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Princípio Ativo.


Era pra falar de amor, sem dor, sem odor.
Amor insípido, puro de carne sem toque,
Verbo virginal como o amanhecer de amanhã
Que ainda não sentiu a lascívia do sol.
Era para ser, sem ter num plano etéreo
Platônico. Imaginado vivo como corte indolor.
Era pra ser amor e mais nada
Neste delirar nefasto que me consome.
Mas que amor é este que faz sofrer
Que faz do homem criança arredia e chorosa
Pelos cantos da vida, pelas vias da solidão.
Que mundo é este que não tem cor?
O que fizeram com a nobreza deste sentimento?
Arrancaram o jardim das flores e meteram cimento
Roubaram o encanto do azul, pintaram de cinza.
O imenso manto,descoloriram o firmamento.
As ruas estão cheias de distâncias, sem sorriso.
Sem cortesia, sem nada e sem poesia.
Inventaram a loucura, as doenças sem curas.
Desertificaram os oásis... Secura.
Não deixaram respostas, nem mapa, nem rota.
Impuseram a escuridão e roubaram a luz do fim do túnel
Apagaram o farol que Luzia o caminho
Cortaram a última rosa e deixaram o espinho.
Enfim o silêncio grita saturado pela anarquia instaurada
Há um conflito eminente entre a alma lúdica
E a utopia do reencontro... Em vão
A boca pergunta onde estão?
Cadê, por que, aonde foi se esconder.
Aquilo que fazia flutuar só de olhar
Aquela efeméride perene e fugácea
Que durava uma eternidade.
A Dureza das pedras do leito agora seco no meu peito
Ainda suga a seiva verde do limo impregnado... Esperança
Que seja o amor ainda a resposta para as inquietações do homem
Quando este se entender mais humano.
Que cesse o que for profano
Que ele volte aos encantos sem dilema
Para abrandar minhas tormentas
E assim trazer respostas ao meu teorema.
Pois para o poeta,o amor ainda é o melhor tema!

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