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"CABEÇA DE VENTO"



A cabeça voa,
o corpo se arrasta,
as pernas não andam,
as sombras ...
Só sobras de mim!

Assim passarim,
cabeça de vento
vai céu adentro
aninhar-se nas nuvens!

Cansado do chão,
das rasteiras
do alçapão,apruma,
empluma e alça voo!

Aprendiz de céu,
mesclado ao azul,
só um risco na tela
e nada mais aos olhos.

Desbrava o imaginar,
reflexo do mar,
peixe voador
é passarim de aquário.

Gaiola de tempo,
sem grade na porta
espírito liberto
da clausura do corpo...

Cabeça de vento,
filho do chão,terra,
água dos olhos
que desemperra.

Passarim livre
que não sabe do jardim em flor,
foge das pragas que devoram a alma,
foge da dor.

Encara o novo desconhecido,
flutua nas asas rumo ao vazio,
cabeça de vento,passarim...
Menino arredio! Voa!


Reginaldo

Comentários

  1. Bom Dia Amigo Jose.
    È um prazer enorme conhecer seu blog,
    e tão belo pema.
    Fico feliz a cada
    poeta que vai
    surgindo na minha viagem .
    Um feliz final de semana.
    Abraços.
    Evanir.

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Enfim...

      Dedico a vós o meu silêncio A inquietude abismada Dos meus versos Esses voos ora preteridos Deixo assim subentendido Em pousos dantes...Arremetidos.   Vasto é a amplidão Desse universo mudo Eximido de eco Ou retorno Onde o exilio É silente contuso.   Corto os punhos, Dramático, patético Suicídio poético Antes, porém, rascunho A sangue quente A dor corrente Na rubra tarde que cai Aos pés da noite eterna.   Não tenho asas, Nem pernas Nem plumas Ou penas Que sentenciam o fim No crepúsculo.   Há um último impulso Antes da queda Um último plano Ante o medo da escuridão. Respira afoito Um derradeiro pulso...   Não há mais nada Nunca houve,   Nunca esteve. Nunca foi... Não há mais tempo! Poema escrito Sobre areia fina, Só quem lê É o vento.   José Regi    

Menino do olho azul

Jaz infanta estripulia. Ainda cedo corria pra rua o menino, Não sabia nada de limites E o mundo lhe era um convite a campear. Explorar além do horizonte Da janela da sala Da cercania entorno Da margem da velha estrada. Olhos azuis de céu Asas nos pés Era quase um semideus Com todos os seus “eus’ Ainda incubado De voos e sonhos. Cismas várias Não eximia os anseios, Havia de ser grande Já previa a cigana Que vendia engodos em troca de migalhas Na esquina da rua do centro. Desbravador solitário Num relicário de teimosia Esculpido a força No tempo. Jaz infanta estripulia Na sucursal de ontem Das gerais do sul... Hoje homem feito adulto Inventa versos como indulto Para proteger aquele menino do olho azul. José Regi

Medo de altura.

  Eu, poeta de superfície, raso de chão e asas atrofiadas Ofereço-vos o mirante A beira dos meus abismos Sem egoísmo oferto-vos Tentativas de voos. O mergulho A incerteza Do pouso seguro. Dou a ti, No escuro, O lume da lua O cio da loba O uivo do vento... A dança das folhas mortas O sementio do horto O tempo torto E meus medos mais sórdidos. O ócio A ausência dorída Asas parcas, feridas O vazio e o eco. Retiro o véu Ofereço-vos O céu E o chão Onde aguardo Vosso pouso. José Regi