sexta-feira, 29 de maio de 2015

"O PESO DO VOO"



Paira sobre mim uma incerteza,
À invadir o meu silêncio!
Então,gritos mudos ecoam
nas alamedas dos meus medos.

Minhas asas de rastejar,
são pesos mortos sem o céu.
Flutuo em passos perdidos,
incertos do final da trilha.

A vida rompe o casulo,
um bulbo agora voa sobre o jardim.
Um tronco seco de amoreira,
exibe sua força verde em broto.

Ha ainda ovos quebrando pra luz do dia,
na solidão do ninho do beija-flor.
A lua sempre arredia,
espia no fundo do corredor,
Tem receios que o sol,
cegue sua visão noturna.

Vejo ainda no romper de outro dia,
uma euforia repetida,um ritual metódico...
Eu,ante esta explosão avivadora,
quero algo diferente...Dissipar minha incerteza!

Minha truculência evidencia,
insensível falta de essência...
Não entro na dança da vida,
não entendo este canto solto...

Devo mesmo estar vivo?
Ou morrendo aos poucos?

Reginaldo

quinta-feira, 28 de maio de 2015

"VIRANDO A PÁGINA"



Os olhos sondam em frestas,
voltando anestesiado
dos campos inconscientes do sonho,
ainda insone...

Analisa o real,aturdidos
por uma sinestesia confusa,
passa a mão pelo rosto,
buscando ordenar a bagunça.

Percebe o amanhecido,
pelo vitro molhado de orvalho,
que quebra a luz do sol,
invadi o quarto um arco-iris!

Se coloca de pé,
se despe do nu
e se veste de cores
vai tomar o café...

Todos já se foram pra correria,
sobrou Ele
e sua solidão amistosa,
mais quatro cadeiras vazias.

A vida lhe faz eco,
no vale fundo dos dias,
mergulha pra fora do silêncio,
abraça tua agonia.

Escorre como se fora água de rio,
serpenteando as pedras do caminho,
tateando cauteloso as margens,
sabedor de seu destino.

Mas ainda assim vai,
buscar o abraço inevitável,
o acalento do ultimo olhar
sobre o inefável.

Ainda resta hoje pra viver,
a arte de correr o risco,
o rascunho,o esboço,
de uma obra sem assinatura...Inacabada!

Reginaldo

quarta-feira, 27 de maio de 2015

"DESABA(FA)NDO"



Meus silêncios recebem
o toque do tempo,
minhas paredes cansadas
descascam revelando
meu cerne de taipa.

Minhas veias mortas,
onde corriam seivas ,
agora feridas abertas,
expostas ao vento,
a chuva que molha,
o vazio de dentro.

Foi-se a cor,
a lisura,
a tinta rosa,
a base forte,
o sustentáculo
e os pilares
de jatobá roxo !

Agora sou ruína,
esquecido no estio,
visitado por olhos frios,
de um tempo em preto e branco,
de olhares sem cores.

Guardo ainda amarrado as embiras,
no trançado de taquara,
no barro batido á quatro mãos,
a essência de uma lembrança,
de quando ainda criança,
habitava meu intimo,
com medo do trovão.

O tempo revela fragilidade,
onde vou deixando viva saudade,
desmoronando aos poucos.

Já não se ouvi o alarido confuso,
os sorrisos soltos,
já não pulsa vida aqui dentro,
todos se foram para o concreto armado,
sou só retrato de um passado,
onde o tempo impera...

Só uma desabitada tapera!

Jose Regí

Crédito da imagem para Ninil Gonçalves

"DIÁFANO"




-Porque o silêncio atrai,
deixo-me ir...
Nas cores das asas,
na mansidão do mar calmo,
no azul dourado da tarde,
no véu negro da noite...

-Porque a noite é silencio,
ouço-me...
Ouso-me a me escutar calado,
o pio dos seres noturnos,
o balbuciar reveledor dos ventos,
a alma inquieta inquilinada
num corpo inerte,
louca pra voar.

-Porque o siêncio é mudo,
descifro-me...
Nas estrelas poucas,
venerando a Lua cheia,
invadindo os vales,
revelando as sombras,
sobras de uma ausência...

Porque a solidão do poeta,
nunca é solidão de fato e
seus silêncios são ensurdecedores!

