sexta-feira, 25 de setembro de 2015

=VENTOS DO INTERIOR=





Quisera a revolta das águas
rompendo pedras
liquefazendo tuas certezas...
Impondo-lhe lucidez!

A sabedoria do pássaro
que faz seu ninho
sem régua e compasso...
Intuindo o essencial!

Ou então o pouso suave da borboleta
no brejo salobro
depois do doce voar...
Subir,seguir,planar!

Quisera ainda o equilíbrio suspenso
de uma corda bamba
sobre os abismo de Si...
Correr perigo!

A vida lá fora,agora,
do amanha que não tenha,
mas que já o apavora...
Pelo real que desenha!

O contrário,o avesso,
a contra-mão do endereço,
do que prega o poeta...
Em teus desconcertos!

Em frases curtas,em versos,
que nas entrelinhas escapam
de um poema cravado...
Que de súbito façam...

Na sutileza do ouvir,
sentir que  naquilo que quer
não cabe mais dor...
Assim deseja!

Que nada o faça querer viver mais,
a certeza do agora
que a verdade do amor...
Que o poeta implora!

Assim se rende a calmaria
das ondas serenas da praça,
mesmo de braços cruzados...
A Poesia o abraça!



Jose Regí Poesia

terça-feira, 22 de setembro de 2015

"RENATAS"

As oliveiras da praça...

Centenárias testemunhas
do tempo!

Guardiães de segredos...
guardados.

Que não abrem
pro vento!

Desvelam brotos e flores
a cada estação...

Se revelam ao
renascimento!

Jose Regí

=SUBLIMAÇÃO"


....quando eu me for,
tirem do meu pulso o relógio,
o tempo marcado acabou...
Já não o tenho mais!
....tirem também minha aliança,
e todos os adornos que houver,
levarei somente o Amor...
Pra onde for!
...Chorem as lagrimas
que desertou em minha fonte,
que seja vertente alegria...
Estas eu choraria!
...Que a saudade seja o elo
do meu pôr do Sol,
sereno e Belo...
Meu fim de tarde!
...Quando enfim a vida
deixar ruir o castelo
sobre o abismo da dissipação...
Serei ruínas sob o rochedo!
...Meu passos serão asas
na mare baixa,pois que a vida
liquida evaporou...
Em densa nevoa!
...O inerte corpo incólume,
sumirá no mar dos olhos de quem ficar,
saudoso do voo que farei...
Sobre o espelho D'Água!
...Desnudo de tudo que juntei,
somente munido da leveza
dos versos que deixei...
Escritos na areia da ampulheta!
Credito da imagem: Branimir Jaredic

domingo, 20 de setembro de 2015

=Pela janela...=




Não era o fim,
não que ele soubera que fosse,
mas veio assim,assim
sem alarde,num fim de tarde
com o suicídio do sol...
Era fim do dia,do trabalho,
da correria,só isso!

Mas não bastava ser,
então,ele fez acontecer
o que não esperava,
sorrateiro,dissimulado,
margeava tuas inquietudes...
Espreita-lhe!

Levou a luz,jogou o Sol no Mar,
puxou um aveludado manto negro
sobre teus olhos,lhe impôs a noite,
fria,sem estrelas,sem Lua...
Despiu tua alma,já nua!
O tempo sádico,desrespeitoso,
moleque,autoritário,ditador...

Fez dele mero expectador,
intimo da dor e da partida,
na sobriedade de um ébrio,
empurrando goela abaixo
teus mistérios!

Toda eternidade sonhada,
esvaiu-se como fumaça,
antes do amanhecer...
Porque tudo,
surpreendentemente passa!

A vida?
Ah esta é como vidraça,
sujeita as pedradas
de um inconsequente destino...
Onde sonda com medo o Menino!

Jose Regí Poesia

sábado, 12 de setembro de 2015

=SIMBIOSE=






Absorvo-te a seiva,
o cipoeiro nos atam,
o nó de nós,
não desata!

Fundo-me a ti,
vários membros de um troco,
se entrelaçam na unidade,
de um corpo só!

Carne e unha,
alma e calma e tempo,
para que se feche as cicatrizes,
debaixo das nossas cascas.

Pois que meus passos são tuas raízes,
alimentando o sonho de sermos nós,
elo e junção de um florir
sem as amarras de uma estação!

Meu chão,meu corpo,meus olhos,
que o sol blinda,a chuva rega,
a noite cobre de luz...Fazendo sombra!
Onde não existo sem você!

Jose Regí Poesia

Credito da imagem=Ağaç Kadın

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

=O JARDINEIRO=



Nossas almas são irmãs,
que por um distraído do tempo
zanzou por lados opostos da via.

até que num click,
se fez o encontro e
o encanto enfim...
Ter você perto de mim.

