sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

"O JARDINEIRO!



Sonda-me o som das sombras,
um agudo assobio,
uivado de vento,
trazendo o lamento pra perto do fim.

Incólume ali no jardim,
viça vermelha a rosa,que pulsa vida,
beleza e desarmoniza
com o som sombrio da noite.

Que quer ocultar seu brilho,
abafar seu perfume,
levar o viço pra escuridão.

Em vão...

Nas escalas deste acorde
o som final é silencioso
quase mudo.

Enquanto a rosa brilha
efêmera,num desatino de sorte,
sabe que o fim não chega
com o canto desafinado da morte!

Reginaldo

"SEM TEMPO"



Ante ao desespero do iminente fim,
quando as palavras se fundem em sussurros,
rabiscos tortos descoordenados,
pelas mãos tremulas de frio.

O silencio inevitável habita os olhos,
quase deserto de brilho.
A boca murmura,um amargo adeus!

Os odores do viço das manhas orvalhadas,
que desmanta o jardim além da janela,
as narinas não sentem!

Foi-se os sentidos vitais,
silencia os choros,os lamentos,os murmúrios,
ouvi-se ao fundo um suave bater de asas,
quase mudo.

Ficam os sorrisos dados,
os beijos doados a revelia,
a sutileza do olhar
as doces lembranças,
os pensamentos ocultos
desvelado em poesia.

Fica a saudade,
e a falsa impressão de eternidade,
até que feche as cortinas!

Reginaldo

"AZUIS"



O Mar não é azul!

Só reflete o desejo do Céu,
de ser Mar além do espelho D'água...!

O Mar quer asas,
encontrar o Céu num abraço...

Enquanto o Céu, escamas
pra um mergulho ao pôr do sol.

E nada mais!

Na impossibilidade do sonho,
só desejos e desencontros!

Reginaldo

"ACUADO"(acróstico)



Aquele
Cachorro
Uivando,
Arredio,
Doente,que você não
Olha...

Ali no
Canto do muro,
Um
Animal
Desorientado,
Oprimido...

Aquele
Coitado,
Um dia
Amado,o
Dono
Ostentou!

Agora aos
Cuidado da rua,
Uma criatura
Anda de um lado pro outro
Desnorteado,só pele e
Osso!

Ah,vida de
Cão,
Um dia farta
Atenção,noutro sobra
Desprezo e
Omissão!

Reginaldo

ABSOLTO



Sorve a essência do Voo,
leve pluma ao vento,
alma contento,
pássaro noturno de manha!

Sai da escuridão,
absolvido,perdoado,
ensaia novo alçar
em bater de asas calado!

Ganha o céu despertando,
das sombras da ilusão,
és arvore,corpo,ninho
pouso na palma da mão.

Assim arraigada,
aceita voar nos olhos do tempo,
que lhe ceifou as asas,
mas não lhe negou o vento.

O silêncio em palavras,
subtraída das não escolhas,
outros pássaros revelam
coletando tuas folhas...

Pra outros ninhos e Voos!

Reginaldo

"VIÇO E VERSO"



Não vou explicar,
vou expressar o que aplico,
quem sabe no verso
esteja explicito!

A mão que segura a faca
é a mesma que afaga,
a vida é uma adaga
que não indaga...

Mas por vezes corta,
fundo na alma.

Tão frágil como voo de borboleta,
que o tempo esmaga,
com impiedosa efemeridade!

Reginaldo

"MEDO DO ESCURO"



Ha uma solidão em mim,
tão atormentada,
quanto a alma que lhe dá abrigo,
foge o corpo desta insensatez...

em vão!

Cala em mim um silêncio mudo,
doido e profundo,que chega
ao fundo do meu poço,
meu mundo...

Uma prosa reta em curvas densas
sem virgula,sem ponto,
encanto,nem conto,
tão quieta,que me faço de surdo.

em suma...
Cala em mim um absurdo!!!

Reginaldo

"GÊNESIS"



Rabisquei no meu peito
algo parecido a um galho seco...

Você distraída ,
passarinhava por perto,
resolveu pousar.

