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"ADULTEROU-SE"


Criança,
sentada na cerca,
cercada de esperança,
inocente,viçosa,
sem nada de petulância,
olhos de buscar horizontes,
cabelinho de fogo,
vestido de simplicidade,
sem chinelinho nos pés,
que sempre estavam descalços.
Ouvidos ao sons profundos,
escutando e aprendendo
dos podres do mundo.
Aquela criança,
colhendo o tempo,
que passara lento,
como vento de estação,
usava trança amarrada na ponta,
o que desapontava era o rosto escondido,
com medo do amanha.
O medo,esse daquela criança,
sentada na cerca,não foi com vento,
a criança se escondeu
dentro de si,permanece ali
com medo de tudo
do raso e do fundo
pois deixou de ouvir somente os sons,
agora lhe é real
o cheiro dos podres do mundo.
Agora chora o adulto,
o velho e o ancião,
a cerca caiu,
o horizonte se abriu,
a criança cresceu,
e se escondeu
atrás de dois olhos estupefatos,
no intimo de um ser atormentado
que não consegue mais entender,
pois deixou de ser aquela criança da cerca!

Jose Reginaldo Da Silva da Silva

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