quinta-feira, 20 de agosto de 2015

"TENTANDO NÃO CAIR"



Procuro pelo poema,
vasculho meu intimo,
no limbo da minha calma,
no musgo da minha alma
encalacrada de parasitas...
Nem uma flor nas bromélias!

As bases de minha fortaleza,
se ruíram,com os abalos sísmicos,
que cismo em provocar
sobre minha Paz...
Meu rio corre agitado entre pedras!

Procuro ainda no vento,
na sombra do carvalho,
na sobra do tempo,
no meu trabalho,
no jogo de cartas,na sorte,no asar,
No naipe do baralho...
Mas as cartas mentem!

Não acredito mais em mentiras,
em falsas expectativas,
não planejo,não mensuro,
apenas procuro em meio minhas tralhas,
algo que valha,entre os meus dilemas...
Ainda procuro o poema!

Deixo meus rastros,
minha carteira de identidade,
uma foto três por quatro,
preto e branco triste,
com uma luz fria a luzir...
Onde estava a poesia?

Mas insisto em espalhar minhas migalhas,
onde de papo cheio as gralhas,
não comam minhas deixas.
Junto um cartão epitáfio,
assinado por fim...
O poema estava o tempo todo
dentro de mim...

Eu cego não vi!

Jose Regi Poesia

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Déjà vu



Quisera ser como ar,
leve,inócuo,vão...
Mas sou terra,pedra e chão.

Sou um misto,uma confusão,
um pouco de céu,um muito de mar,
um naco de amor,um tanto de amar.

Sou como chuva fina,
no fim da tarde,
abrandando na alma o fogo que arde.

Sou meio desespero,meio preso,meio livre,
sou meio,metade,dividido,
sou toda insanidade de um individuo.

Leve como pluma,que afunda como pedra,
no lago parado de uma vã existência,
sabedor do fim da história.

Queria ser como ar,
escrever entre as nuvens
e depois apagar.

Me jogar no vento,
inventar de soprar
minha gana de vida para outro lugar.

Florir entre as rachas dos troncos,
na secura da terra,na trinca das pedras,
nos desencontros.

Quisera o voo,as penas,as asas,
quisera ser ar,leve,inócuo,vão...
eco vazio de chão!

Sou voo de tempo,passado,
fora de estação,
uma andorinha só que não faz verão!

Jose Regi Poesia

"Hela"



Amanhece,
entra pela janela do quarto
um sol de caricias suaves,
aquecendo aquelas silhuetas
desnudas sobre o lençol.

Na soleira da vidraça,
no vaso de onze horas,
canta os passarinhos
tentando acordar a flor.

Desperta do sono,ainda longe de si,
sai meio zonza da cama...
Olha pro tempo lá fora,
boceja e agradece ao azul do céu,
pela vida em prece.

Mesa posta,
senta de frente ao sol
que já tomou seu lugar na mesa,
para tomar o café.

Segue assim a vida,amando,
cada segundo que lhe é doado,
com a intensidade que sabe do fim,
mas que não conta com ele.

Assim eterniza,vai ficando,não vai embora,
assim se marca no sopro da vida,
deixa teus rastros pro vento apagar,
ou segui-los!

Pois que o vento,também
não encontrou o sossego,
nem seguidores!

Jose Regi Poesia

"Um essencial lumiar"



Se por ventura a noite impuser escuridão,
sobre o lume de tualma...
Recolha-se a sombra da Lua cheia,
pois ela até a noite escura Clareia...

Não deixe que nada ofusque teu brilho,
que vento maldoso nenhum sopre
teu candeeiro,resguarde tua luminescência,
e não desvie dos trilhos.

Viver é por vezes romper barreiras
intransponíveis,ouvir silêncios,
crescer na sombra como arvore minguada,
mas que colherá da calma um olhar para o céu.

Não se apequene,não se acovarde,
avance mesmo sobre a iminência do abismo,
e quando não mais haver caminho,
salte e voe,e voe,e voe...

Teu lume é teu trunfo,
Tua alma é teu sol,
teu nascer e teu pôr,
sobre a escuridão do tempo fechado!

Não deixe que chova,
dissipe as nuvens pesadas,
que se abra teu céu
que teus dias sejam iluminados e leves.


Jose Regi Poesia

Credito da Imagem para Cal Alfradique

sábado, 15 de agosto de 2015

"SOBRE AS IDAS E VINDAS DA MARÉ"




Era barco a deriva,
inóspita ilha,
desassossegado de alma,
um porto solidão onde o mar
não subira no cais.