Fez ali seu ninho...
onde chocou nós dois!!!

Reginaldo

"VOO SECO"



Ah,como é sublime
o cantar dos passarinhos,
que no entorno do ninho,
contempla a criação...

Como pode tanta alegria,
euforia tamanha só pelo simples
raiar do dia?

O Poeta com seus desassossegos,
talvez não entenda a grandeza do fato,
tem de fechar os olhos,
para que entre a luz que vê os pássaros!

Mal sabe o poeta,que o pássaro canta
uma eternidade chocada no ninho,
não sabe da morte certa,no bodoque do menino
que o mira de terra firme!

O Poeta é triste quando a sabença
o coloca em xeque,quando humano
se depara com a morte em todo canto,
então desvive seu desatino.

O pássaro não vê problema,
em cantar de manha pro sol,
nem pros ouvidos do poeta triste,
sabe da eternidade tanto quanto da morte!

O poeta só tem o Voo,
e a certeza do pouso
sem hora marcada...

Para então cantar a eternidade sonhada,
Como canto de passarinho!!!

É folha seca ao vento!!

Reginaldo

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

"Desgarrado"


Era manha fria de junho,
o dia empurrava a noite
que não recolhera toda sua escuridão!

Na penumbra da mata
em meio ao vergel amarelo de sol
ei-la assustada sob o olhar malévolo
do corvo.

Uma instigante figura angelical,
semblante reluzente,muita doçura no olhar,
apavorada ao tão desconhecido chão.

Era criatura do céu,que desgarrou-se do bando,
voando em curso torto,caiu,
anjo caído dos sonhos na floresta do medo.

Agora espera que a luz,
invada e dissipe a névoa dos demônios,
espante os olhos que velam seu desespero.

Quer logo esticar as asas feridas,
rever o plano de voo
e alçar pra fora dos seus medos.

Voo solo,
céu azul e límpido,
abismos de si,
que não são o fim do caminho,
embora ainda não saiba andar...

Recolheu asas,
deu seus primeiros passos
tentando o equilíbrio
á nova realidade.

Quando a leveza é negada,
caminhar é pesado...Mas preciso!

Reginaldo

"SOBRE O SOM DO FIM DO DIA"



Sondar o sol sair de cena,
sentado sobre a soleira da sala,
sentir a suavidade
e sorrir sozinho.

Assombrado com o silêncio
dos sons que segredam
sutilezas.

Toda insanidade ressaltar,
já com a sombra da noite a soprar,
suspiros de sono,clamar pelos sonhos.

Esquecer a insonia no sofá,
sob os lençóis,se entregar,
sem ressalva,num descansar sereno.

 Reginaldo

domingo, 22 de fevereiro de 2015

"CRIAÇÃO"



O Deus tempo desocupou as gavetas,
varreu a poeira,
limpou os vazios...

juntou um punhado do nada sedimentado,
criou tudo que há.

Incubado na sombra,
uma forma se forma,
de seixos,areia e luz...
que invade as frestas!

Uma forma bela,de curvas marcadas,
um espectro doce e materno...

O Deus tempo se revela,
fez primeiro de uma costela,
dos guardados que tinha,
ainda que desforme...

Fez a mulher,
pra depois fazer o homem!

Reginaldo

"DESENGARRAFAR"


Seu barquinho vai indo,
deslizando em meio as tormentas,
turbulentas ventanias,
temporais que a vida traz!

Sempre em busca da calmaria,
do oásis,do espelho D'água,
que reflita sua alma
cansada de guerra.

Segue no rastro da esperança,
ingênua criança,
que o tempo lhe afague
com dias melhores.

Um porto,um ancoradouro,
que lhe traga guarida,
lhe abrace o corpo,
lhe abrande as feridas.

Não quer mais navegar as cegas,
quer retirar a venda das asas,
quer enxergar o céu...e voar!

Pousar na paz furtiva,
que a lentidão das águas espanta,
voar pra longe das tormentas,
pisar enfim terra firme.

