da luz.

É entender possível

Quando tudo

Se mostra ao contrário.

 

Ter fé

É pegar no rosário e pedir

Como quem esfrega

Uma lâmpada mágica.

É não aceitar.

É a negação de si

Nas entrelinhas da sua

Própria incapacidade.

 

É acreditar numa utopia

Na poesia do inédito

No remédio amargo

No apelo ao vento

Ter fé é orar em silêncio

Durante um temporal...

Ansiar desvios,

Piquetes e atalhos

Na estrada da vida.

 

É a dureza do chão

A escassez do pão

É o calo das mãos

Ter fé é não ter explicação

É se nortear pelo íntimo

Se entregar a uma filosofia

É sacrifício de vida

Alienação, Aliança

E Abnegação

 

 

Ter fé é escrever torto

Em linhas retas

E não contestar.

Andar na contramão da seta

É ver razão e sentido

No projeto gêneses

É ter Deus...

E isso lhe bastar.

 

 

José Regi 28/11/24


sábado, 26 de outubro de 2024

Guardado

 



 

 

O que me prende não são cercas.

Acerca disso, encarcero-me.

Grades, gaiolas e asas de cera

No interior quase deserto de mim.

 

Tento a teimosia

Da brota, do florescer

Para assim ser

Pouso de insetos melíferos.

 

Nos outonos finais

Invento quimeras

Sobre folhas mortas

Soltas ao vento da estação.

 

No distante, não obstante

Uma araucária solitária

No estio cumpri (no imperativo)

Sua regra sina.

 

Livre de qualquer amarra

Arraigada,

Sentenciada

Ao lugar da queda.  

 

Eu que posso voar

Me prendo qual andrajos velhos

No arame farpado

No varal do tempo.

 

Sob calendários, agendas

Horários e itinerários

Ocultos nas entrelinhas

Das minhas utopias.

 

 

José Regi

sexta-feira, 11 de outubro de 2024

Delírios noturnos


 

 


 

Nunca provou o sal da barranca,

Ainda que em delírio houvesse

Mergulhos obscuros

Em águas mornas salobras...

Nunca lambuzou-me em teu suor.

 

Ainda que desejo fosse

Nunca tramou meu corpo

Em tuas teias sedosas,

Nunca acordou abruptamente

ao meu lado ofegante e molhada.

 

Sempre manteve o platonismo

E o egoísmo só pra si.


A volúpia é utopia

E a lascívia que imaginava

São devaneios de eras...

Um relicário profundo

Guardado no fundo

Do baú de quimeras.

 

Cartas de amor abortadas,

Amor monólogo unilateral

Num prólogo egoísta

Do seu eu...

Um dia que ela inventou

E que nunca aconteceu.

 

José Regi

sábado, 7 de setembro de 2024

Viajante

 


Um corpo dança ao som do relógio

Fitando o sol que não tarda a nascer

Presságio de luz no alto do pódio

Gaiolas abertas ao amanhecer

 

Aqui no lado de dentro do silêncio

Paredes brancas maculam-me a paz

Equilibro-me no arame fardado pênsil

No aguardo da brisa breve, mansa e fugaz

 

Um canto lírico ecoa no instante agora

A vida bate asas pela janela dos olhos

Pássaro de migragem se indo embora

Entre flores noturnas de época e afolhos

 

Apenas o canto livre das asas se ouve

No longe quase distante de tudo daqui

Encarcerado atrás dos caixilhos, ouse

Versar sobre avesso da fuga enfim...

 

Voos findos em oníricos oásis

Vida e morte, uma quase miragem

Entre o horizonte e a verticalidade

É o sono eterno ou seguir a viagem.

 

José Regi

 

sexta-feira, 17 de novembro de 2023

MEDOS E ENCANTOS

 



 

Tenho medo daquilo que conheço, dos buracos por onde andei, dos passos e rastros deixados nos medos que descartei.

Que o mundo me livre dos que me encaram olho no olho, sei das insanidades que esse humano é capaz, tão voraz como uma formiga cortadeira, que encontra o mel mais doce no pé espinhento de uma roseira.

Vai devastar-me a vivacidade e sugar sem dó minhas defesas. Por isso o medo evidente dessa gente que bate frente a frente nos dias que se faz realidade.

Atrai-me o desconhecido, energias e emoções, deuses sacros e pagãos, credos e outras seitas onde deleitas a imaginação.

Atiça-me a verdade dos desejos ocultos na proporção exata do encanto, onde o espanto equivale a vontade de entender o incompreensível, a magia das artes abstratas que retrata com fidelidade a alquimia dos mistérios, tão gloriosos, quanto gozosos.

Tenho dedicado atenção as rezas e as manifestações em línguas por curiosidade minha. Isso é parte dos encantos que guardo em segredo sob sete chaves.

Aliás esse é outro atrativo, a mística do número sete e tudo ao seu entorno. Sete anos no Tibet, sete noites e sete dias, sete mares naveguei, sete vidas tem o gato, sete pragas do Egito, sete luas novas...E tudo que está escrito.

São encantos que eu carrego e neles eu acredito. Tenho receio de regras, imposição e castigo, tenho ficado em silêncio, bem mais do que eu preciso, tentando adentrar sozinho a sétima porta do paraíso.

Numa manhã de ontem, dia nublado e frio, ouvi o canto do galo demasiado tardio, arrepiou-me a epiderme o agouro desse episódio, espiei pela janela o que seria esse alerta, cheguei a sentir ódio do pobre da sentinela.

Perdeu a hora do tempo, e seu relógio atrasado, não foi capaz de acordar na hora do tempo marcado. Por instinto soltou um canto um tanto descompassado, talvez por medo até ser degolado.

Medos e encantos são da nossa marca raiz, importante é viver a vida como mestre e aprendiz. Respeitar nossos limites e avançar quando der, ser do nosso tempo atris e ator e se possível feliz...Quando puder.

 

José Regi  

 

 

premissa de primavera

    há um além que fica longe de mim. é lá nesse além aonde oculto as angústias.   lá é ermo e solitário, nem um pé de fel...