sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

"CABOCLO KABUKI"



O vento soprou a canção,
era hora da dança da chuva,
nem de longe se via uma nuvem,
teria que ser por invocação.

A pajelança acendia o cachimbo,
chamava os deuses pra festa,
pra não haver desatino,
mascarava-se o destino.

A suavidade do vento,

som de colibri soava no ouvido,
dava pra ver a beleza das cores,
voar o pedido no tempo.

Barulho,benzeção e batuque 
vinha pra roda o chefe,
trazia consigo a tribo,
com mascaras kabuki. 

Poeira subia na batida do pé,
os deuses compadecidos,
agraciados retribuíam,
a chuva vinha com fé.

Hoje já não se dança pra chuva,
já não se invoca os deuses,
já não se ouvi o batuque.

Pra lembrar deste apagado do tempo,
o caboclo virou kabuki.



Reginaldo

Um comentário:

  1. Isso foi explosivo! Eu achei fantástico, uma possessão poética encantadora...

    Beijos,

    ResponderExcluir

Tentação

Em noite de lua cheia...  Uiva na tua orelha  Um anjo torto   De segundas intenções!  Sussurra palavrões  Daqueles que eriçam a pele,  Atiç...