Onde terá guarida dos temporais,
paz,sossego de alma,
uma palhoça de folhas largas,
colhida dos coqueirais.

Água de coco,sombra,vento nas velas,
convite de ida,que recusas no ato,
não são velas içadas,
são bandeiras branca no mastro!

Desejos revelados ao vento!

Reginaldo

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

"Voo aprisionado"



Farto do fardo,
deponho as fardas...
Entrego-me a beleza do fado,
na sofrência da canção,
quase um choro.
Sobrevivo em meio,
no meio ,por meio
do caminho que tateio!
Mas carrego o peso,
de correr atrás,o que me faz
desentender o sentido...
Pra quê?
Onde quero chegar?
São respostas que o tic-tac do tempo,
não me dão trégua pra encontrar,
então vou sendo levado,nada serio!
Mas sei que dentro,no interior
ainda habita um índio despido
de qualquer logotipo.
Selvagem,livre,que sabe viver...
Apesar dos porquês!

Reginaldo

"Depois da chegada tudo é partida"



Que amar viver,
é saber-se semente
de finitude!

Germinando o fim,
que sabes desconhecido,
mas tem certeza do seu florir.

Que terás tuas primaveras,
onde verão o calor dos teus olhos,
se invernarem depois do outono!

Que tudo cessa,de repente,
no instante de um piscar,
no subjetivo do tempo!

Assim singular,
busque a pluralidade de ser
vários em um só ser!

Pois quando partir pela manha,
será estrela anã,longe do pôr do sol,
eternamente!


Reginaldo

"PRECE"



Senhor...
Moro na roça,
numa choça de sapé,
meu prazer é ver a chuva,
molhando o sossego,
alagando a alma
e transbordando aos olhos.

Afogando as palavras,
que gratas não dizem nada
estupefatas de satisfação.

Tempo quente,
sol ardente,
incomoda a gente.

A chuva em suma
é o choro do tempo,
tem dó de mim
e de minha gente,
que não sabe o segredo da dança,
por isso ora,ora...

Por horas e horas!

Reginaldo

"INÉRCIA"



Num tronco velho caído
da fileira de carvalho,
sentas atormentado,
por não achar o atalho.

Perdido em pensamento,
sob o rumor dos pássaros
a floresta rebate o silêncio
no calar dos teus passos.

a escuridão que vendas,
dos teus olhos as sendas,
talvez um dia desvendas
o segredo das veredas!

Uma clareira apenas
é o que desejas olhar,
algo que lhe traga alívio,
que lhe permita andar.

Neste sonho pesadelo,
neste medo enfadonho,
despertar pra um outro dia
expulsaria teus demônios!

Será?

Não são teus os demônios?
Então de nada adiantaria outro dia,
cheio de luz e claridade,
não haverá mudança alguma
se for mentira sua verdade.

A floresta densa onde te escondes,
são engôdos do teu imaginar,
tu és teu próprio diabo,
tua salvação a te condenar.

Vai o dia ,vem a noite,
outro ano de açoite,
você que quer mudar o mundo
faz sempre as mesmas coisas!

Impossível qualquer vislumbre,
neste inóspito terreiro,
para mudar o mundo meu caro...
Vais ter que mudar primeiro!

Reginaldo

"NEM BALSAMO,NEM POÇÃO,NEM FEITIÇARIA...SÓ POESIA"



Nesta vida em que passo,
aos trancos,barrancos e tropeços,
inverto o sentido de tudo,
em versos dos meus avessos.

Sou todo contravenção,
vento do desequilíbrio,
meu rumo nunca é certo
e sempre na contra-mão!

Meu trabalho é meu fardo,
minha angustia é meu sustento,
meu silêncio é meu grito mais forte
a Poesia é meu Unguento.

Aqui sou leve e suave
como brisa de fim de tarde,
que poliniza o jardim
onde brota felicidade.

Felicidade que foge as vezes,
por não encontrar guarida,
mas na primeira deixa
abraça,aperta Faminta!

Estou feliz quando escrevo
alma sempre repleta,
as palavras jorram a Lira,
sou feliz..Sou Poeta!

