sábado, 17 de outubro de 2015

= No ócio do Cio=




Ela se dispôs toda nua
sobre a cama,
trazia nos olhos uma gama
de fogo...

Teu corpo era uma trilha,
à percorrer
sem mapa.

As cegas,as mudas,
teu sussurro era o guia
onde na escuridão tateava.

buscava abrigo no meu corpo,
beber da minha fonte,
lambuzar no meu mel.

Depois fumaria um cigarro,
abriria janela e me procurar
ali tão perto...No Céu...

Na ilusão da presença
que se ausentava
suspirava desejo...

Em suma,voltava a dormir,
pra que não suma o sonho
e o ato se consuma.

Jose Regí Poesia

sábado, 3 de outubro de 2015

"INCUBADO"



Ha uma fome que não sacia,
uns medos que não são teus,
uma secura deserta
nos beijos que não me deu...

Há distâncias imensuráveis,
a um passo do corpo teu,
um longo caminho sombrio
onde o Amor feneceu!

Há flores sangrando nas margens,
da via crucia sem fim,
enternecida das dores
que habita dentro de mim.

Há um viço,um ciclo incompleto,
que semeia em meu coração,
uma chama que arde em silêncio,
uma insana paixão...

Persevera na inquietude,
esperançosa,germina das cinzas,
um broto do que restou,
daquele brilho nos olhos...o Amor!

Por que este não morre,
por vezes adormece,
mas,no primeiro raio de luz,
o encanto acontece.

As vias florescem,
o deserto umedece,
o dia se aquece,
o passado se esquece
e não se enaltece!

A vida acontece,
a alma apetece,
a perna amolece,
quando as bocas se tocam,
num beijo aguardado
doce e perene...

O amor sempre vence,
infiltrando nas frestas,
onde colhe as sendas
que sem querer oferece!!!

Jose Regí

"Escrevedor"


Escritor...
Aquele que dá vida,
sentimento
aos gritos dissonantes,
dando voz aos silêncios
dos recônditos da alma!

"Todo aquele que escreve
se desfaz das palavras,
de certa forma se desnuda...

Em silêncio dolorido
reveste outra alma nua!"

Jose Regi

=ESTRELUME"




Hoje ele variou,
deu folga pra Lua,
e desligou o seu lume
e mesmo enfeitiçado por ela,
lançou mão deste encanto.

Mas ficou triste a noite e o menino,
que não sabia ficar na penumbra,
lembrou de uns estrelumes
que lhe rondava a estufa
onde cultivava seus delírios.

Encheu um carrinho de mão,
foi pro fundo do vale
deu asas a imaginação...
era o fim da escuridão!

Com os olhos luzidos
pois-se o céu enfeitar,
foi colando uma a uma
o vaga-lume estrelar.

logo a noite virou dia,
de alegria ele não se contia,
voltou aos olhos o encanto
e com ele a Poesia!

Jose Regí

"FORA DE FOCO"




Não vou por foto do meu Pai aqui,
não tenho foto dele,
não me deu o tempo,de te-las,
Me roubou cedo,
antes do meu despertar,
levou-o daqui,
não convivi com ele o suficiente para saber
do seu valor,da sua importância na minha vida.
Me Deu de presente ao mundo,
Imaturo,no auge dos meus três anos...
por completar!
Foi embora no barco do destino,
deixando órfão o menino,
com loucura pra viver.
Não tenho saudade,
não deu tempo de ter,
Não tenho foto pra por aqui,
tiraram isso de mim!
Tenho certeza da sua existência,
da sua ausência,tenho sonhos com ele,
que não reconheço por não lembrar do teu rosto.
Não tenho foto pra por aqui!
Mas sou Pai,de três,
Sei como é sei Pai,
Gosto de ser,
Sempre quis ser,
Já perdi noites de sono,
Tenho preocupação com a hora deles voltarem,
cobro notas boas,
peço que ajudem sua Mãe,
que estudem,
que sejam pessoas de bem.
de moral ilibada,
que não se metam em encrencas,
com drogas lícitas e ilícitas,
Enfim dou conselho,
como qualquer Pai...
Tiro muitas fotos com eles,
Pra que não tenham a mesma magoa que Eu,
Eles terão foto pra Por aqui!
O tempo foi bom com eles,
embora não tenha sido como assim...
Ou foi?
Foi sim!
Eu tive um Pai!
Só não tenho foto Pra por Aqui!