São caprichos da vida
estes momentos,
são ventos que nos sopram a face...

O carinho,
a prazer da conversa e
o que se semeia.

tudo floresce nesta gama de chão
que chamamos de felicidade.

nesta efêmera sensação de eternidade,
nesta louca aventura de viver!

No fim contabilizar as marcas,
as cicatrizes,
os seixos catados no chão do caminho.

e ver onde chegamos,
no que nos transformamos...
suspirar fundo...

deixar então escapar
o mais fraterno...
"Eu te amo"                                    

terça-feira, 8 de setembro de 2015

=DISTRAÍDO=




Deixei sobre teu pesadelo,
a lucidez do meu sonho,
de forma louca e insone
na maciez da tua pele...

O toque sutil do vento,
o carinhoso acalento
no pouso da pétala
Recém colhida.

O perfume recende
emana delírio
sobre a rudez da pedra,
imune as caricias do tempo.

Meu peito respira,
abraça,suspira leveza,
floresce sobre a rocha
ainda um despertar...

Daquela tarde na beira do rio,
respingo de chuva,
e a calêndula esquecida
pelo insano beija-flor...

Voou atordoado,
procurando por Amor!


Jose Regí Poesia

=REVOADA=






Tem algo batendo dentro do peito,
um bando tentando um migrar
Meu coração veste asas,
Minhalma quer passarinhar!

Jose Regí Poesia

=Balanço=





De todos os sonhos que sonhei,
no esquecido do sono,
vivo o que ainda não dormi...

Um misto de loucura e busca,
desperto num torpor que avassala
meus sentidos.

Semeio sem nexo palavras estereis,
num solo imaginário,
onde nunca brotou uma praga se quer!

Meus canteiros morrem de sede,
onde lavro meus poemas,
em parte meus dilemas!

Sempre corro atrás do beijo não dado,
do abraço perdido no vento,
daquele amor de ontem a noite...

aquele que ainda não me veio,
que ainda é sonho de noites insone,
que insiste em mim despertar!

Com o clarão da Lua na Janela,
invadindo o quarto,empurrando o balanço
pra dentro do pesadelo...

Longe dela!


Jose Regí Poesia

"VENTANIA"



Ah,o Amor.
Ou o que resta no frasco,
um naco do perfume dela
esquecido,a evaporar...

Inebriou os sentidos,
por um lastro de tempo...

Foi cegueira,mudo momento,
foi tudo e nada ao mesmo tempo!

Ah,o Amor...
Foi sonho de verão
que invernou em vento de outono,
atropelando a primavera...

Morreu antes de ser flor!
Este é meu dilema,
viver o que já tive,
como água de rio
que foi ter com o mar...

O equilíbrio!
Em minha redoma de vidro,
cultivo em canteiros
longe da fugacidade do tempo,
um broto fragilizado...

Que há de aflorar!
Rompendo com as amarras,
com o amargo dos olhos,
sentindo o beijo doce da vida
no aroma do ar...

Então de novo ...Ah o Amor...
Aí de novo Amar!

Jose Regí Poesia

=OUTRA ESTAÇÃO=









...é inverno em meus jardins,
escondendo a beleza do sol,
é noite em meus confins
fazendo sombra sobre meus canteiros!

Mas ha vida nos vales,
no silêncio imutável das madrugadas,
sobre o tapete negro,
aveluda-se um amarelo ocre.

A Lua não se conteve,
aos encantos da sombra
e veio desvelar seus ocultos,
fez silhuetas entre as calêndulas.

No vergel orvalhado desprendem-se
diamantes líquidos das folhas,
o sereno rega o chão,
sessando a sedenta secura.

A lua invade os recônditos,
alumeia as pedras do caminho,
aponta a rota dos sonhos,
mostra onde estão os espinhos.

Não tem como se ferir,
com tanta luz que desaba,
o perfume e o lume...
minhalma escancara!

Ha ainda um uivo brisante,
um vento quente que impera,
As flores que vejo agora
são sinais de primavera...

Impondo fim de inverno em meus jardins,
a lua cheia deixou a porta entre-aberta,
sem arrependimento,
a estação de agora...É renascimento!

Jose Regi Poesia


=PASSARINHANDO=





Vou acreditar no que espalha o vento,
neste engodo da vida que vai me levando,
a beira do precipício...

Finjo-me de morto,
embora vivo...

Pensa o destino em me passar a perna,
fechar os meus olhos,
calar minha voz,
impor o silêncio...

Tolo este senhor tempo!
Na hora do tombo,
invento asas,
das cinzas me reinvento.

