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INDAGAÇÕES


quanta vida ainda tenho?
quantos dias ainda me restam?
quanto tenho pra ganhar?
quanto ainda posso perder?
quanto tenho de amor pra dar?
quanto ainda vou receber?
quanto de sol vou tomar?
quanto a chuva ainda vai molhar?
quanto terei que caminhar?
quando saberei ,quando parar?
parar...?
quanta duvida inútil!
indagações,preocupações...
a prova,o teste é agora
neste instante...
a certeza certa,marcante
a vida não é mais que uma
nevoa,fina e dissipante,
pra que perder tempo com o
direito da duvida,se o dever
que eu tenho é viver o agora,
não lá traz,nem daqui á uma hora.
a coisa funciona assim 
tempo presente...
a duvida é a mais pura e ingenua
insegurança.
passo á passo firme e constante
vou seguindo a diante
pois sei que tudo que preciso
está logo ali depois da curva 
atraente e sinuosa, 
desta estrada esburacada,
sem acostamento,vegetação
nas margens e empoeirada.
minha estrada,traçada,delineada
forjada para o meu caminhar.
vida ,viagem do momento presente,
tão fugaz e incoerente.
caminhar é preciso,
andar é preciso,
buscar sempre é preciso,
pra ser feliz de vez em quando.
a vida é tão longa quanto
ao tempo de um fechar de olho,
o longo é o espaço de um instante,
não dá pra se ter o direito á duvida,
pois a certeza é dura e forte
no fim ... ela sempre nos espreita
a dama das sombras...
a morte.

Reginaldo

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Enfim...

      Dedico a vós o meu silêncio A inquietude abismada Dos meus versos Esses voos ora preteridos Deixo assim subentendido Em pousos dantes...Arremetidos.   Vasto é a amplidão Desse universo mudo Eximido de eco Ou retorno Onde o exilio É silente contuso.   Corto os punhos, Dramático, patético Suicídio poético Antes, porém, rascunho A sangue quente A dor corrente Na rubra tarde que cai Aos pés da noite eterna.   Não tenho asas, Nem pernas Nem plumas Ou penas Que sentenciam o fim No crepúsculo.   Há um último impulso Antes da queda Um último plano Ante o medo da escuridão. Respira afoito Um derradeiro pulso...   Não há mais nada Nunca houve,   Nunca esteve. Nunca foi... Não há mais tempo! Poema escrito Sobre areia fina, Só quem lê É o vento.   José Regi    

Menino do olho azul

Jaz infanta estripulia. Ainda cedo corria pra rua o menino, Não sabia nada de limites E o mundo lhe era um convite a campear. Explorar além do horizonte Da janela da sala Da cercania entorno Da margem da velha estrada. Olhos azuis de céu Asas nos pés Era quase um semideus Com todos os seus “eus’ Ainda incubado De voos e sonhos. Cismas várias Não eximia os anseios, Havia de ser grande Já previa a cigana Que vendia engodos em troca de migalhas Na esquina da rua do centro. Desbravador solitário Num relicário de teimosia Esculpido a força No tempo. Jaz infanta estripulia Na sucursal de ontem Das gerais do sul... Hoje homem feito adulto Inventa versos como indulto Para proteger aquele menino do olho azul. José Regi

Medo de altura.

  Eu, poeta de superfície, raso de chão e asas atrofiadas Ofereço-vos o mirante A beira dos meus abismos Sem egoísmo oferto-vos Tentativas de voos. O mergulho A incerteza Do pouso seguro. Dou a ti, No escuro, O lume da lua O cio da loba O uivo do vento... A dança das folhas mortas O sementio do horto O tempo torto E meus medos mais sórdidos. O ócio A ausência dorída Asas parcas, feridas O vazio e o eco. Retiro o véu Ofereço-vos O céu E o chão Onde aguardo Vosso pouso. José Regi