Jose Regi

"BROTAMENTO"



Quando do silencio,
incubado de tempo,
rompe o inesperado.

Onde o deserto se mostra,
hostil e ardiloso,
insiste a vida em brotar.

Existe vida...
onde os olhos avista morte
da-se um jeito de florir!

Porque sempre haverá,
Um pássaro distraído,uma semente,
um deserto louco pra gritar tuas securas!

Jose Regi

"Revirando o Baú"






Todos estes guardados são teus...
Dentre eles o silêncio
de não dizer que te ama...

Os escuros dos olhos
que ainda te chamam...

Os segredos da alma
revelados ao nada...

Que fomos nós!

Os passos solitários
a dois que não demos.

Os abraços apertados que perdemos,
deixando as mãos pro adeus,Livres,
como asas ao vento!

Os versos escritos insone
regados a café e fumaça,
enevoando os olhos na ilusão
platônica de amar...

De mar,
de céu,
de ar...

Que falta no peito quando
me deito só,
entre os lençóis
onde nunca foi nós!

Estes guardados são teus!!!


Jose Regí

"Incólume..."




Um vibrato torpe,
sopra por entre as frestas da janela,
na imensidão do quarto se perde,
ao som que vem
D'além do horizonte oculto.

Ouvi-se os trovões,
a balburdia do silêncio,
ansiando tua aflição...
Em vão!

Tempestade lá fora,
tormentas,vendavais,
a ira do tempo nos olhos,
cegos impõem cismas.

Nuvens carregadas
despejam cinza sobre o azul,
que não sucumbe sem resistir...

Encara teus desafios!
Teu barco a deriva,
desliza ao sabor destes medos,
teu timoneiro é sagaz,
e não se rende as ameaças.

Sabe o caminho do porto,
os atalhos pro cais,
embora o mundo desabe,
navega no mar da tranquilidade,
tua alma está paz...

Como...Jamais!


Jose Regí

=Distâncias=




Na minha solidão interior,
sinto um toque de amor
no beijo da boca do vento...
Frio mas alentador!

O calor da noite que me abraça
embaça o pensamento solto
nos sopros do vento...
Que espalha!

Não atrapalha o encontro marcado
nem o amor em seu ato,
o solidão sentida abstrata é impalpável,
em suma não existe de fato!

Ha um caminho sem obstáculo
sem espinho nos pés ao pisar,
que nas noites sombrias
vou tentando passar...

Pra chegar onde ela está!


Jose Regí





"VICIO"



Trago um naco de vida
na ponta dos dedos...
Virando fumaça...
Ao passo que a vida me Traga!

Jose Regí

"DO LADO DE FORA"



pela janela,sondo ela,
que passa desavisada!

tem sempre uma sombra ao lado,
algo meio descompassado...

A vida sempre me namora,
isto é sorte...

Já a sombra,
esta espero não ouvir bater na porta!!!

Jose Regí

"Enfim... Cores"


Abro a janela depois do inverno,
vejo o calor da tela
e o cheiro doce da tinta.

Acabou o frio cinza,
o vento estridente e uivante,
entra em cena outra artista.

Pinta de flores
o lastro marrom
que se avistava aos montes...

Enche de cores os olhos
empoeirados as margens secas
das vias.

não pede licença
chega e faz seu trabalho
espalha beleza...

Umidifica,perfuma,
ordena,aviva,
desembaça as lentes do tempo.

Chamusca verde,amarelo,azul,
com todo viço das cores,
pincela um arco-iris...

metódica e de traços únicos,
não esboça rascunho...
faz tudo à primeiro punho!

do jeito que fica...fico!
Lindo como à eras...
assina a obra, uma tal Primavera!

Jose Regí

Foto:Mariana Bento

"IN-VERSO"






"Todo poeta tem um jeito lúdico de ver as coisas,
é uma forma diferente de ver a realidade,
pois a realidade tal como é não daria poesia"

Jose Regí

Imagem:Branimir Jaredic

"MAR-TÍRIO"





Todo Amor que houvera,
foi pouco pra Quebra-Mar...

Toda espera de calmaria,foi ruína,
para além da arrebentação!

Teu barco navega solitário,
sobre ruas de pedra e pé no chão.

Tem sempre as velas içadas,
e o desejo de vento,que o leve daqui.

Tem sonhos de mar encalhado no cais,
onde o tempo de ontem ainda pulsa no leme...