Reginaldo

segunda-feira, 25 de maio de 2015

"IN-VERTENDO"

O céu é seu sonho,
o voo é vão de voar,
o pó em pé de vento,
é poemar!

O Poeta é mais
(s)eta do que pó,
seu verso é avesso,
é laços e nó!

...Tessituras de minucias,
de olhares ínfimos,
dos teus olhos brotam coisas
do profundo do seu intimo!

Tem pássaros nos olhos,
um vendaval nas mãos,
semeias por entre fendas
as sobras de um coração...

Num inexorável desejo
de florir desertos,
faz o longe bem perto,
do chão bruto...Seus versos!


Reginaldo

"Brisa,sopro de saudade"



Teus braços são meus guias,
seus passos os meus rastros,
meu tempo são seus dias,
minha vida seu amor e nós dois...Ventania!

Então que sopre sereno,como carícia,
que toque suave os cabelos,
que seja breve eternidade,
sem finitude,malicia,maldade!

que tenha abraço e acalento,
estes eternos momentos que fico ao teu lado,
seu beijo,seu toque,seus lábios...

E que o vento traga o perfume,
de quem irá se re-encontrar,
o brilho dos olhos,da alma o lume.

Reginaldo

"Sonhos roubados"



A lua sem brilho,
esconde-se nos olhos da menina,
menina da noite,revelando-se mulher.

As ruas nuas,
reflete o frescor da pele,
incide sobre aquele corpo,
a profanação do templo.

Vende delírios,
comprados em sonhos,
vive o inferno,
a menina com seus demônios.

Tudo é violação,
mutilação e dor,
os gemidos noturnos surdino,
é fingimento de amor.

Ainda sonha com bonecas,
e contos de fadas,
nas alcovas onde brinca
longe de casa.

Desejos de sair dali,
nutri um grito de liberdade,
se a vida não lhe alforriar,
a morte tem prioridade.

Já está a noite findando,
as feras saciadas dormem,
segui tua sina a pequena,
veste a mascara e some.

Perdida entre as tormentas,
oculta-se em calmarias,
mulher menina roubada,
que ao dia claro revela...Maria!

Reginaldo

"PERDIDOS"




Te encontrei na noite sem lume,
fazia frio e nevoa úmida,
você estava tremula,titubeante,
sem calor nos olhos...

Era só um corpo gélido comprando ilusões.
Te encontrei...

Procurei quebrar teu silencio de pedra,
entrar no seu mundo solitário,
profanar seu sagrado templo,
com meu pecado.

Queria você,
no meu egoismo,só pra mim,
queria teu corpo aquecer,
dar uma alma pra ele,
que tivesse leveza,
que voasse suave,
que sorrisse sem miopia.

Teu rosto lindo,
teus olhos tristes mascaravam,
te ofereci meus braços,
meu aconchego,
meu amor,
você me abraçou tão forte que entendi seu pedido,
"Me leva daqui"!

Então juntamos nossas imperfeiçoes,
nossas falhas se equilibraram,
nossos rumos e rumores se equipararam,
nos completamos...Nos encontramos!

Você me encontrou!!!

Reginaldo

"O PÁSSARO E A FLOR"



Pintei minha liberdade
com as cores do dia e da noite,
fiz do amanhecer orvalhado
porta aberta pro meus voos.

Minha gaiola se abre pra dentro,
lá no fundo alojei o meu ninho,
no profundo mundo"Manoel de Barros",
já fui homem,pedra e passarinho!

Estou encarcerado,
por designo de vontade,
voo preso ao jardim
que tenho perto de mim.

Pena?

Só tenho do colibri,
que mantêm agonia do voar,
beijando aqui e ali,
sem saber o que é amar!

Do seu intermitente bater de asas,
disfarçando sua dor,
Tem o carinho das rosas,
mas não tem do seu Amor!

Eu?

Hoje tenho sossego,harmonia,
selei acordo com a Paz,
desfruto das beneficies
que um pouso certeiro traz!

Pousei!

O Amor pegou-me pelas asas,
na displicência do voo,
gozo da segurança nos braços do tempo,
deixei ha muito de ser folha seca solta no vento!