Escrevo muito...Então concluo,
se estou feliz quando escrevo,
sou feliz o tempo todo,ficar triste...
Nem me atrevo!!!


Reginaldo
"CIFRAS"

"Poesia...
É um punhado de palavras soltas,
que o poeta pauta e harmoniza,
pra os olhos musicar...
É canção da alma"


Reginaldo

"Faz de conta"



Todos os pássaros do meu aquário,Voaram!
as maças do meu pomar,viraram borboletas,
no capim seco aninharam os peixes,
onde havia brotado as violetas!

É meio louco,
tudo que sonhar é pouco,
quero o mar virando poeira
só pra fazer-me chorar.

Inundar o meu sono,
insone sem acordar,
andar de olhos abertos
quando a noite calar.

Por que o real é sem graça,
um café em caneca de lata,
resto de pão amanhecido,
jogando migalhas as baratas.

Em sono profundo desperto,
dou asas aos peixes,
mergulho com os pássaros,
crisálidas de luz e feixes.

As frutas do pomar?

São borboletas maviosas,
salpicando por entre as flores,
no inconsciente do sonho...

Tudo é lirico e belo,
nada é medonho,
posso até amar
dentro do meu sonho...

Isso se não acordar,suponho!!!

Reginaldo

"TATUAGEM"



Como uma Nau à deriva,
nas águas da tua pele,deslizei...

no mar que trazias no corpo,
mergulhei o azul dos meus olhos!

Profundo,marcado,sem rumo,
perdido em teus confins.

sou agora parte tua,
arte em pele nua!


Reginaldo

"Quanto aos ecos...Silêncios"



Passou- se tantos verões,
relâmpagos e trovoes,
sol ardente e foi-se o viço
da folhagem verde,
vicejando no orvalho
a cada amanhecer,
mal sabendo que o tempo
era seu pior veneno.

Como folha seca que só tem ao chão,
acabou a lisura aveludada,
a maciez do toque,
a suavidade enrugou...

Só o vento lhe faz carinho,
soprando alivio ao corpo surrado,
não espera dias melhores,
nem conta mais com a sorte,
não usa relógio,nem calendário,
teu corpo é seu relicário.

Tua história é teu trunfo,
tua bagagem sempre pronta,
o corpo sabias,não era teu,
por não ser Ateu acreditavas,
era portal de passagem,
enxugado pelo tempo longo!

Agora tens o brilho nos olhos,
o azul mais profundo de azul,
tua essência ficara incauta,
assim que chão se fizer,
voltarás semente,incubada,
no seio da terra,broto,
renascimento,
arvore no alto da serra.
Fonte pra sede do tempo!

Reginaldo

MERCEARIA


Vo pu trabaio sempre na mema hora,
na istrada tomo café na venda da dona Jandira,
café com leite pingado,broa de mio fresquinha,
que fica no barcão de entrada.

Um sorriso e um bom dia sempre vem de lambuja!

Passa o dia cumo o vento,
soprado,rápido,digeiro,
na vorta dona Jandira já sabe:
Uma táia de queijo,
uma dose da boa,
com limão rosa,qué
pra num fica cheiro!

Então passo a lista:
um pouco de pó de café,
um tiquinho de feijão,
uma garrafa da boa,
querozena pra lamparina,
Sabão de pedra,
fosso,matumati,
uma lata de sardinha
pra cume cum macarão,
compreta a lista,
uma lasca de fumo,
um pacotinho de paia,
um agrado pra veia
e um masso de vela,
pra acende pro santo
de devoção.

Mando po no prego a conta,
finar do meis nóis paga direitinho,
dona jandira já sabe o sistema!

Assim nóis leva a vida,
simpres da roça,
num farta nada,
e quando as lata faiz eco,
a venda da dona Jandira
fica ali bem perto.

Lá tem di tudo,
de agúia a avião,
ai de nóis se não fosse a venda da dona Jandira,
aqui nesta biboca do sertão...

Nois tava Morto!!!

Reginaldo

Á DERIVA!