Sente que seu porto não é ali,
enquanto chora outro Pôr do Sol!

Longe de si!


Jose Regí

"REFLEXO"



o toque sutil do olhar
desprende da escuridão,
a Lua cansada de se admirar
desceu até ao beijo do mar...

Passou solene suavidade
pela flor D'Água espelhada,
pelo encanto da calmaria que completa
o feitiço mítico dos poetas.

Colheu o sal deste encontro,
equilibrou a doçura,
já rubra e cheia,
voou para seu canto na noite!

E ficou a fitar de açoite,
do longe que vinha o dia,
entre a Lua e o Mar...

Nada além a Poesia!

Jose Regí


=IN-VERSO=




Acompanha-me algumas agonias,
que disfarço à luz do dia
com meu sorriso amarelo!

Cismo coragem e euforia,
amigo intimo das palavras
me visto de poesia.

Meu medo é do silêncio
não se render aos ecos,
e não juntar os meus cacos!

Que fragmento em doses ínfimas,
sirvo com muita cautela
o que transborda no intimo.

Apesar dos pesares,
estou solto nos ares
qual voo de passarinho.

Pouso nos olhos daqueles
que me oferecem guarida,
e sabem ler sutilezas.

Conseguem ver a beleza
apesar da tristeza contida
no meu sorriso amarelo!

...de todo resto que me acarreta,
dissimulo e não exalto,
é assim com os Poetas!

Jose Regí

=o mapa=



A chave dos teus segredos
não está atrás do espelho...

O sabor dos teus mistérios
está no teu batom vermelho!

Jose Regí

=SONOLENTO=





Ao findar a claridade dos sons,
um molhado silêncio se impõe,
rompido pelo tosco repente
de um ancião que tosse teus acúmulos.

Cai enfim de novo sob ele a madrugada,
marca a vidraça o respiro do tempo,
escorre pelo vidro embaçado
um lusco fusco amarelo e medroso.

Pois que empurra pro dia que amanhece,
uma enfurecida madrugada que não quer ir embora,
mas, que ouve o despertar de vozes,
insone e tontas de cama desfeita.

Um bom dia abafado,
pelo sono grudado nos olhos,
se faz presente á mesa
onde o sol já tomara café.

Serve-se de vida com adoçante,
um pedaço de bolão de fubá,
uma xícara de coragem bem quente,
queima-lhe a língua o sabor da realidade.

Está pronto pra encarar teus demônios,
avançastes uma quadra no campo do pesadelo,
viver não é mais que um sonho
de estar acordado!

Jose Regí

=Caminhos de chão=



Não entro em tua alma,
não invado tua calma,
tenho os pés sujos de lama...

Sujos ,só os pés
pois que não se macula
um coração de quem ama.

Minhas mãos calejadas
pelo lastro da caneta,
revela minhas andanças.

Desnuda minha alma,
revela meus avessos
sem dó nem pena.

Minha boca amarga doçuras
que a língua desconhece,
sabores e securas.

Minhas pernas cansadas
procuram acentos,
alentos e calmaria.

Entre passos e abismos
caminho só a tua procura,
mas,só tenho cismas.

Medos e receios do encontro
quando bater a tua porta
e beber do teu encanto.

Não entrarei em tua alma,
roubar-lhe-ei um beijo
no auge do meu delírio...

Debruçarei sobre o papel
que acalenta meus versos
e sonharei...

Outra jornada!



Jose Regí












=Á CALHAR=



....não se fecham as portas,
quando não as batemos ao sair,
entre-abertas acolhem tudo,
até mesmo esperanças
e novas oportunidades.
Haverá sempre uma
fenda para novos sonhos...
Sempre!
Basta que não durmas
fora do eixo!

Jose Regí Poesia

"Ecos d'Alma"




Na calada da noite,ela fala...
No mais profundo silêncio ela grita
e só eu ouço...

Assim o velho se faz moço,
o abismo em raso poço,
e a água vai sem correria,
umedecer os olhos...

Cascateando sobre o rosto,
vai levando as cicatrizes,
ocultando segredos á flor da pele
e lavando a alma!

Ouço o clarear da Lua,
banhando as estradas,
apontando o caminho
nos confins da escuridão.

Eu mudo e calado,
em um mundo fechado de utopias,
colho do alumiar o chão,
o canto lírico da Poesia!

  Jose Regí

=mudo=




sob o som do silêncio
Meu violão emudeceu,
depois do agito de ontem
suas cordas adoeceu...