Reginaldo

"VELHO AMOR"



O Poeta inventou de amar,
deserto de palavras,
rompeu com a Lua,eterna musa,
pegou o chapéu,a bengala e os óculos,
saiu a caça,
foi pra rua.

Era louco
e os olhos denunciavam isto,
não se ouvia flores de sua boca,
das mãos acorrentadas,
nem uma palavra rabiscava nos muros,
seus dias claros se foram,
tava escuro.

Tava cego de amor.
Ele inventou de amar,
inventou outra musa,
ela confusa minguou na noite,
as estrelas apareceram,eram muitas,
mas uma viria ser a dona dos teus versos,
dos teus avessos, dos teus reversos!

Maldade do Poeta,
versificou sua singeleza,
entre o pluralismo da oferta ficou boquiaberto,
queria uma estrela do vasto céu que se pintou,
confuso,sabedor nada de mundo,nem de amor,
voltou seus olhos pra ela,pra musa tua,
A Lua!

Pediu perdão.jurou fidelidade,
e aprender amar,ela entendeu,perdoou,
ficou de esperança cheia...
Ele,o Poeta,mesmo Louco...

Desistiu de inventar!

Reginaldo

"DESBRAVADOR"



Meus olhos se fecharam,
abracei a escuridão,
empurrei a porta dos sonhos semi-aberta
e inconsciente viajei...

Para um paraíso ermo,inóspito,
mas era lindo,tudo muito harmônico,
florido,regado por riachos cristalinos,
com prados verdes,vento brisa...um sonho!

Eu ali ,desbravador primeiro,
tentando impor minha bandeira,
tomar posse,cercar,
com meu egoismo.

Uma visão rompe minha saga,
uma forma crua,bela,nua,
feminina e atraente,
se poe em minha frente.

Me entreguei aos Teus encantos,
hipnotizado ,sem reação,
cedi aos teus apelos,
enfeitiçado de emoção.

Deslizei por suas curvas,
nos teus confins,derrapei,
embrenhei-me em tuas sendas,
afim de apossar-me dos teus desejos.

Era uma terra banhada de sol,
morada de Lua,de noites estreladas,
com um céu de voar sereno,
era única.

Seus cabelos em cascatas,
despencavam o brilho negro da noite,
teu cheiro era virgem,mata inexplorada,
Era o próprio sonho.

Demos as mãos saciados,
seguimos pelos prados,
até a ruína de pedra,
a porta semi-aberta empurrei...

Que pena ...Acordei!

Reginaldo

"OS OLHOS NÃO MENTEM"



Pronto!
Lá vem o tempo com o dedo em riste,
fazendo reverencia as marcas tatuadas
em meu rosto cansado.

Arteiro,pintou de branco meus cabelos,
como um menino de rua que aperta uma campainha
e corre pra não ser pego.

Sutil como vento de outono,
varrendo as folhas da rua,
vai me levando no embrolho.

Ainda me faz sentir dores de cabeça,
nos pés e nas costas,
pesando sobre meus ombros.

No espelho,ele sorri,com lábios
rosados e irônicos,disfarçado sob
um bigode descolorido.

Ah,o tempo,que não dá tempo,
apressado e dinâmico,
me aponta o relógio de pulso.

Pronto,passou, sádico
colocou-me rugas,raleou meus cabelos,
fartou-me de dores pra me trazer até aqui.

A troco de que?

Roubou-me a juventude,o viço da pele,
o cheiro de "Pom-Pom",aquarelou-me com guache,
pra chuva lavar minhas lembranças.

Não me avisou que seria assim,
que deixaria o brilho dos olhos,
só pra eu contemplar sua obra de arte...

Embalsamada em betume envelhecido,
um auto retrato triste,deste ser que insiste,
emoldurado no espelho em sorrir!

Pronto,o tempo conseguiu de novo,
na galeria das horas,me desnudar,
me revelar passageiro,diante do espelho,
que ainda reflete meu vulto!

Reginaldo

"ATEMPORAL"



Para eternizar nosso amor,
cultivei flores de plástico.

Memorizei o cheiro da hora,
o olhar de quando,
o beijo primeiro,
o abraço único.

Gravei no tronco do ipê,
amarelo,dois corações verdes
de futuro,sonhador,infanto,
imaturo!

O Ipê tombou com o tempo,
nosso amor ainda resiste,
insiste e existe,
flores de plastico não morrem!