Se me deres o abismo,
vais ficar com cara de bobo,
sou amigo do vento,
estou longe do pouso...

Ainda não terminei o meu Voo!

Jose Regi Poesia

===SE BEM ME LEMBRO...==






A Poesia na praça grita em silêncio,
tua fala rouca,sussurra doçuras
ao amargo do dia...O Poeta
é só mais um louco a bradar pela rua!

Trás consigo um chumaço de papel,
debaixo do braço,ali está todo teu mundo,
teus delírios mais profundos,
teu chão e teu céu...

Fala pros bichos em canções,
recita em versos teus dias,
o velho poeta não se cansa,
da missão,da Poesia.

Por isso passa despercebido,
aos olhos da correria,
é só adorno de rua
aquele velho e a Poesia.

Mas ele passa florindo,
devolvendo o verde
trazendo a chuva,
espalhando cor.

Trás alegria aos olhos sensíveis
as almas sutis,metódico e pontual,
abranda a secura,
semeia em silencio vital!

Este mesmo velho poeta,
agora me lembro,
vem sempre na primavera,
Ele se chama Setembro!

Jose Regi Poesia

=PENSANDO=



=A Lua com toda sua exuberância,
tem sua fase minguante...
Porque eu tenho que
ser significante?=

Jose Regi Poesia

=Real-mente Verdade=















Para o tempo nos sonhos,
não se ouve o batido do ponteiro,
As horas sem importância,
a cabeça no travesseiro.

Embarco em águas serenas,
nunca a deriva,
meu barco desfila,
além da esquina do sono.

Meus pés tocam o porto,
pisam a grama verde,
encantam meus olhos
as calêndulas multicores.

Corro como bicho solto,
livre do fardo de viver...
sem amarras,sem prisão,
com as gaiolas sempre abertas.

Sou um pássaro migrador,
sutilizando o voo,
minuciando o céu,
sem mensurar os riscos.

Não tenho medo do menino
com o bodoque nas mãos,
tenho a sombra dos galhos,
a camuflar proteção.

Mas a viagem é fugaz,
ouço o apito do barco,
é hora de voltar,
atravesso sem querer o travesseiro...

Ouço a batida do ponteiro,
as horas com importância,
fazem pressão no tempo,
que abre as cortinas.

é dia lá fora,a noite foi dormir,
volto ao ponto inicial,
a prisão,ao farto pesado,
a contar tudo igual.

Pois até os sonhos são passageiros,
sem rumo,sem roteiro,
sem final...

De conluio com os ponteiros...
Que seguem as batidas!

Jose Regi Poesia

Imagem de Dali

=DOM QUIXOTE=



O Velho catavento,
perdeu suas Pás...

entre aspas,
parou estupefato,
em silêncio imóvel...

pra ver a lua!!!



Jose Regí

=PARA NÃO ANDAR EM CÍRCULOS=







A Menina ingenua,
desfila inocência
no campo dos chacais.

Atravessa teus medos,
rompendo as veredas
guardando teu coração.

Enfrenta olhares,sombras,
cismas e ameaças vitais
no vale dos pesadelos.

O vento sopra arrepios,
calafrios na pele tenra
eriça teus pelos.

Levanta tua roupa,
revela teus segredos
para aguça dos lobos.

Tua saia rodada,
colorida e esgarçada,
onde o vento faz rodeios.

Roda um pensamento apócrifo,
enquanto gira o tempo,
no carrocel do imaginar.

Imagino um oásis,
em meio ao deserto sem fim
coberto de flores de chita.

Eu querendo guarida,
morrendo de sede
na pedra da fonte.

Inverto sentido,
invento destino
quebro o ponteiro do tempo!

Vou rouba-la pra mim,
vesti-la de cetim,
dissipar os teus medos.

Livra-la das garras
dos demônios do sonho,
vou faze-la dormir.

Acordar com o tempo,
um trato de paz,
tentar um sorrir.

Ser pra ti o consolo,
o teu colo
o teu corpo sacro.

Adornar teus caminhos,
florir tuas margens
sem os espinhos.

pactuar proteção,
profanar teus receios,
apossar do teu coração!

Jose Regi Poesia

=Poema sem nexo de surtos da alma=





O que não tem explicação,
está solto nas entrelinhas,
nos acasos do caminho,
no trevo de quatro folhas...

A vida é bem mais que a morte,
que um nó fixo atado,
que um voo em temporal,
que um lance de sorte!

Quero a brevidade da borboleta,
que se encanta com as cores,
e pra o beijo na flor...

inventa uma metamorfose!
Depois saciado o desejo do beijo,
do doce néctar da realização,
se lança em voo curto
num surto de vida...