Era um naco de terra fria,
gélido lago,
era cisma de morte,
sem rumo,nem rota...
Um ponto sem norte!

Depois de você...

Meus braços jamais acolheram tanto calor,
mas quando o frio se dispôs a sair,
na lacuna do abraço,teu corpo
encontrou dois vazios perfeitos.

Então,
foi refeito o contato intimo,vital,
o imperativo silêncio quebrou-se
com o ecoar de um suspiro
longo e satisfeito.

Era a volta!

Era só isso teu grito de mundo,
o acalanto profundo,
aconchegado aperto
num mapa da felicidade,
chão batido dentro do peito.

Abriu-se uma vereda verde,
dando cor a uma esperança,
vicejando um recomeçar...
Orvalhado de lagrima pretérita,
ansiando o futuro de presente.

Nele estaria você,
dentro do meu abraço sincero,
pluralizando o sentido,
unindo,
somando,
juntando os cacos de mim.

Ancorando teu barco!


Jose Regi Poesia

"VERMELHO"



Verte vermelho dos meus confins,
Vida verde voa,
Volúpia e fuga
Em vento violador!

É fim de tarde,
Minhas ruínas
Guardam meus segredos,
Pousam borboletas em meus vazios!

Tentam elas,
absorver o néctar vital
Das minhas securas,
Mas...Meu tesouro não está ali!

Vocifera meus gritos outros vazios,
Que não se revela
Liquido e doce,
Qual voo de borboletas.

Vai escorrendo vida nos espremidos do tempo,
Desvela em versos o que penso,
Inverso ao fim que me tem de presente!

Meu universo invento no espelho,
a calmaria do meu mar,
eu pinto de Vermelho...

...e saio a nadar!


Jose Regi Poesia

"Brisa-dor"


                                                           "Onde o tempo venta saudade,
                                                                a vida sopra lembranças"



                                                                                                       Jose  Regi Poesia

"MAL ENTENDIDO"



Gosto pelas horas que impõe silêncio,
as noites que mostram escuridão,
cisma em abrir a gaiola
e soltar as asas do pensamento...

Para voar solto as cegas,
rumo as tuas vontades,
saciar-se com fluxo da madrugada,
na solidão do regato da cama e do quarto.

O vento silencia,
como querendo escutar,imagina
murmúrios tortos,os gemidos abafados,
indiscreto sonda pelas frestas o ato de amar.

Vento andarilho,
libertino e sorrateiro,
espalha no tempo notícias de chuva,
e de um amor primeiro...

Enquanto amanhece solitário,
coberto de sonho e orvalho,
nos confins de quatro paredes,
um corpo só entre os lençóis.

Tudo que foi disseminado,
foi confusão do vento,
que cismou de ouvir pensamentos,
sem adentrar o recinto.

Ele ouvira tremor de solidão e frio,
espalhou que era amor,
nem sempre quando venta
é chuva que se aventa...

Pode ser só dor!


Jose Regi Poesia

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

"RUÍNAS"




Um corpo vazio,
no estio do espaço,
uma lacuna de alma,
um voo desespero,
busca a calma,
fugindo pela janela.

O céu é passarela,
é mirante espiador,
é pouso de pássaros
desassossegos,
sendas de asas...
aconchego.

Sonda de fora
o trabalho do tempo,
um corpo vazio esvaindo,
a pele surrada,
mostrando a ferida,
num oco de vida,
sem eco!

Foi morada de alma,
que desiludiu,
abandonou e partiu
no raiar da manha,
ficou a lembrança e a pena,
e a solidão que não sabe voar!

Jose Regi Poesia

Imagem:Sandro Alves De França


terça-feira, 11 de agosto de 2015

"AQUARELA"




o silêncio tem cores que os olhos não vê,
sabor que a boca não sente,
tem cheiro de barulho doce,
como água fria corrente.

O silêncio tem gritos ocultos,
no fundo do lago dos olhos,
um mundo difuso,
profundo e azul...

Que revela a menina,
ingenuo olhar cristalino
sobre as maculas
sem sentido algum!

A Menina dos olhos
não sofre de mal na inocência,
absorve o belo
enquanto exala essência.

...assim não desvirtua,
embora toda flor cresça,
goza na alma das brisas
de uma ventania...

No seu lago...Calmaria!


Jose Regi

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

"Ventoso"



"As vezes me pego
com o pensamento longe...
Fora do alcance.
Fico aqui assim vazio,
Esperando ele pousar!"


Jose Regi Poesia


"RESILIÊNCIA"





Insisto em existir,
na rudez dos dias,
na incoerência do tempo,
no embrutecido momento
que me impõe um ponto final.
Mas o enredo na essência,
ainda tem virgulas e reticências...