Reginaldo

"DESEJOS DE UMA SAUDADE"



Quis o céu e sua amplidão,
o mar com suas profundesas,
a noite e suas estrelas,
quis a intensidade sutil do pôr do sol.

Quis ainda a grandeza dos gestos doces,
a criança oculta no olhar cansado do ancião,
quis o amanha ontem,pela pressa do tempo,
a brisa suave da vida...O vento!

Quis ser vale sombrio banhado de Lua,
a tatuagem na pele tua...Nua,
o sonho sem pausa,o rebelde
sem rumo,sem rota,sem causa!

Quis o voo,o vão,a fresta,a fenda,
o pouso no caminhar solitário,
quis o mundo e seus fundos,
a superficialidade do ter.

Quis ardentemente a eternidade,
por pensar ter encontrado a felicidade
e seuS momentos rampantes fugazes,
percebi meu engano...

Quis chorar,sorrir,silenciar-me!
quis o grito preso solto.
o salto sobre o abismo,
quis voar...abssolto.

Só não desejei querer o fim,
mas ele veio até mim,
então quis ainda que finde...

A maturidade,a velhice,a saudade,
o som da felicidade nitido e cristalino,
embora marcado de tempo,
desejei eternizar o menino!

Reginaldo

"MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE UM AMOR QUE NÃO MORRE"



....uma silhueta desloca suave além dos olhos,
da menina dos dias claros,azuis,navega
num deserto de areia esvoaçante,
uma sombra sob o sol ardente.

Nas mãos a esperança quase morta,
bebi a ultima gota da seiva,
ainda se resguarda para o encontro,
deseja ainda olha-la nos olhos.

Foge de si,busca no caminho,
os rastros deixados marcados no tempo,
sem saber dos planos tortos,
varre as sobras o vento.

Chora seus lamentos o solitário andarilho,
o amor embarcou a muito,
deixou um peito saudoso e vazio,
um trem quase fora dos trilhos.

Leva nas mãos uma rosa desfalecida,
por ainda sentir o cheiro vivo daquele amor,
anseia adornar seu cabelo
com o viço morto daquela flor.

Por isso o caminhar insano,
a louca busca,a procura as cegas,
por isso embrenhou desertos,
rotas incertas,desistiu de si.

Se fez sombra,vulto,silhueta,
anulou-se,alienou-se,deixou-se levar...
colheu na efêmera beleza da flor,
a eternidade do amar.

Agora vaga longe da fonte,
ele a flor,
muito além do horizonte,
cego de amor!!

Reginaldo

"ELA SORRIU AO ME VER"



Teci mais um lance da teia,
desci na miragem da via,
andei no arame farpado,
ainda molhado de orvalho,
(choro que a noite,de açoite)
desprendia.

Era Lua vazia,
vagava a ermo,
sem rumo,
sem plano,
sem rota...A ermo!

Uma lacuna de tempo,
impossível mais próximo,
o normal dissipante,
Eu louco,vivente,errante!

Me vesti de nada,
vasculhei meus vazios
em silencio mudo,
costurei outro elo da ponte.

Num salto pra frente,
vislumbrei no horizonte,
já não era vazia a Lua,
se via um sorriso de canto de orelha,
mesmo que ainda minguante.

Equilibrei no arame,
embora ela me ventou
com sua beleza,
só caí... de amores por ela!

Reginaldo

terça-feira, 12 de maio de 2015

"DIALOGO COM UMA CORREDEIRA"




E agora,onde estará?
A inocência do olhar
de sondar pelas frestas
o escondido do mundo.

Já não se assusta com os absurdos,
soltos na esquinas,
caído na rua,
com o nu pichado no muro.

Perdeu-se o encanto
do pouso da abelha
no miolo da Rosa,
dualidade de bem!

Já não se observa com esmero,
o detalhe da calma do azul,do Céu,
dos pássaros em revoada,
a copa da velha paineira,
sombra,abrigo,morada!

Agora que cresceu,petrificou-se,
sedimentou o coração,
acumulou tempo peso,
compactou-se,endureceu!

Mas...

Ainda sente a chuva escorrer,
em suas vias,ainda esconde segredos,
por desvelar...

