Pular para o conteúdo principal

                        Querença
eu quero a fortaleza dos fracos
a juventude dos velhos
quero me desfazer desta casca
deixar a mostra o cerne
suportar as dores do mundo
mesmo as mais profundas
e marcantes.
não quero amor a conta gotas
nem felicidade em dose certa
quero errar para acertar
e quando acertar quero estar certo
quero me levantar ,andar ,caminhar
quero observar,reparar,fitar meus olhos em você
quero perceber e receber
doar sem ter,
quero ser...
externar minha fragilidade
mostrar minha fraqueza
quero me render a você
assim sem notar ,sem perceber
quero gravitar em sua órbita
viajar em seu pensamento
dormir e acordar ao relento
mesmo arrebentado por dentro
ser o seu lenço,molhado com seu pranto 
seu lamento,mais com a alma lavada,por ter sido ,
por um momento...
seu.
quero beber água fresca
da pichorra de barro 
esquecida lá fora
na bica que chora
inconsolável saudade
da fonte serena do alto da serra
quero enfim a simplicidade singela
namorar na janela,orar na capela
pegar a rosa mais linda
colocar no cabelo dela
depois com um beijo doce
acarinhar o seu rosto
abraçar o seu corpo
gritar em silencio ensurdecedor,
como é grande por ti meu amor.

Reginaldo

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Enfim...

      Dedico a vós o meu silêncio A inquietude abismada Dos meus versos Esses voos ora preteridos Deixo assim subentendido Em pousos dantes...Arremetidos.   Vasto é a amplidão Desse universo mudo Eximido de eco Ou retorno Onde o exilio É silente contuso.   Corto os punhos, Dramático, patético Suicídio poético Antes, porém, rascunho A sangue quente A dor corrente Na rubra tarde que cai Aos pés da noite eterna.   Não tenho asas, Nem pernas Nem plumas Ou penas Que sentenciam o fim No crepúsculo.   Há um último impulso Antes da queda Um último plano Ante o medo da escuridão. Respira afoito Um derradeiro pulso...   Não há mais nada Nunca houve,   Nunca esteve. Nunca foi... Não há mais tempo! Poema escrito Sobre areia fina, Só quem lê É o vento.   José Regi    

Menino do olho azul

Jaz infanta estripulia. Ainda cedo corria pra rua o menino, Não sabia nada de limites E o mundo lhe era um convite a campear. Explorar além do horizonte Da janela da sala Da cercania entorno Da margem da velha estrada. Olhos azuis de céu Asas nos pés Era quase um semideus Com todos os seus “eus’ Ainda incubado De voos e sonhos. Cismas várias Não eximia os anseios, Havia de ser grande Já previa a cigana Que vendia engodos em troca de migalhas Na esquina da rua do centro. Desbravador solitário Num relicário de teimosia Esculpido a força No tempo. Jaz infanta estripulia Na sucursal de ontem Das gerais do sul... Hoje homem feito adulto Inventa versos como indulto Para proteger aquele menino do olho azul. José Regi

Medo de altura.

  Eu, poeta de superfície, raso de chão e asas atrofiadas Ofereço-vos o mirante A beira dos meus abismos Sem egoísmo oferto-vos Tentativas de voos. O mergulho A incerteza Do pouso seguro. Dou a ti, No escuro, O lume da lua O cio da loba O uivo do vento... A dança das folhas mortas O sementio do horto O tempo torto E meus medos mais sórdidos. O ócio A ausência dorída Asas parcas, feridas O vazio e o eco. Retiro o véu Ofereço-vos O céu E o chão Onde aguardo Vosso pouso. José Regi