sábado, 2 de setembro de 2023

Volúpia

 



 

Eu, que desejo

O néctar inebriante

Do teu beijo

E depois...

Lambuzar-me

No abuso desse

Louco imaginar

Quero tocá-la

E sentir na ponta dos dedos

Ao calor que emana

Dos teus confins...

Enfim me perder

Na sinuosidade

De tuas curvas,

Deslizar e cair

Na luxúria

E por fim

E morrer no teu gozo.

 

José Regi

 

 

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Poema para instante agora



 

No condicional...

Não tem que ser assim superficial

Essa aventura eventual

No tempo de um temporal

Que caiu no fim

Da tarde de ontem

 

No condicional...

Há que se ter o mergulho

No abissal sentido pleno

O respirar terra molhada

Dá sensação de estar aqui

Embora em viagem

Insólita ao seu interior.

 

No condicional...

Cada toque

Cada cheiro

Cada gosto

E em cada olhar

Um filtro maxificador

Para cada micro sentido

 

Ter no condicional,

Alegrias aleatórias

Sorrisos espontâneos

Sentir-se bem

Na simplicidade do instante

Ante a complexidade

Vital que faz a roda girar.

 

No condicional...

Regar as flores

Atenuar as dores

Sentir os sabores

Nos estertores da vida

Enquanto respira esperança

Aquela criança teimosa

De ontem.

 

José Regi

 

terça-feira, 25 de julho de 2023

Flores do Manacá

 



O manacá da serra

Que plantei na terra,

Do fundo do meu quintal,

Amanheceu sorrindo

De tão lindo

Que floresceu.

 

O perfume é outro lume

Tão igual nunca senti

Tem cheiro de esperança

Quebrando a realidade

Um diferencial

De tudo que já vivi.

 

Cores vivas

que encantam

Chamariz a bichos tantos...

Pássaros, abelhas, joaninhas

Pousam e enfeitiçam

Esse meu dês-pertencer

 

Esse meu desacreditar

Que esses olhos jardineiros

Colheram lá no terreiro

Nesse início de manhã

Nas flores do Manacá.

 

José Regi

 

  

sábado, 10 de junho de 2023

Nós dois

 



 

Eu e você, somos um,

Na fluidez desses delírios

Um mergulho sacana

Corpo e pele

Nosso prazer é colírio,

Verbo e carne profana

Somos mar em profusão

Na confusão de sentidos

Na chuva morna desse

Temporal de tesão...

 

É você,

Minha estrada sem rota

Curvas de perdição

Corpo suado na porta

Volúpia, erupção

Liquida e sedenta

Tateando oculta fonte

Paraíso adentras,

Delimita horizontes

 

É assim cascata

Quente de jorro farto

Entrega lasciva

Entrelaçar de corpos...

Fusão.

És calmaria e arrebentação

Toda forma de querer

És fogo

Paixão

Sob a égide

De Eros e Psyche.

 

José Regi

 

 

 

segunda-feira, 24 de abril de 2023

Braile

 

 



 

Cego,

Invento passos

Absorvo sabores

Tateio sentidos

Com a ponta da língua

 

Abarco

Teu corpo nos braços

Amasso,

Beijo e cheiro

Tua essência

 

Por inteiro,

Me entrego aos teus delírios

Te ofereço calafrios no pouso

Enquanto voas

Suave e saciado gozo.

 

José Regi

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Tirando você, não tenho carências

 



Gosto da seda,

Na maciez dos seus lábios,

Gosto da sua ingênua sedução,

Seu olhar buscante,

A têz cheirando lascívia,

A terceira visão.

 

Gosto da entrega,

Onde você se esfrega em mim,

Do início sem fim

E se derrama sobre a cama...

 

Suas vestes de cetin,

Seu jeito,

Seu calor,

O aroma especifico,

Seu tesão,

Meu amor. 

 

José Regi

sexta-feira, 31 de março de 2023

Desagravo

 

 


 

Não tem como,

Ante aquele que feriu,

Não soltar o verbo...

E manda-lo a puta que o pariu!

 

A vida ensina perdoar

Que nós somos todos falhos.

Mas somos humanos porra!

Perdoar é o caralho!

 

Olho por olho e dente por dente

Pra essa gente brucutu.

E quem achar que é diferente...

Que vá tomar no cu.

 

Que direitos pensam ter

De achar que podem mais

Em pensar que liberdade

É ferir os seus iguais?

 

Minha língua tem veneno

Tão letal quanto cicuta.

Se não sabe respeitar

A frase é bem curta...

 

Puta que pariu,

Caralho...

Vai tomar no cu

Filho da puta!

 

José Regi

premissa de primavera

    há um além que fica longe de mim. é lá nesse além aonde oculto as angústias.   lá é ermo e solitário, nem um pé de fel...