sábado, 30 de agosto de 2025

Medo de altura.

 


Eu,
poeta de superfície,
raso de chão e asas atrofiadas
Ofereço-vos o mirante
A beira dos meus abismos
Sem egoísmo oferto-vos
Tentativas de voos.
O mergulho
A incerteza
Do pouso seguro.
Dou a ti,
No escuro,
O lume da lua
O cio da loba
O uivo do vento...
A dança das folhas mortas
O sementio do horto
O tempo torto
E meus medos mais sórdidos.
O ócio
A ausência dorída
Asas parcas, feridas
O vazio e o eco.
Retiro o véu
Ofereço-vos
O céu
E o chão
Onde aguardo
Vosso pouso.

quarta-feira, 23 de julho de 2025

Saudade é tempo dizendo que não acabou

  •  
  •  


  •  O amor é um espanto
  • Um escárnio vivo.
  • É vento soprando
  • Sobre encantos cativos.
  • Fogo de chama forte
  • Encandeia os sentidos
  • Dói como arame farpado
  • No tempo de ter vivido.
  •  
  • Saudade é um escracho
  • E tempo tirando perfume
  • Do vaso de enfeite
  • Com flores de plástico.
  • Recende como incenso
  • Em tempo de pouco lume.
  • Em noites de pouco facho.
  •  
  • Paixão é lenha seca
  • De fácil combustão
  • Dois corpos suados
  • Em noites de verão.
  • paixão que vira amor
  • Por certo vira saudade
  • Em tempo de adeus tardio
  • No átimo de uma maldade.
  •  
  • Bom encontro é de dois
  • Já dizia a canção
  • Amor e paixão
  • é pra agora.
  • Saudade...
  • Saudade...
  • É pra depois.
  •  
  •  
  • José Regi


sexta-feira, 6 de junho de 2025

Menino do olho azul


Jaz infanta estripulia.
Ainda cedo corria pra rua o menino,
Não sabia nada de limites
E o mundo lhe era um convite
a campear.
Explorar além do horizonte
Da janela da sala
Da cercania entorno
Da margem da velha estrada.
Olhos azuis de céu
Asas nos pés
Era quase um semideus
Com todos os seus “eus’
Ainda incubado
De voos e sonhos.
Cismas várias
Não eximia os anseios,
Havia de ser grande
Já previa a cigana
Que vendia engodos
em troca de migalhas
Na esquina da rua do centro.
Desbravador solitário
Num relicário de teimosia
Esculpido a força
No tempo.
Jaz infanta estripulia
Na sucursal de ontem
Das gerais do sul...
Hoje homem feito adulto
Inventa versos como indulto
Para proteger
aquele menino do
olho azul.
José Regi

quinta-feira, 17 de abril de 2025

Enfim...

 



 

 

Dedico a vós o meu silêncio

A inquietude abismada

Dos meus versos

Esses voos ora preteridos

Deixo assim subentendido

Em pousos dantes...Arremetidos.

 

Vasto é a amplidão

Desse universo mudo

Eximido de eco

Ou retorno

Onde o exilio

É silente contuso.

 

Corto os punhos,

Dramático, patético

Suicídio poético

Antes, porém, rascunho

A sangue quente

A dor corrente

Na rubra tarde que cai

Aos pés da noite eterna.

 

Não tenho asas,

Nem pernas

Nem plumas

Ou penas

Que sentenciam o fim

No crepúsculo.

 

Há um último impulso

Antes da queda

Um último plano

Ante o medo da escuridão.

Respira afoito

Um derradeiro pulso...

 

Não há mais nada

Nunca houve,  

Nunca esteve.

Nunca foi...

Não há mais tempo!

Poema escrito

Sobre areia fina,

Só quem lê

É o vento.

 

José Regi

 

 

Tentação

Em noite de lua cheia...  Uiva na tua orelha  Um anjo torto   De segundas intenções!  Sussurra palavrões  Daqueles que eriçam a pele,  Atiç...