Jose Regi Poesia





"Nos meus mais profundos silêncios...
Meus olhos discursam...
Ouça-os!"

Jose Regi Poesia

"FIM DA LINHA"






Na boca,espinhos,
palavras amargas no limbo da Língua.
No ouvido ,sussurros,
incontidos segredos por

No nariz,o perfume,
que o vento mesquinho trouxe de ciúme.
Nos olhos,o caminho,
mal traçado,tortuoso e sombrio!

Nas mãos a impossibilidade,do toque,
as lonjuras,as distâncias...
Nas pernas a vontade de ir,
andar a ermo,andarilhar...

Na cabeça os sonhos de um corpo
que não voa...
O abismo se mostra atraente,
o céu convida,
o chão abre os braços,
o grito não sai antes do salto...

Então veste-se de nuvem,
leveza se impõe,
decifra o código do portal,
e se alça em voo...

Rompe as mordaças espinhosas
o amargor,a surdez,
todas as impossibilidades se desfaz
quando o sonho se incompleta...

Na imperfeição ele tenta,
o amor não acaba nunca...

Se reinventa!

Jose Regi Poesia

"SECURA"






Foi na fonte,beber um pouco da sede,
num deserto ardil,sem vento,parado,
havia traços de um oásis,
no verde dos olhos do tempo...

Seca de trincar a pele do chão,
nem um grão de vida se avistara na vastidão,
o azul doido do céu,
espantara os voos...

Mas era preciso vencer esta aridez,
romper com o bruto por lapidar,
carregar o corpo cansado de procura,
à uma sombra pra alma descansar...

Só queria as pedras de Adélia,
aquelas que os olhos enxergam dentro,
onde todos veem deserto,
é um jardim que adentra...

Pisa a grama verde,
colhe as calêndulas,sacia-se no regato manso e fresco,
na pressa lenta de mar...

Ha flores nas margens,
o céu e colorido de asas,
o chão e liso e macio
qual pele de recém nascido.

Este é o deserto de mim,
liquido.viçoso,pulsante,
um punhado de acasos,
onde sou sempre itinerante.

Busca a fonte da poesia,
beber da sua fluidez
quando sufoca os dias,
o homem se rende ao poeta...

Prostrado as margens do lago de areia
sonha com barcos e caís,
a sombra dos cactos,
que choram suas flores secas!

Jose Regi Poesia

'DESABAFO DE UM SEM LETRA"








Me disseram que o que eu escrevo
não tem concordância!Concordo!

Disseram ainda
que tem erros de Português,
na verdade tá cheio,
ainda não descobri meu lado britânico
para errar em inglês.

Disseram também
que a poesia é coisa vazia,
arrisco em dizer que
é um vazio cheio de coisas.

Escrevo errado de proposito,
meu silencio e sem acento,
por que está sempre na sombra,
preciso do chapeuzinho pro sol!

Silêncio acentuado é mais dolorido,
é mais barulhento e menos inspirador.
Amor,falo pouco,este é meu defeito,
não tem jeito,amor não se fala se sente...no peito.

Mas não vou desviar do assunto,
sou mesmo ignorante das letras,
escrevo do jeito que me pede o coração,
este nunca foi a escola,é um sem noção!

Gosto da critica,mas não ligo pra ela,
gosto de rimar,do repente ,da cadência,
gosto de escrever meus delírios,
minhas loucuras e insanidades,
de vivenciar a lucidez anormal da normalidade.

Não tenho tempo para prosódia flácida
(pra conversa mole),
meu tempo reverto em verso,
revisto de sutilezas e o lirismo
colho e espalho no vento...

Tem sempre olhos férteis,
arados e sulcados para a semente
germinar com euforia...

Isto me faz crer que o que escrevo é Poesia!

Jose Regi Poesia

"ALUMIAR!"





Dias de chuva...
Noites sem sono,sem Lua,
O céu salpica estrelas
para vagalumar o caminho.

Perdido o poeta sem sua musa,
tropeça nas pedras da escuridão,
grita silêncios a esmo,
nem eco se ouve na vastidão.

Voa sem rumo certo,
molhando as asas com peso do fardo,
no plano do tempo se arisca,
as cegas...

Mistura-se as águas,
escorre por entre os dedos da noite,
em corredeiras que margeiam o pensar,
liquido como lágrima quente.

Cai como gota e semente
deixa seu rastro plantado,
o poeta semeia palavras
as vezes em campo minado...

Mas não desiste do voo,
sobre penas de não pousar,
insiste,existe sempre um céu
para ele voar!