O dia segue seu curso,
como tudo em frente,
a vida segue o Script
sem muita conversa mole...

Neste gancho,ele se encaixa,
nem por cima, nem por baixo,
meio termo no despacho,
feito manso riacho...

Longe da agitação da cascata,
distante do abraço do mar,
regato sereno,deslizante,
vai indo sem preterição.

Já foi chuva forte,
com trovões e temporais,
vencido pela bonança
que logo o vento traz.

Agora calmo de alma,
vive o instante sem heresia,
colhe versos nas margens,
um buque de poesia.

Seu barquinho segue sem rumo,
na rota do desconhecido,
leva consigo a certeza
que valeu ter amanhecido.

E vai indo,indo,indo...

O porto é o destino,
deste menino
deus do trovão
tramando resistir.

Aos deslizes do coração.

Reginaldo

"DO OUTRO LADO DA PRAÇA"


Uma foto antiga no porta retrato,
amarela de tempo,
conta saudade dos idos de outrora,
onde o tempo parou naquele piscar de olhos!

Era fim de tarde,
com o sol sombreando a serra,
todos reunidos no terreiro
perto da primavera.

Família ajuntada
pra conversa e prosa boa
comida e fartura
onde alegria ressoa.

Toda vez que olho pra foto,
esquecida no canto da sala,
regresso de olhos fechados,
ainda sinto o cheiro exalado.

Saudade de tanta coisa,
que o tempo deu fim,
vontade de novo de juntar
todos perto de mim.

Estou aqui chorando os idos,
os entes queridos partidos,
sabendo certo e exato,
tenho bilhete comprado,
só não tenho prazo vencido!

Mas ha de chegar o dia,
que virá findar minha estação,
terei meu bando de novo,
talvez outra ajuntação.

Serei o ultimo dos desgarrados
a somar ao grupo da foto,
saudade jamais sentirei
pois nunca mais olharei
do lado de fora da foto.

Terá enfim o tempo
eternizado meu meu olhar
sempre vivo num porta retrato!!!

Reginaldo

"TEMPO PERDIDO"



Escrevi um poema pra ti,
no quadro negro com giz ,
teus olhos nunca pousaram
no desenho que fiz!

Sempre passarinhava longe
das minhas tocaias,
meu canto mudo
era só silêncio!

Foi passando o tempo,
o vento apagou o poema,
do quadro onde pintara nós dois,
só restou o fundo...Negro!

Você nunca leu os meus olhos,
nunca entendeu meu sorrir,
o vento sim sabe o segredo,
tanto que levou o poema pra si!

Que pena,era lindo!!!


Reginaldo

"FANTASIA"



Por gostar de silêncio,
faço,
Retiro espiritual...

Sobra um corpo vazio,
fazendo eco na multidão,
é Carnaval!!!

Reginaldo

sábado, 14 de fevereiro de 2015

"HORIZONTE"


Andavas procurando a felicidade
em meio aos escombros e o
amor entre as folhas mortas do pomar.

Tua única fonte de luz,
sempre velada de escuridão,
foi sempre alvo do vento
soprado pela brisa da solidão.

Uma clareira no silêncio,
buscava com inquietação,
entre as sombras da floresta
alento para aflição.

Seguiu em frente,resiliente,
caminhando ,caindo e levantando,
até que avistou o Mar,
o aconchego da praia.

Agora navega em águas calmas,
tem aparente calmaria,
Barco solto na corrente
tem maré,mar e maresia.

E o horizonte...!

Ao alcance das Mãos,
dos olhos
e dos voos.

Reginaldo





segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

"Só"



É verão em meus desertos,
sem vento,sem sombras,
só imensidão e areia.

O Dia imenso de sol a pino,
só mostra o horizonte destino,
longe do sossego.

Espero por tormentas,
que abale meu silêncio,
que desate o nó da garganta.

Onde alguém mais possa ouvir meus gritos,
além da solidão.

Reginaldo

"DEPOIS DAS RETICÊNCIAS"


Quero um naco do teu silêncio,
que habita o meu redor,
tua sombra sempre presente,
que nunca me deixa só.

