terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

"SONÂMBULO"


Nasce o dia ,
abre-se as portas do tempo,
abro a janela,
recebo o carinho do vento,
vem dizendo baixinho seu lamento,
resmungando ranzinza por estar longe do mar.

Sopra sereno,
não está bravo,
só saudoso.
Varre o caminho das folhas secas,
das arvores que o outono começa a desnudar,
é hora de renovar,mudar,sentir.

Aquele amor ardente,
que o verão escaldante,
presenteou,agora pode vingar,
com a proximidade do frio,se aproximar.

A noite se foi nem dei conta,
o sol já se fez lá além,
já abri as janelas,
as portas e os jardins,
até o vento já beijou o meu rosto...

Ainda viajo no sonhos,
perdido querendo encontrar,
aquela dos meus delírios,
entre as margaridas um lírio,
a canção do meu estribilho.

Sonâmbulo...
Falta só abrir os olhos!

Reginaldo

domingo, 9 de fevereiro de 2014

"LACUNA"





              "NO COMEÇO DAS COISAS E NO FIM DE TUDO,




                 EXISTE UM ESPAÇO VAZIO CHAMADO ESPERANÇA!"                 



                                                                     Reginaldo

"ETERNO AMOR"

Descansa  no peito
um amor a despeito
de um sentimento mórbido.

A mistica de eternizar,
pra vidas depois,
mumificar.

A milhas do mar,
no deserto de um inútil existir,
um amor milenar.

Mirra,incenso e lençóis,
o que parece mortalha,
são pedaços de nós .

Histórias a contar,
contos pra narrar,
de idos e doidos.

A deusa dos meu sonhos,
aguarda um despertar,
deste sentimento eterno.

Não morre jamais,
quem se predispõe,
ao um eterno amar.








"AMARELOU"

Amanhece no campo,
neblina baixa,
flores orvalhadas,
cheiro de terra molhada,
do banquinho na varanda,

observa-se o sol tímido,
meio com medo de atravessar o céu,
despontar no horizonte.

Vem empurrado pela lua
que foi dormir depois da farra,
onde desfilou entre estrelas
e brilhou mais que todas.

Abre-se novamente o dia,
o azul na imensidão celestial,
pássaros revoam,
cantam,alegram.

Ao longe o barulho da bica,
que despeja intermitente
água perene pra sede,
pro corpo e pra alma.

Vemos tudo isso quando amanhece no campo!
Do banquinho da varanda.
Com a caneca esmaltada,
café quente e
uma taia de queijo.

No quintal ali bem perto,
uma surpresa se aquarela,
aquele ipê que foi dormir verde...
Amanheceu amarelo.

É o amanhecer no campo!


Reginaldo

sábado, 8 de fevereiro de 2014

"NÃO TEM NADA"



Minha poesia é muda,
miúda e fragmentada.

Não tem o charme,
nem as pedras de Drummond,
nem tampouco falam com os passarinhos,
como as do Manoel de Barros.

Porque é muda minha poesia,
Tem muito de mim,
nada do mundo,
não tem água,
não tem sombra,
não tem nada.

No silencio,
já foi semente,
agora muda,
espera ser grande...

Gente.

Muda ainda broto,
quer ser arvore,
falta solo,
sobra sonhos. 

Reginaldo

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

"SERENO OLHAR"

"SERENO OLHAR"

Olhar que se funde com a felicidade da alma,
olhar que sorri apesar dos pesares,
olhar de olhar pra dentro dos vazios,
olhar de buscar completude ante as lacunas do tempo,

olhar que encontrou amigos sem nunca ter olhado nos olhos deles,
olhar amigo ,
olhar sereno,
olhar pequeno,
só olhar...

Tema sugerido por Lenka Moraes.


Reginaldo

"CABOCLO KABUKI"



O vento soprou a canção,
era hora da dança da chuva,
nem de longe se via uma nuvem,
teria que ser por invocação.

A pajelança acendia o cachimbo,
chamava os deuses pra festa,
pra não haver desatino,
mascarava-se o destino.

A suavidade do vento,

som de colibri soava no ouvido,
dava pra ver a beleza das cores,
voar o pedido no tempo.

Barulho,benzeção e batuque 
vinha pra roda o chefe,
trazia consigo a tribo,
com mascaras kabuki. 

Poeira subia na batida do pé,
os deuses compadecidos,
agraciados retribuíam,
a chuva vinha com fé.

Hoje já não se dança pra chuva,
já não se invoca os deuses,
já não se ouvi o batuque.

Pra lembrar deste apagado do tempo,
o caboclo virou kabuki.



Reginaldo

Volúpia

  volúpia   quero me perder nos seus confins sem sentido, dormir a sua sombra despir suas vestes, sedas e cetins revelar o desejo ...