Ainda resguarda o Menino,
ingenuo,intrépido,arteiro,
Ainda trás na alma o garoto,
espicula,curioso,
Louco pra virar barro moldável!

Esse o tempo não endurece,
os olhos ainda refletem o brilho
insano do viço,no limo verde da pedra,
ha um pedido de socorro,
gritado aos ouvidos da água que corre,
ladeira abaixo em busca do Mar!

Me leva daqui!!!

Reginaldo





"porque o amor é um mar de segredos,
mergulho em suas profundezas...
nunca gostei de superfícies!"

Reginaldo

Dona Maria Jose Da Silva



"Setenta e um?!"

Não sei mais acho que é,
a idade daquela mulher,
que se dispôs a ser,
luz para,dar luz,
desejou querer-me.

Não sei se o tempo conta,
mas é ela a mesma,
no tocante ao amor desmedido,
a preocupação desmensurada,
aquela que ainda me chama de menino...

Para a Mãe o filho não cresce,
aos olhos dela ainda esmero cuidado,
ainda colho acalanto,
ainda brilha de orgulho quando me vê...

Aquela mulher...

Acho que tem mais de setenta,
pouco importa as marcas de Chronos,
os cabelos brancos,
as rugas acentuadas!

Acho que é essa a idade dela,
tenho dúvidas quanto o tempo,
esta mulher é minha Mãe,
o tempo não conta
pra quem já nasce eterno!

Reginaldo

"OUTRO LUGAR"












O Poeta inventa de voar,
dá-se asas,apodera-se do Céu,
e vai rumo ao Sol com asas de cera!

Lá de cima vê quão grande é seus desertos,
é tempo seco nos Prados de Adélia,
tem pedras e só,nos campos amarelos!

Drummond avisara das Pedras,
que haveria no caminho,
cego,não vislumbrei e caí!

Apesar da pia cheia de louça suja,
lembrando-me da noite de ontem,
fui dormi com minhas sujeiras!

Uma pagina em branco,
nem rascunho quis fazer,
mas ainda espero a chuva...

Com essa ardência no peito,
sigo rompendo meus desertos,
semeando na areia estéril.

Vou colher flores e pão,
a caneta rabisca o chão
onde cravo meus passos...

Entro no coletivo,
cara,crachá,uniforme tudo igual,
entro no esquema de corpo,sem alma!

Esta está voando...
Para um inferno mais calmo,
cansada de ventanias!

Reginaldo


Ah,o Beijo...

É o Amor falando
no silêncio...

Calando a Boca!!!


Reginaldo

"TUDO VALE Á PENA..."



Mesmo quando tudo se tornar escuro,
mesmo que o silêncio seja doído,
mesmo que o sangue ferva com toda frieza,
ainda assim terá valido...A pena!

A pena foi não ser correspondido,
a sentença é a desolação,
por amar feito cego,
não toquei seu coração!

agora preso do limbo da solidão,
a léguas do seu calor,
sou um tanto de mais nada,
daquele tudo do amor...Pena!

assumo Mea-culpa,
isento e absolvo você,
tenho minha dor de cabeça e só...

Todo resto fiz por merecer!


Reginaldo

"Plano de fuga"




Quis o fundo do Mar,
A sua solidão,
O seu deserto...

De certo,queria Amar!

Quis me jogar ao Mar,
Deixar descer,
Submergir o corpo...

De certo,queria almar!

...depois,quis ser nuvem,
nevoa brumada,
leve sem peso,suave...

De certo,queria o Céu!

Pássaro sem asas...

Ai veio o vento
e varreu meu delírio,
levou-me ao colo do chão,
desperto,lúcido,vivo!

me fez entender,
desejos,anseios,utopias,
são quereres vãos,
ante o implacável destino!

Recolho-me ao corpo,
coloco a mascara,
assumo-me homem,
embora menino!

Meu anjo da guarda,
desiste de mim,
retira as asas em repúdio...
Mergulha pro fim!

Reginaldo

"DESOLADO"


Há uma ilha em mim,
Oculta,isolada,inóspita,
silenciosa!

Há trilhas nesta ilha em mim,
intocadas,sem clareiras,
segredadas á chão batido!

Há um coração ai nesta ilha de mim,
Pulsante,resiliente,sem rumo
e errante!

