Porque a vida é fugaz,fiz-me palavras doces em cachoeiras,esparramando e umidecendo olhares,despertando sonhares,fazendo voar num súbito bater de asas e pouso de passarinhos.
sexta-feira, 6 de junho de 2025
Menino do olho azul
quinta-feira, 17 de abril de 2025
Enfim...
Dedico
a vós o meu silêncio
A
inquietude abismada
Dos
meus versos
Esses
voos ora preteridos
Deixo
assim subentendido
Em
pousos dantes...Arremetidos.
Vasto
é a amplidão
Desse
universo mudo
Eximido
de eco
Ou
retorno
Onde
o exilio
É
silente contuso.
Corto
os punhos,
Dramático,
patético
Suicídio
poético
Antes,
porém, rascunho
A
sangue quente
A
dor corrente
Na
rubra tarde que cai
Aos
pés da noite eterna.
Não
tenho asas,
Nem
pernas
Nem
plumas
Ou
penas
Que
sentenciam o fim
No
crepúsculo.
Há
um último impulso
Antes
da queda
Um
último plano
Ante
o medo da escuridão.
Respira
afoito
Um
derradeiro pulso...
Não
há mais nada
Nunca
houve,
Nunca
esteve.
Nunca
foi...
Não
há mais tempo!
Poema
escrito
Sobre
areia fina,
Só
quem lê
É
o vento.
José
Regi
quinta-feira, 28 de novembro de 2024
Fé
Fé é uma planta frágil
Regadas a gotículas
De esperança.
É acreditar no impossível,
No imponderável,
andar na contramão da lógica
Da realidade
e crer no invisível,
na onisciência,
No divinal.
Ter fé é cultivar
a ingenuidade
De uma criança,
A fragilidade
de uma mariposa no
Entorno da luz.
É entender possível
Quando tudo
Se mostra ao contrário.
Ter fé
É pegar no rosário e pedir
Como quem esfrega
Uma lâmpada mágica.
É não aceitar.
É a negação de si
Nas entrelinhas da sua
Própria incapacidade.
É acreditar numa utopia
Na poesia do inédito
No remédio amargo
No apelo ao vento
Ter fé é orar em silêncio
Durante um temporal...
Ansiar desvios,
Piquetes e atalhos
Na estrada da vida.
É a dureza do chão
A escassez do pão
É o calo das mãos
Ter fé é não ter explicação
É se nortear pelo íntimo
Se entregar a uma filosofia
É sacrifício de vida
Alienação, Aliança
E Abnegação
Ter fé é escrever torto
Em linhas retas
E não contestar.
Andar na contramão da seta
É ver razão e sentido
No projeto gêneses
É ter Deus...
E isso lhe bastar.
José Regi 28/11/24
sábado, 26 de outubro de 2024
Guardado
O que me prende não são cercas.
Acerca disso, encarcero-me.
Grades, gaiolas e asas de cera
No interior quase deserto de mim.
Tento a teimosia
Da brota, do florescer
Para assim ser
Pouso de insetos melíferos.
Nos outonos finais
Invento quimeras
Sobre folhas mortas
Soltas ao vento da estação.
No distante, não obstante
Uma araucária solitária
No estio cumpri (no imperativo)
Sua regra sina.
Livre de qualquer amarra
Arraigada,
Sentenciada
Ao lugar da queda.
Eu que posso voar
Me prendo qual andrajos velhos
No arame farpado
No varal do tempo.
Sob calendários, agendas
Horários e itinerários
Ocultos nas entrelinhas
Das minhas utopias.
José Regi
sexta-feira, 11 de outubro de 2024
Delírios noturnos
Nunca provou o sal da barranca,
Ainda que em delírio houvesse
Mergulhos obscuros
Em águas mornas salobras...
Nunca lambuzou-me em teu suor.
Ainda que desejo fosse
Nunca tramou meu corpo
Em tuas teias sedosas,
Nunca acordou abruptamente
ao meu lado ofegante e molhada.
Sempre manteve o platonismo
E o egoísmo só pra si.
A volúpia é utopia
E a lascívia que imaginava
São devaneios de eras...