Na soleira da janela,
pra depois dos vidros claros,
ainda resisti teu reflexo,
minha saudade,meu amparo.

Quero um poema,
que não cause dor,nem trema,
ante aos calafrios e arrepios
de palavras amenas!

Poema que extrema em
externar alguns tabus,
outros dilemas.

Um poema de suavidade,
sombra da boa idade,
colhida no jardim dos tempos.

Um que valha a pena,
discorrer sobre o papel
como pouso de pétalas
sobre o colo do chão.

Um que agregue,
os amigos distantes
em rumos distintos
no piscar de um instante.

Um poema de verdade,
que não tenha maldade,
um poema de emoção,
exprimindo saudade.

Não consigo,Eu penso
eu passo,
Não quero um poema...
só queria teu abraço!

Reginaldo.

"Sobre o Homem sujo da praça... "


Toda lucidez se foi,
toda crença se desfez,
alienou-se os sentidos,
a razão esvaiu-se.

Agora vaga nas paginas
do bloco de anotações...
Rabiscos de silêncios
que gritam socorro.

O mundo todo não lhe foi suficiente,
sua carência de profundeza
o fez mergulhar na vastidão dos teus confins,
isolou-se dentro de si!

Atravessa desertos incertos e áridos,
paradoxos entre vidas,
se morrer não faz sentido?
Porque abraça a certeza que ignora?
Porque chora as vezes sem motivo?

Não tente o mundo cá fora,
compreender está loucura,
o paralelo estabelecido
delimita o normal que foge as normas.

Não,não tente!

A Norma que ele considera,
é Dona da Pensão lá da esquina,
irmã de Dona Dirce,
que vez e outra escorre olhar doce de pena por ele!

Mal sabe ela(Dona Norma) que esta doideira toda,
foi o meio dele se ver livre dos tormentos,
cansou dos sonhos de felicidade...

Descobriu a Paz na insanidade!

Não conta as horas,
não marca o tempo,
mora na praça,
fala com vento,
brinca com chuva,
gosta do sol,
não sente dor,
amor,paixão,
não tem noção,
razão,nem chão,
seu mundo é ele
e o que guarda de solidão.

Louco?


Reginaldo

"LUNAR"



Esta lua no céu vagante,
que capta meu olhos viajante
em noites claras de silêncio,
ta na fase mais sublime...Cheia!

Enquanto "Eu"...Minguante!


Reginaldo

"FLOR COLHIDA DE MANHÃ"



No desentristecer da noite,
amanhece o dia,
o canto dos pássaros,
voa solta melodia.

Cai sobre as águas
o sol mordaz,
roubando a doçura
do alvorecer.

Canta o vento teus silêncios,
uivos sacros e harmônicos,
ouve longe a lua indo
no encalço da escuridão.

Neste teatro maluco,
onde o ensaio é diário,
é vida só uma peça,
o destino relicário.

Meu terço trago nos dedos,
uma oração,uma prece,
peço aos céus que não detenha,
o alar dos meus olhos.

Quero muito outra noite,
ansiar um outro dia,
onde minhas mudas falas,
sejam simplesmente...Poesia!


Reginaldo

"Vazio"



"O poema é todo silêncio,
que a escrita alardeia em palavras,
mas ainda sim silêncio,
até que os olhos declamam!"

Reginaldo

"EQUILÍBRIO"



Todos os dias são pra mim um aprendizado,
uma terapia, um exercício para aprimorar
o ser(humano)que habita este corpo.
Tento discernir com clareza,
na solidão dos meus silêncios,
o respeito as opiniões contrárias.
Tento ter tolerância,
serenidade,entendimento,
busco mais,mais e mais!
O vinho só é pleno de sabor
depois de muita maturação,
vou maturando...!
Vou me tomando aos goles
me domando aos poucos,
envelhecendo!
Pouco a pouco,dia a dia,
vai o homem...
Fica a Poesia!