O que não se explica,
a alma escreve em silêncio,
o tempo conta pro vento
e os olhos decifram!

Jose Regi

"ALFAIATE"






Colhe do tempo,Lagrimas,
gotas que o destino discorre,
remenda na colcha de retalhos
os mistérios de seu rosário.

Reza sozinho,
Sussurra teus silêncios
Chora sobre o tecido,
o pobre do alfaiate.

A Agulha é tua espada,
Cerzindo gotas de orvalho,
com linhas do pensar.
ponteia mistérios.

As águas lavam alma,
levam calma e frescor,
a vida,enquanto soluça
teus arremates!

Jose Regi Poesia


"VOOS NOTURNOS"






O negro manto da noite estende-se sobre teu sono,
espanta os maus agouros,os corvos,os pássaros perdidos,
nos teus sonhos...

Entrega-se ao deleite da cama,
o corpo se funde ao silêncio,imóvel,inerte,
se rende ao cansaço de quase morte...

Delira no inconsciente profundo,
vaga longe do quarto,das trevas,da escuridão,
atravessa o portal da ilusão.

Agora perambula sobre um jardim de cores vivas,
molha os pés no regato limpído,sereno,
voa livre do fardo sem pensar em finitude.

Encontra um velho moinho,
sedento de vento,abastado de tempo pretérito,
se vê na sombra da ruína,ainda em construção.

Ouve ao longe o canto do galo,
sente um calafrio lhe subir os sentidos,
desperta aos poucos,dos devaneios...

A noite recolhe seu manto,se veste de amanhecer,
devolve-lhe o rudez de uma vida pesada,
e lhe oferta o dia nu,sem nenhuma proteção.

Jose Regi Poesia

=LEVEZA=



Tange-me o silêncio,
rodeia-me,circunda,
envolve!

Leve,bruma meu sentido,
alço voo imaginário,
tenho sede de nuvens.

Minha calma adormece,
apetecida de alma,
no colo da ventania.

Tenho o céu,tenho o mar,
tenho a terra meu ninho,
do tempo o carinho...

Tenho a sorte da vida,
tenho a noite e o dia,
tento viver sem alarde...

Assim no silêncio da tarde
e da poesia!

Jose Regi Poesia

=FLOR DA PELE=




"Quem não se rende
ao toque da sensibilidade...

Embrutecido de tempo,
encalacrado de rusgas,
magoas e dureza...

É como se fora uma Pedra
imune as carícias do vento"

Jose Regi Poesia


"BETUME"



Sonda-lhe no silêncio,
de uma vida longa,
nas entrelinhas da caminhada,
ronda-lhe um aceno de adeus.

Ainda busca vigor nas minúcias,
na lentidão da tua inutilidade,
pois que o tempo lhe impõe limites,
e o faz sofrer.

Olha o quadro no espelho,
tudo em volta é belo insinuante,
lhe faz recordar,viajar,
enquanto percebe-se indo...

Isto deixa tuas marcas,
o tempo dá seu toque,
poe branco sobre o preto
e grisalha tudo.

O rosto deserto seco,
mostra suas trincas,
seu solo sedento,
seu rio sem musgo.

O corpo arqueia,
querendo beijar o chão,
há dores,fragilidades visíveis,
que o vento tenta soprar.

Os olhos já não olham pro céu,
procuram nuvens no ocre da terra,
cheios de cataratas que escorrem lágrimas,
sobre os passos cansados.

As pernas tremulas,
perderam a vontade de ir,
reclamam um banco,
um assento,uma parada...

O coração bate mais lento,
o sangue anda e não corre nas veias,
sua Via Crucia
se avia enfim,
sob as vias de fato.

O tempo segue a rabiscar,
a rascunhar,esboçar seus caprichos
sobre o corpo tela,onde a arte inacabada,
aguarda pela assinatura.

Jose Regi Poesia

"Alivia-dor"




"...Para alivio as contrações da poesia...
Só parindo...
Um dia Livro-me"!

Jose Regi Poesia

"AQUARELA"



o silêncio tem cores que os olhos não vê,
sabor que a boca não sente,
tem cheiro de barulho doce,
como água fria corrente.

O silêncio tem gritos ocultos,
no fundo do lago dos olhos,
um mundo difuso,
profundo e azul...

Que revela a menina,
ingenuo olhar cristalino
sobre as maculas
sem sentido algum!

A Menina dos olhos
não sofre de mal na inocência,
absorve o belo
enquanto exala essência.

...assim não desvirtua,
embora toda flor cresça,
goza na alma das brisas
de uma ventania...

No seu lago...
Descansa o meu barco sob
Calmaria!

Jose Regí