terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Sem sentido

 



 

A poema sem sentido

Não causa arrepio na pele.

Para sê-lo,

Há que haver um canal

Revolver a lama

A inquietação

Que cause por si só

O desejo de gritar.

 

De fazer mimica

Sozinho

De olhar para o nada

E imaginar

Em silêncio

Uma sensação

De alívio.

 

Uma quase morte

Num parto

A fórceps

Arrancando a dor

E dela um arremedo 

De vida.

 

Nesse sentido

Porém, palavras

Tem se afastado

Como pássaros ariscos.

 

As mãos rabiscam

Versetos desconexos,

Sem poesia

Quase sem sentido

Que a teimosia

Insiste em poetizar...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Voyeur

 



 

Decanta de canto de olho,

No intento recolhe

Encanto aos poucos.

Como louco delira

No que prefere silêncio

Entre gemidos e suspiros

O suor tempera

E anseia pelo gozo

Que o espera.

 

Por trás da cortina

A silhueta perfeita

Seduz e deleita

Entre lenções macios.

O desafio é resistir

A lascívia profana

Entregue na cama

Enquanto expele lava

Vulcão desperto

 

No ponto certo

Toques de dedos

Aguçam os sentidos

Já sem sentido

Se rende

Se desarma

Se desprende

Vencido pela volúpia

 

Ofegante

Se ajeita

Passa o lenço no rosto,

Ainda meio roto

Arruma o nó da gravata

Paga o dizimo

Recolhe seu egoísmo

Fecha a cortina

Sai sem alarde

E some

Além da esquina.

 

José Regi

 

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Choque de realidade

 



 

 

É da natureza do homem,

O delírio

O superlativo

O exagero

É isso que nos consome

O tempo e a vida

 

Essa nossa teimosia

Em complicar

E inventar dificuldades

Nos cega,

Nos impele o voo

Nos encurta o caminho

 

Quando se percebe

Que o simples é o melhor

Dos acessos...

Já nos perdemos na rota

Sem possibilidade de retorno´

 

É da natureza

Simplificar

O não inventar

O não dificultar

É da natureza cumprir

O combinado

 

E nos jardins dos dias

Nascer apenas

O que for semeado

A natureza é simples...

O homem

É que é complicado.

 

José Regi

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Incursões

 

 



 

 

Perambulei por vias escuras,

A procura

De um tal amor eterno.

Fui do paraíso ao inferno

E retornei ainda mais

Distante dele

 

Pouco a pouco

Essa obsessão

Revirou a vida

Mudou o pensar

Os sonhos

E se fez verso

 

Fui ao passado

Ainda morno,

Revirei o entorno

E ele não estava lá.

Do penhasco

Onde o mirante

Convidava ao voo cego

O escuro do vale

Não o escondia...

 

Estava em outra cercania,

Não havia o encontro perene

E o sossego.

Perdido andava em circulos

Sem perceber...

 

Mergulhei muitas vezes

No obscuro prazer,

No proibido,

Não convencional...

Mas ele não estava lá.

 

Retornei ao limbo da existência,

Da solidão,

Pena perpétua,

A condenação

Minha procura não finda

 

Inda que goze

Efêmeros instantes.

Sigo a sina,

Volto a cena,

E o cenário não muda...

Ele também

não está aqui.

 

José Regi

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Inquietudes temporais

 



 

 

Percebe-se no anteparo do olhar

Um resquício de angústia

Na soleira de entrada.

No tapete uma mensagem de boas vindas

 

A casa aparentemente arrumada

Dá uma ideia de organização

Emocional equilibrada

Qual nada! Ele é humano!

 

Dessa forma

O sorriso externo

Quase Monalisa, disfarça.

Mistérios de uma alma incompleta.

 

A conjuração decepcionante de fatos

Situações contrárias ao bem estar

Roubam a paz dos desertos

E o tempo do poeta.

 

José Regi

 

 

 

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Erupção

 



 

Teus olhos azuis ensolarados

Acendem o luzeiro,

Exala calor teus desejos vindouros

Para o espelho que lhe nega um sorriso

 

Assina no vidro embaçado do box

Um verso explicito de escárnio,

Água fria do banho não abranda

O incêndio interior que ferve

 

Volúpia em carne viva

Dedos ávidos aventureiros

Gemidos suprimidos

Num gozo quase silêncio

 

Tua solidão suscita fuga

Teu desejo rompe gaiolas

Efêmeros oásis

Possibilitam o voo solo

 

Onde desagua por inteiro

Teus rios de lava

Onde lavas a alma

E volta a sonhar.

 

José Regi  


 

sábado, 29 de outubro de 2022

ESPERANÇAR


 

Tempo vil,de amor subjulgado,pobre 

Exalta o ódio semeado a esmo e solto  

Corações de pedra, quase nunca nobre   

Sarcástico,egoísta,desumano e louco  

 

Ele sempre esperançou nova estação 

Em silêncio casto,na flora da calçada 

Escolheu no rimário sacro da emoção 

O limear tempo gentil doutra florada 

 

O verbo conjugado no silêncio opaco 

Reverbera em um desejo celere novo 

Onde o amor em plenitude aconteça. 

 

Segue o poeta a estação das calçadas 

Na insistente primavera sem tempo 

Onde o ódio morra e o amor prevaleça. 

 

José Regi 

premissa de primavera

    há um além que fica longe de mim. é lá nesse além aonde oculto as angústias.   lá é ermo e solitário, nem um pé de fel...