Reginaldo

"PIN-GENTE"



Este pingente que ostentas,
acima do peito teu,tão leve!
Esta meia lua inteira
encalacrada na pele!
Onde penduras a palidez da lua,
refletida na tua tez,nua!
Com o pulso da canção...Pula
no compasso do teu coração!
Todo azul,
por habitar à sombra tua!

Reginaldo

"Ao sabor do vento"



Fluir,
qual água em queda livre e longa...
qual pássaro liquefeito em úmidas asas.
Voar!

Dissipar,
como nuvem vagante,sobre o horizonte...
Sorver,qual solo sedento de chuva.
Saciar!

Logo embrenhar nas entranhas,
seivar o caule das flores,
pegar carona no vento e voltar a ser
umidade relativa do ar...

Neblina,transpiração fluida,
ar que compensa condensar,
nuvem lenta sem pressa
em precipitar.

Reginaldo

"Revendo"



Tem dias que reviro as minhas coisas,
no meio do nada que tenho,
na busca não sei de que.

As vezes me pego perdido entre as lembranças,
em meio a fotos preto e branca,
do meu baú de saudade.

Fico eu e o meu silêncio olhando um para o outro,
pensamento solto no tempo parado da foto,
que não me reconhece mais velho.

Foi eu um dia,aquele flash de luz,
eternizado pra sempre,
na fonte da juventude.

Porque o tempo parou pra aquele menino?

Que triste destino daquele sorriso maroto,inocente,
daqueles olhos vivos,solenes,
encarcerados pra sempre...Inerte e perene!

Aqui o tempo não para,talvez por isso as águas
no canto dos olhos,humana insatisfação,
o velho chora sua decepção...

Enquanto o menino da foto sorri sem parar,
por capricho do tempo,
que não lhe deixou chorar!


Reginaldo

"ELEMENTAR"



Sou peixe de Mar,
que nada...Á ermo!

Fora da água sou ar,
vento...Á soprar!

Sou chão batido,
pisado...Estrada!

Sou nada,instante,
momento.

Sou vida indo,
destino vindo...
Findo!

Sou passageiro,
do tempo...Brinquedo,
Passa tempo!

Sou porta aberta,
fechando o homem...Abrindo ao poeta!

Reginaldo

"CRISÁLIDA"



Aqui dentro temporais,
tempestades e tormentas,
vendavais e furacões,
o tempo e sua fúria!

Crivado de silêncio,
meu olhar oculta-dor,
transforma em brisa
suave e amena toda turbulência!

Desabita o corpo em guerra,
deseja voar de teus vazios,
fugir do seu tempo fechado.

O espelho da tarde reflete enfim
o pôr do sol...Sereno.

Em seu ultimo ato
mergulha na calmaria,
para dormir sob as ondas...

Enquanto o amor faz balburdia
em seus confins,espera a noite
e sua Paz!

Agora longe do casulo!


Reginaldo

"PLANTADOR DE SONHOS"


Fiz um poema feliz,
catei flores do campo,
borboletas,joaninhas
e fechei com os colibris.

Cerquei com felicidade,
com sorriso e carinho,
amarrei tudo com fios de amizade,
fiz certinho.

Plantei ali todo encanto,
que a vida podia dar,
foi tão grande a surpresa,
quando tudo começou brotar.

Tinha pé de gargalhada,
alastrou ramas de encanto,
cores havia aos montes,
odores? era um espanto!

Tentei proteger das pragas,
das ervas daninhas também,
gabava do meu jardim,
igual por ai ninguém tem!

Porém não ouvia nada a respeito!
tão belo e em vão!
descobri no belo que havia,
um tanto de obsessão.

Havia crescido na cerca ,
sem minha observação
um tanto de trepadeira,
que ofuscava a visão.

Descobri naquele instante ,
forçado, meiosem querer,
que devia abrir o leque,
meu jardim pra outro ver.

Então derrubei as cercas,
fiquei pequeno no estio,
veio logo uma chuva forte,
levou um tanto pro rio.

O vento soprou com força,
levou pra longe as sementes
deixou em outros canteiros,
o que me era eloquente.

