segunda-feira, 29 de setembro de 2014

"EU"


Saudade daquele tempo gravido de futuro,
sem as maculas de um passado obscuro,
onde as superficialidade profunda
sempre metia seu bedelho.

Hoje busco no espelho
reflexo da luz dos olhos,
aquele que via azul
em meio ao breu do desconhecido.

Fico estarrecido,
me vejo perdido por não encarar
o que insiste em mostrar o espelho,
uma alma despida de sossego.

Nas intercorrências rotineiras,
nos dias vindouros sem poesia,
na truculência dos atos insanos,
que me fazem humano.

Me vejo tão fora do interior,
que me perco debaixo dos olhos,
numa ilha solitária,
no arquipélago do meu peito.

É meu defeito dissimular,
mascarar a felicidade
ocultar em carcere a liberdade
de um livre arbítrio arbitrário.

Vou romper com o espelho,
assumir meus demônios,
transmutar para os sonhos
onde possa ser feliz amanhã.

Só espero a coragem,
chegar no vento de outra estação,
onde eu possa parir novo tempo,
despido de qualquer ilusão.

Então serei "EU"a verdade,
que os cacos do espelho agora mostram.
Um mosaico de muitos olhares,
decifrando meus enigmas.

Reginaldo

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