quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Entre muros





 

 

Uma noviça

Com crises existenciais

Grita contidas inquietações

Repleta de desejos e vícios carnais

Não nega

Tampouco oculta às sensações

 

Anda aturdida

Pelos corredores do mosteiro

Esfregando em todas as pontas que encontra

Tem calafrios e cio

Igual a um cavalo inteiro

Não respeita os limites da cerca,

Por uma monta

 

Sua boca

Suculenta e carnuda é um delírio

Quando sussurra absurdos não catalogados

Ela geme sentada no braço da poltrona,

De arrepio

Tem espasmos curtos

E gozos prolongados

 

Ela não sabe ao certo

A direção do poente

Às vezes chora arrependida,

Noutras é sarcástica,

Traz entre as pernas um vulcão ardente

Às vezes meiga, noutras dramática

 

Não sabe nada de fé ou religiosidade

O mosteiro

É vontade de seus pais,

Fé perdeu inda criança

Junto com a virgindade

Molestada que foi por entes bestiais

 

Viveu o inferno,

Nunca quis saber de santidade

Aprendeu cedo à normalidade da hipocrisia

Fez da sexualidade

Sua vil defesa sem castidade

Maturou no cerne da carne

Toda forma de rebeldia

 

A noviça

No auge da crise existencial

Rasga as vestes e desnuda-se ardilosa

Insinua e sensualiza

Brincando com castiçal

Num transe abissal...

Enquanto goza.

 

José Regi


Tentação

Em noite de lua cheia...  Uiva na tua orelha  Um anjo torto   De segundas intenções!  Sussurra palavrões  Daqueles que eriçam a pele,  Atiç...