Pular para o conteúdo principal

"FOI SONHO MEU"



Enfim ,desembarquei.

Foi uma viagem longa,
oito horas de deslumbre
e encantamento,
viajando ao sabor das utopias,
realizando desejos ,
saciando a fome de viver,
de amar, de morrer.

Não existia frio,
o calor era ameno,
a noite o dia fundiram-se,
não existia o tempo,
tudo era um só instante,
um único momento.

Era a imortalização 
do querer ficar,
do não regressar,
do ir além do imaginar.

Lugares aprazíveis,
floridos,montanhas,
cascatas,mananciais de curso lento,
água pura em folha de inhame,
saciava a sede da viagem.

Animais doceis,
pássaros cantores,
colibris e beija flores,
uma festa multicor,
de gosto sentido na boca,
a brisa mansa
soprava uma silenciosa canção.

Ai começou a parar o trem,
foi diminuindo,diminuindo...
Parou...

Tempo esgotado,o dia arregala-se,
a dureza real chama pra vida,
levanto,estou aqui,
com as dores de ontem,
com os desejos inacabados,
eu incompleto, imperfeito
desço do leito que foi o trem da viagem,
desembarco.

Segue a utopia,
no inteiro dia claro,
corre o tempo,
não ha lamento,luta,luto,
ha busca e espera eterna,
pela visão do sonho que trouxe a noite,
pelo paraíso,
pela realização,
eu amigo da escuridão.

Aguardo nova viagem,
bilhete comprado,
passagem.

Que venha a noite,o leito,
pois quero de volta,
voltar a sonhar.

Reginaldo 04/12/2013

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Enfim...

      Dedico a vós o meu silêncio A inquietude abismada Dos meus versos Esses voos ora preteridos Deixo assim subentendido Em pousos dantes...Arremetidos.   Vasto é a amplidão Desse universo mudo Eximido de eco Ou retorno Onde o exilio É silente contuso.   Corto os punhos, Dramático, patético Suicídio poético Antes, porém, rascunho A sangue quente A dor corrente Na rubra tarde que cai Aos pés da noite eterna.   Não tenho asas, Nem pernas Nem plumas Ou penas Que sentenciam o fim No crepúsculo.   Há um último impulso Antes da queda Um último plano Ante o medo da escuridão. Respira afoito Um derradeiro pulso...   Não há mais nada Nunca houve,   Nunca esteve. Nunca foi... Não há mais tempo! Poema escrito Sobre areia fina, Só quem lê É o vento.   José Regi    

Menino do olho azul

Jaz infanta estripulia. Ainda cedo corria pra rua o menino, Não sabia nada de limites E o mundo lhe era um convite a campear. Explorar além do horizonte Da janela da sala Da cercania entorno Da margem da velha estrada. Olhos azuis de céu Asas nos pés Era quase um semideus Com todos os seus “eus’ Ainda incubado De voos e sonhos. Cismas várias Não eximia os anseios, Havia de ser grande Já previa a cigana Que vendia engodos em troca de migalhas Na esquina da rua do centro. Desbravador solitário Num relicário de teimosia Esculpido a força No tempo. Jaz infanta estripulia Na sucursal de ontem Das gerais do sul... Hoje homem feito adulto Inventa versos como indulto Para proteger aquele menino do olho azul. José Regi

Medo de altura.

  Eu, poeta de superfície, raso de chão e asas atrofiadas Ofereço-vos o mirante A beira dos meus abismos Sem egoísmo oferto-vos Tentativas de voos. O mergulho A incerteza Do pouso seguro. Dou a ti, No escuro, O lume da lua O cio da loba O uivo do vento... A dança das folhas mortas O sementio do horto O tempo torto E meus medos mais sórdidos. O ócio A ausência dorída Asas parcas, feridas O vazio e o eco. Retiro o véu Ofereço-vos O céu E o chão Onde aguardo Vosso pouso. José Regi