Silenciou,
deixou de ecoar
seu vibrato rouco,
foi descansar!

A canção ainda se ouvi...
se sensível fores ao vento,
tem um brisado suave,
como se fora lamento!

Não,
não sois assim tão sensível,
tanto que dês-cordoou o violão,
agora o pobre é só uma caixa de ressoar
o pulso de um coração!

Jogado,esquecido embaixo da janela,
os pássaros do coral,ressente do silêncio,
da soleira piam solitários,
sem entender...O porque!

Jose Regí

=Pra quando eu me for embora=



...e as tardes chuvadas de outono se fizerem cessar,
e dar as mãos ao vento
e balançar a palmeira do jardim,
o adeus mais gostoso ao pôr do sol
num saudoso acenar...

Levarei comigo os dias idos,
a lembrança dos amigos torneados
ao longo do tempo...
No pensamento vivo!

As alegrias eufóricas,
as angustias sofridas,
as horas de folga,
o árduo trabalho dividido!

Levarei ainda um coração,
e a certeza que recomeçar é preciso
enquanto o azul reluzir no olhar,
o despertar de outra estação!

...vai ficar o passado marcando passo,
lento de dentro pra fora,
na memória,no romper
de nova aurora!

Vais então chorar,baixinho ao perceber,
que já terei partido antes das lagrimas caírem,
pois que o mundo lá fora me abraça,
enquanto o tempo passa!

O momento é agora,
já passou da hora,
o destino deu-me asas
e abriu a gaiola...

Fui-me embora!

Jose Regí




=FENDAS=




Porque ela não vem...
Vou deixar entre aberta a porta,
pra que entre o vento e sopre,
alguma profundidade....
Pois que hoje estou
com a alma na flor D'água,
na epiderme da pele...
um tanto quanto superficial!

Jose Regí

"Arauto das Flores"






Fecha- se a porta AGOSTO,
ou a contra gosto
com ele as lembranças
as conquistas e lamentações.

Dês-inquilinou o posto!
Alugo agora meu tempo...
Para um período de teste,
pra outro apressado
que acaba de chegar.

Nem bem se apresentou
e já se alojou...

seu nome?

Não me lembro,
só sei que chegou sozinho,
sob o enigma do numero nove,
ah,acho que é Setembro!

Disse que tem um trabalho a fazer,
por isso não pode tempo perder.

Tem que preparar o caminho,
limpar a poeira vermelha,
resquício de outra estação.

Gostei dele...
Esse cara é fera!

Sua missão é trazer logo logo,
uma parente sua ...
Uma tal PRIMA-VERA!

Jose Regi Poesia

=Depois da pagina 46=





Habita-me uma inquietude,
atrofiando-me as asas
desviando meus passos,
meus planos...

Mergulho nos meus confins
Em meio a minha bagunça...
Encontro você...
Ali ao lado do coração de pelúcia.

Nos cacos do meu silêncio
Num amanhecer doce,
no azul do céu da boca,
em nuvens de algodão.

Trancado aqui dentro,
Amei...
como ninguém jamais,
sofri,chorei...mas fui feliz?

Vivi e morri um pouco a cada dia,
corri todos os riscos,
esboços e rabiscos,
para abrir esta gaiola...

Agora se escancara um mundo,
além da porta,minhas asas ensaiam novo voar,
cheio de cismas e abismos,
sou abrigado a recomeçar.

Reescrever meu romance,meu drama,
meus temas,depois da pagina 46,
tudo soa leveza,flutua,ressoa
nos versos do poema!

Jose Regi Poesia

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Muito além do quarto




tange o marginal.

Da voltas na entrada,
permeia uma fresta
no eco da alma
e invade a calma...

Revira do avesso
os avessos de mim,
avança pelo meu gostar.

Trisca sinuosa o desejo,
que despeja num beijo
vazio ao vento

Tende se apossar
dos meus confins,
tem uma prosa doce,versada,
que não rima com solidão.

Revela teu encanto
num canto Etério,
sereia e mistério
deste juntar vazios!

Quase violando minha Paz,
esta que me abraça nas madrugadas,
quando morto o corpo,
quase um Bulbo oco...
abandonado pela crisálida,
borboleteia no inconsciente...

Ganha asas,
longe do envólucro,
imagina uma viagem
sem peso,sem tempo,
antes do despertar
atribulado...

Mas se for pra guerra,
que seja ao teu lado!