Um relicário profundo
Guardado no fundo
Do baú de quimeras.
Cartas de amor abortadas,
Amor monólogo unilateral
Num prólogo egoísta
Do seu eu...
Um dia que ela inventou
E que nunca aconteceu.
José Regi
sábado, 7 de setembro de 2024
Viajante
Um corpo dança ao som do relógio
Fitando o sol que não tarda a nascer
Presságio de luz no alto do pódio
Gaiolas abertas ao amanhecer
Aqui no lado de dentro do silêncio
Paredes brancas maculam-me a paz
Equilibro-me no arame fardado pênsil
No aguardo da brisa breve, mansa e fugaz
Um canto lírico ecoa no instante agora
A vida bate asas pela janela dos olhos
Pássaro de migragem se indo embora
Entre flores noturnas de época e afolhos
Apenas o canto livre das asas se ouve
No longe quase distante de tudo daqui
Encarcerado atrás dos caixilhos, ouse
Versar sobre avesso da fuga enfim...
Voos findos em oníricos oásis
Vida e morte, uma quase miragem
Entre o horizonte e a verticalidade
É o sono eterno ou seguir a viagem.
José Regi
sexta-feira, 17 de novembro de 2023
MEDOS E ENCANTOS
Tenho medo daquilo que conheço, dos buracos por onde andei,
dos passos e rastros deixados nos medos que descartei.
Que o mundo me livre dos que me encaram olho no olho,
sei das insanidades que esse humano é capaz, tão voraz como uma formiga
cortadeira, que encontra o mel mais doce no pé espinhento de uma roseira.
Vai devastar-me a vivacidade e sugar sem dó minhas
defesas. Por isso o medo evidente dessa gente que bate frente a frente nos dias
que se faz realidade.
Atrai-me o desconhecido, energias e emoções, deuses
sacros e pagãos, credos e outras seitas onde deleitas a imaginação.
Atiça-me a verdade dos desejos ocultos na proporção
exata do encanto, onde o espanto equivale a vontade de entender o incompreensível,
a magia das artes abstratas que retrata com fidelidade a alquimia dos mistérios,
tão gloriosos, quanto gozosos.
Tenho dedicado atenção as rezas e as manifestações em línguas
por curiosidade minha. Isso é parte dos encantos que guardo em segredo sob sete
chaves.
Aliás esse é outro atrativo, a mística do número sete
e tudo ao seu entorno. Sete anos no Tibet, sete noites e sete dias, sete mares naveguei,
sete vidas tem o gato, sete pragas do Egito, sete luas novas...E tudo que está escrito.
São encantos que eu carrego e neles eu acredito. Tenho
receio de regras, imposição e castigo, tenho ficado em silêncio, bem mais do
que eu preciso, tentando adentrar sozinho a sétima porta do paraíso.
Numa manhã de ontem, dia nublado e frio, ouvi o canto
do galo demasiado tardio, arrepiou-me a epiderme o agouro desse episódio,
espiei pela janela o que seria esse alerta, cheguei a sentir ódio do pobre da
sentinela.
Perdeu a hora do tempo, e seu relógio atrasado, não
foi capaz de acordar na hora do tempo marcado. Por instinto soltou um canto um
tanto descompassado, talvez por medo até ser degolado.
Medos e encantos são da nossa marca raiz, importante é
viver a vida como mestre e aprendiz. Respeitar nossos limites e avançar quando der,
ser do nosso tempo atris e ator e se possível feliz...Quando puder.
José Regi
premissa de primavera
há um além que fica longe de mim. é lá nesse além aonde oculto as angústias. lá é ermo e solitário, nem um pé de fel...
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Eu, poeta de superfície, raso de chão e asas atrofiadas Ofereço-vos o mirante A beira dos meus abismos Sem egoísmo oferto-vos Tentativas d...
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Dedico a vós o meu silêncio A inquietude abismada Dos meus versos Esses voos ora preteridos Deixo assim subentendido E...
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Jaz infanta estripulia. Ainda cedo corria pra rua o menino, Não sabia nada de limites E o mundo lhe era um convite a campear. Explorar além ...






