domingo, 9 de fevereiro de 2014

"AMARELOU"

Amanhece no campo,
neblina baixa,
flores orvalhadas,
cheiro de terra molhada,
do banquinho na varanda,

observa-se o sol tímido,
meio com medo de atravessar o céu,
despontar no horizonte.

Vem empurrado pela lua
que foi dormir depois da farra,
onde desfilou entre estrelas
e brilhou mais que todas.

Abre-se novamente o dia,
o azul na imensidão celestial,
pássaros revoam,
cantam,alegram.

Ao longe o barulho da bica,
que despeja intermitente
água perene pra sede,
pro corpo e pra alma.

Vemos tudo isso quando amanhece no campo!
Do banquinho da varanda.
Com a caneca esmaltada,
café quente e
uma taia de queijo.

No quintal ali bem perto,
uma surpresa se aquarela,
aquele ipê que foi dormir verde...
Amanheceu amarelo.

É o amanhecer no campo!


Reginaldo

sábado, 8 de fevereiro de 2014

"NÃO TEM NADA"



Minha poesia é muda,
miúda e fragmentada.

Não tem o charme,
nem as pedras de Drummond,
nem tampouco falam com os passarinhos,
como as do Manoel de Barros.

Porque é muda minha poesia,
Tem muito de mim,
nada do mundo,
não tem água,
não tem sombra,
não tem nada.

No silencio,
já foi semente,
agora muda,
espera ser grande...

Gente.

Muda ainda broto,
quer ser arvore,
falta solo,
sobra sonhos. 

Reginaldo

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

"SERENO OLHAR"

"SERENO OLHAR"

Olhar que se funde com a felicidade da alma,
olhar que sorri apesar dos pesares,
olhar de olhar pra dentro dos vazios,
olhar de buscar completude ante as lacunas do tempo,

olhar que encontrou amigos sem nunca ter olhado nos olhos deles,
olhar amigo ,
olhar sereno,
olhar pequeno,
só olhar...

Tema sugerido por Lenka Moraes.


Reginaldo

"CABOCLO KABUKI"



O vento soprou a canção,
era hora da dança da chuva,
nem de longe se via uma nuvem,
teria que ser por invocação.

A pajelança acendia o cachimbo,
chamava os deuses pra festa,
pra não haver desatino,
mascarava-se o destino.

A suavidade do vento,

som de colibri soava no ouvido,
dava pra ver a beleza das cores,
voar o pedido no tempo.

Barulho,benzeção e batuque 
vinha pra roda o chefe,
trazia consigo a tribo,
com mascaras kabuki. 

Poeira subia na batida do pé,
os deuses compadecidos,
agraciados retribuíam,
a chuva vinha com fé.

Hoje já não se dança pra chuva,
já não se invoca os deuses,
já não se ouvi o batuque.

Pra lembrar deste apagado do tempo,
o caboclo virou kabuki.



Reginaldo

"ÁGUA NA FOLHA"



Antes que a morte me pegue,
assim de surpresa.

Fazer-te-ei a gentileza,

semearei ternura,
por onde pisar os teu pés.

Jardineiro de sonhos,
arrancarei a praga dos pesadelos,
estas que sufocam o voo
inconsciente noturno.

Pegarei pra você água fresca na folha,
saciarei de ti os desejos mais profanos.
Pois entre o começo e o fim de tudo,
existe uma lacuna que se chama esperança.

Recolho-me no encanto,
entretanto ainda me espanto
com um sorriso teu,
amanhece na alma calma,
teus olhos nos meus.

Neste jardim enfim,
nascerá flor da sensibilidade,
sentira por mim maior amor,
de verdade!

Espero antes do fim,
antes de ir,
antes que a morte me pegue
assim de surpresa!

Faz de mim teu canteiro de rosas,
roube de mim o perfume,
pouse suave nas Margaridas,
dos pirilampos apenas o lume.

E quando nada mais houver pra dar...

Que ainda reste me amar!
Reginaldo

EDIFÍCIO...

EDIFÍCIO...


ANDARES,


VOARES,


CAMINHARES...



E DIFÍCIL,



SE NÃO TENTARES!



Reginaldo

"RASTEIRO"



"A VIDA ME DEU TANTOS PLANOS DE VOO,


E EU DECIDI CAMINHAR...



AINDA QUE AS VEZES,


INVEJE OS PÁSSAROS"



Reginaldo

Volúpia

  volúpia   quero me perder nos seus confins sem sentido, dormir a sua sombra despir suas vestes, sedas e cetins revelar o desejo ...