terça-feira, 31 de março de 2015

A MUSA



O Poeta namora a lua
pela janela do quarto,
sonha acordado atras da vidraça,
delira com seu lumencanto!

No jardim dos teus olhos
colhe a flor dos teus dilemas,
mergulha em tuas profundezas
para descreve-la num poema!

É aos olhos dele,
como a um enxame solto no vento,
voando como folha seca,do outono sem destino,
espera que tu pouse no seu chão papel,
o poeta menino!

Onde teu nome,
teu lume,lua cheia de encanto,
é feitiço de florir teus desertos,
é o amor eterno do Poeta por ti,
que dura o instante de uma estação,
fugaz como voo de borboleta!

O Poeta não Ama a flor, mais que tua musa,
ele cultiva pra ela o jardim,
com adornos de seixos e cascalhos
e as cores da Íris,
no arco da menina dos olhos!

Reginaldo

"sonora"


Rompeu o silêncio o estradivários,
som harmônico do violino,
o menino acompanhou assobiando,
imitando o passarinho.

Enfeitiçou o amanhecer
que logo chamou o sol pra ver
e o vento pra espalhar...

Pra não viver de angustia
o jeito é cantar,cantar e cantar...
e tocar!

Reginaldo

"O Silêncio das mãos"


Disseram-lhe que havia morrido o amor,
ele estarrecido não acreditou!

Esbravejou que não havia sido informado,
e que o vento sempre falastrão,soprou
tal absurdo!

Não aceitara o fim daquele que perseguira,
por toda uma vida de desencontro,
entre os desencantos.

Recolheu-se ao jardim,
onde semeara suas fantasias,
nem um broto pra consola-lo.

Percebeu seu rosto molhado,
seu olhar sempre florido,
havia turvado.

Tua alma voara pra além do jardim,
tentando entender o alarde,
que lhe roubara a calma do fim da tarde!

O voo da borboleta,o toque do beija-flor,
o desperta pra uma certeza,
o amor adormeceu,porém nunca morreu...

O Poeta baixou a caneta,
em prece e silêncio perturbador...

é deserto,
quando há silêncio das mãos!

Reginaldo

"ADMOESTAÇÃO"


.
O Amor o pegou pelas pernas,
depenou suas asas,
atrofiou-lhe a liberdade do voo...

O Amor silenciou tua fala,
roubou sua língua,calou teus gemidos,
teus sussurros!

Depois teve pena,apiedou-se,
compadeceu do teu olhar
melancólico de medir os passos.

Na ânsia de faze-lo ver o céu,
transmutou-se em vaga-lume,
voando sobre sua cabeça...

O Menino pássaro,entendeu o recado...

O Amor ensinou-lhe andar,
pisar o chão do desconhecido,
caminhar sobre sua sombra...

Desatino é saber-se voo,Preso,
o menino que o amor soltou
tinha asas nos olhos...

Livre na firmeza dos pés,
nunca mais deixou de amar as estrelas...
Assim do chão!

O Amor deu linha,deu vento,espaço,
sem nunca mais amarrar-lhe o voo!

Reginaldo

sábado, 28 de março de 2015

"Boêmio"




Tem amor no fundo do copo,
tem o sabor que puder sentir,
o amargo que desperta,
o doce que alucina,
o acido que alforria!
A alma!

Tem paixão,
Tem ilusão,
Tem utopia!

Tem caneta,
tem papel
e poesia!

Tem amor no fundo do copo,
sobre o balcão,a saideira,
vira e vai...Perambulando solitário.

No banco da praça,
conversa na sombra
sobre as sobras de Si!

Conversa boa,
converge em versos,pra lua,
a solidão do Poeta.

Teu sofrer rabusca,
o negro da noite,
vestida de gala pra seduzi-lo!

Pouco a pouco,
ainda rouco,
declama seus versos pra ela!

Ela o abraça,
rechaça seus devaneios
o faz adormecer,depois do ultimo gole!

Reginaldo

sexta-feira, 27 de março de 2015

"DO NADA"



Desperta,incerta...

Adentra a porta entre-aberta-
da alma!

Por traz de um peito sem botão,
camisa semi-aberta!

Pousa abortando o voo,
aloja lá no fundo...Aninha!

No silêncio em primazia,
profundo,encontra aconchego...

Reciprocidade num coração,
reduto de poesia.

Agora fecha o tempo lá fora,
desaba o mundo,chove forte!

Com olhos de ver além das mãos,
observa de dentro...Da palavra!

Grava no tronco do Ipê
,
o nome dela,um eco oco!

O amor é pouco,
tonto,torto,mas o Poeta insiste...

Ama como louco!


Reginaldo

quinta-feira, 12 de março de 2015

Onde está os vaga-lumes?



Quando não mais respirar,
dos olhos o brilho expirar,
não chores por medo da solidão!

Fui pro lado esquerdo da margem,
desculpe pela saudade,
foi sem planejar!

Depois da neblina me encontro,
sozinho ,pedido de novo,
no jardim das sombras.

Não imaginava sem você,
esperarei seu barco aportar
guardado da solidão
ávido por teu sol.

Você será minha luz de andar nas trevas,
nas veredas do desconhecido,
depois do pesadelo não ter amanhecido.

Tenho medo e tudo o que tenho!

Reginaldo

segunda-feira, 9 de março de 2015

"APRESSADO"

O tempo senhor das eras,
nada espera e sem paciência
impera sobre minhas vontades.

faz deste menino,ainda infante,
desiludir-se com o brinquedo,
na pressa de ser grande.

porque o tempo não para!

passa e leva todo vigor,
todo ardor,todo calor viçante,
menos o brilho dos olhos
de ansiar futuro.

pinta de branco os cabelos,
mas não apaga a memória,
enruga o rosto e a pele,
mas nunca a lisura da historia!

Reginaldo

quarta-feira, 4 de março de 2015

"Companhia"

Por vezes,
A Morte me Faz Pusilânime,
cambaleante,desconexo,
trôpego nos próprios Rastros!

Finito,,
Tua certeza insana,
causa sempre surpresa
a minha vã sanidade!

Lucido,
Não entendo esta sombra,
que rouba a minha claridade,
assombra de me matar!

Louco,
Tento me resguardar,
manter o viço dos olhos
para quando encontrar...

Fitar nos olhos dela,
com doçura abrir os braços
e dar-te as mãos.

Pode ser o fim ou minha salvação!!