Há ainda no entorno desta ilha em mim,
um mar,calmo,sereno,
ansiando por desaguar!

É fim de tarde na ilha...

Em mim chove o choro do tempo...

Escorre sobre a rocha.
Os olhos desvelam a solidão,
o mar se agita,ante a noite que cai...

Grita!

Em mim a ilha entra em erupção,
a lava abrasa e lava a alma,
meu isolamento era minha libertação!

Reginaldo

"DISSIPAÇÃO"



Ando meio nuvem,
ao sabor do vento,
não alardeio meus desassossegos,
mas ...Há dor,aqui dentro!

O tempo é o motivo,
eu cativo dos passos
liberto na estrada,
com asas de chão!

Minha alma já não voa,
com a leveza das nuvens que sou,
dissipa,separa,segrega...

Mas se junta no por do sol,
lá no longinco horizonte...é o vento amigo,
querendo ver meu choro,minha chuva,
meu lavar a alma!

Reginaldo

"Brisa,sopro de saudade"




Teus braços são meus guias,
seus passos os meus rastros,
meu tempo são seus dias,
minha vida seu amor e nós dois...Ventania!

Então que sopre sereno,como carícia,
que toque suave os cabelos,
que seja breve eternidade,
sem finitude,malicia,maldade!

que tenha abraço e acalento,
estes eternos momentos que fico ao teu lado,
seu beijo,seu toque,seus lábios...

E que o vento traga o perfume,
de quem irá se re-encontrar,
o brilho dos olhos,da alma o lume.

Reginaldo

"ALMAR"






Há um vento lá fora,
um voo liberto,um pássaro alma...
Eu indo embora!

Reginaldo


"O Espelho"













O quadro é triste,
sem luz e brilho,
sem calor nem frio,
é neutro,insosso!

Mas o reflexo o encara nos olhos:
Não há olhar por detrás espelho,
solidão é porta escancarada,
há´calor que vem de longe,
das colinas do imaginar...

São afagos que a alma tange!
Plange uma canção o vento,
uma prece lamento,
que o tempo fragmenta!

No silêncio instalado,
um bom dia suave e doce,
um beijo recém acordado...

Penteia o cabelo de lado,
enche o peito e ascende pra rua,
tem um mundo lá fora...

Bate a porta e vai embora!!!


Reginaldo

"OPOSTOS"



Teus olhos deflagram um riso irônico,,
que os meus se escondem,ofuscam-se,
o ar se dissipa das asas acanhadas,
voo então torto e atônito!

Teus olhos declaram guerra
Por que a paz me habita,
eles se incomodam
com meu silêncio de pedra!

Teus olhos riem do meu silêncio...
Os pobres lumes não sabem ler,
meus silêncios são poesias,
que tua ironia não vê!

Tua cegueira sem graça,
insensível,imutável,
causa á mim dó.

Não tem pra mim algum valor,
tua ironia é só mais um engodo teu,
á disfarçar por mim um Amor!

Você é louca e Eu sonhador!!!

Reginaldo

"Palavras para livre interpretação...Sem imagem"






Saindo aos poucos,
partindo,
devagarinho sem alarde,
vou junto com
os raios de sol,disfarçado,
na penumbra do fim de tarde!

Mas rezando pra amanhecer com chuva,
só pra não ter que voltar...
a angustia da volta,
á mim revolta,
caminhos que já trilhei,
é passado.

Busco o novo,
o abismo,não importa,
vou quebrar as asas,
mas não me negarei
o salto...

nem o voo!
tomara que chova!!!

Reginaldo

"Calmaria"



"Onde não tem amor...
In-venta,
o ar parado ventila-dor!"

Reginaldo

DAS MINHAS UTOPIAS...ALGUMAS INCERTEZAS



O Poeta é um arco sem flecha,
uma seta em curva reta,
sem sentido e direção,
que sempre encontra sua meta!

Seu alvo quase sempre
são os olhos e o coração...
Quando não aprisiona,
ofusca a visão.

é tiro perdido na vastidão do nada
é um parto sem contração,
é dor que lhe arriba o peito
nascendo de tuas mãos.

Ele ,Poeta,
é a própria construção,
palavras mudas são tijolos
em seu projeto de criação,
construtor de ilusões...?!

Reginaldo