Mesmo em dias de chuva,
noites sem sono,sem lua...

Jose Regi Poesia

"Poeminha pra Lua"






Hoje a noite quando olhei a lua... era lá,meio dia!
Havia uma intensidade de brilho,
um calor vindo do alto que hipnotizou-me.

Ela devia estar encantada com alguma coisa...
Ninguém se veste de luz atoa!

Não passou desfilando sobre meus olhos impunemente,
sua luminescência invadiu-me a alma,
mexeu minha calma
e me pôs a versar...

Ela mexe comigo,
como o vento as folhas,
arrepia meus cabelos,
enfeitiça a menina dos olhos meus.

A Musa dos insones,
dos andarilhos solitários,
que declamam seus delírios
no vazio da noite.

Por que ela sempre vem
provocar o imaginário,
ouvir um pouco do silêncio
dos olhos estupefatos do Poeta!

Ela tem seu motivo para sair assim tão bela,
com a pele lisa e donzela,
desnuda toda sua verve,
Linda,iluminada e cheia... de si!

Jose Regi Poesia

"Olhos ingênuos Diário"






Busca o simples,
pisar o chão...descalço,
tocar a flor e deixa-la intacta
para o beijo do beija-flor.

Molhar os pés no orvalho da manha,
beber diamantes das folhas de inhame,
olhar com encanto o desnudar da noite,
enquanto se veste de dia.

Sentir a carícia do vento,
soprar confidências da vida,
além das montanhas Gerais,
buscar o simples...
e assim ter tudo!

Prazer pela vida,
e o que ela traz...

Ir somando,juntando,
cacos fragmentados,
para montar o vaso,
o lastro da historia,
o adorno no tempo
de um simples acaso.

Chegar no fim do dia,
com o cansaço surrando o corpo,
na cadeira de balanço do alpendre
colher o ultimo pôr do sol...

Agradecer ao céus pelo voo,
levar as asas para dormir,
e se entregar aos sonhos...

Encontrar-se!

Jose Regi Poesia

"DEUS ESTÁ DE SACO CHEIO"



Criaram calendários,
fragmentaram o tempo,
deram pressa
e prazo aos instantes,
validade de espaço,
na indefinição do segundo adiante.

criaram coisas inúteis,
fúteis e fugazes,
inventaram o trabalho,
deixaram de ser coletores,
dividiram-se em classes,
segregaram a raça,
inventaram a infelicidade.

agora choram
o choro perdido no vento,
deitado sobre seu invento,
destruíram a liberdade,
a felicidade pura,ingenua,
querem ser livres
presos as suas próprias amarras.

Impossível mudar o mundo,
fazendo repetidamente as mesmas coisas,
ha que se mudar de dentro pra fora,
ai essa hecatombe pode nascer de novo,
sob o nome de homem...

Jose Regi Poesia

"METÁFORA"







Um dia pousei,
em viagem migratória,
num jardim tenro,
de flores frescas,
de viço novo!

Havia ali seres
também recém,
com asas virgens de voo,
ainda por não saber voar...

Pousei no encanto
dos olhos dos bichos,
ávidos por aprender,
por ouvir,por saber,
pra que servem as asas!

Servem como peso,
se não souberdes usa-las,
mas ante ao abismo
que te levam os passos,
empluma-te de leveza e se alce...

Descobrirás que o céu é caminho,
sem rastro,sem margem de espinho,
e que o pouso é necessário
pra por os pés no chão...

Todo resto é aprendizado,
como o primeiro voo!

Jose Regi

"Escassez de tempo hábil"




Ouço o apito do trem,soar no silêncio,
o destino é o trilho,
onde desliso meus dias incertos,
onde reviço meus desertos,secos de futuro...

Sou aquela arvore sem folhas,
que o vento ignorou,
sem fruto,sem flores
que a primavera invernou.

Sou só um ponto no tempo,
sem pernas pra caminhar,
arraigado em minhas estações
sempre impróprias para voar.

Ha um pássaro em minhalma,
trancado do lado de fora,
querendo o céus dos meus confins...
Isto me apavora!

Demônios povoam meus sonhos,
quando morro no travesseiro,
meu cansaço insone
do corpo é prisioneiro.

Ha que se libertar das amarras,
romper com a surdez refém,
ha que abrir os sentidos
antes de subir no trem.

Este que apita a cada amanhecer,
sussurrando meu fim.
Ainda não carimbei meu bilhete,
não chegou a hora pra mim.

Mas já ouço o apito,
o soar do silêncio,
suprimindo meus gritos
meus conflitos...

Antes do embarque!


Reginaldo