De repente tudo era verde,
acabou a solidão
onde era deserto...baldio,
um mar de satisfação.

Havia felicidade e sorriso,
alastrado por todo mundo,
contagiante euforia,
contentamento profundo.

Percebi então,
aprendiz que sou,
cercar não é o caminho,
as cercas não sabem ler,ninguém é feliz sozinho.

Hoje espalho no vento
e chego a cada rincão
as palavras flores que semeio,
encontram acolhida,chão.

Me vejo feliz,tal qual ao poema,
escrito com flores do campo,
com simplicidade,
solto no tempo,aqui do meu canto.

Palavras voam,batem,
ecoam ao voar,
tem sempre ouvidos sedentos,
um deserto pra saciar.

Agora que cheguei na fonte,
do oásis em mim,
vou limpar as margens,
das corredeiras enfim...

Seguir ladeira abaixo,
na busca de encontrar,
um delta pro meu poema...
quem sabe florir o mar.


Reginaldo

"ATRAVESSOU"



Fechei meus olhos...

Sem querer,
abri as asas da imaginação!

Dei um salto no tempo,
me vi além do jardim...

Feliz,realizado,
cercado de amor por todo lado.

Tinha paz,tranquilidade,
meus netos,meu lar,
meus filhos colocados...

De súbito,acordei deste delírio,
estava de novo de volta.

Mas trouxe comigo lágrimas do futuro,
que a emoção não conseguiu segurar no seu tempo!

Veio o soluço e o choro,
permear a esperança que ainda não chegou...

Antes da hora!


Reginaldo

"SONO-LENTO"



Tua tez arrepia ao toque malicioso da lua,
que clareia a pele tua,
nua em pelo,pede em apelo,
para o amor percorrer teu corpo ,
sem correr,bem devagar...

Para o deleite da lua,
que atoa e vagante,
atua como encanto,
levando o delírio a todos os recantos
recônditos deste corpo.

Delírios em sonhos lascivos,
no mais profundo oculto,
em noite de lua acesa,
onde o fogo arde ao sopro da brisa.

Segue a lua,também nua,
como se fosse eu este sonho,
desprovido de defesa,incauto,
displicente,enternecido,
pela silhueta que desenhas tua sombra.

Onde,
insone e sonolento venero teu sono...!


Reginaldo

"DESATINO"



Depois do acordo,
acordo,
a corda...

O cadafalso,
por cada falso,
falso...

O Ultimo ato,
no mato,
mato...

Parto!


Reginaldo

"O SEGREDO DA SERPENTE"



Rastejo em tuas sombras,
das sobras do teu amor
retiro a vital essência
que aquece meu sangue frio!

Sou tua pele,tua nudez,
teus pecados,
sou teu feitiço contra o feiticeiro!

Sou o veneno vital,
a peçonha inoculada,
sou o bem do teu mal imaculado!

Sou aquele que te rege,
no culto a seu deus,
na profanação herege.

O fogo da carne,
o sagrado,
o ilibado toque lascivo...

O amor tatuado na pele
permissivo,entregue,
receptivo aos encantos.

Sou você e seus delírios,
o espinho da rosa,
a timidez do lírio.

O rio corrente,
o lago sereno
o sopro na nuca...Sou seu Calafrio!

Reginaldo

"SEDUÇÃO"



Invejo as andorinhas,voando,
sem compromisso com o chão!
Das pedras de minhas ruínas,
cansado de pisar os seixos,
das veredas escuras,
me dei o direito ao salto...

Por sorte terei o meu Voo!


Reginaldo

"XEQUE MATE EM QUATRO PASSOS"


DO ALTO DA TORRE DO PALÁCIO REAL,
OS SENTINELAS AVISTAM NO FUNDO DO VALE
UMA BATALHA SANGRENTA.
SOAM AS TROMBETAS DE ALERTA
OS CAVALEIROS DO REI,
QUE NÃO FOGEM DA LUTA,
SE VESTEM DE BRAVURA
E SEGUEM NA ROTA DO ENFRENTAMENTO,
PARA DEFENDER SUA RAINHA!
QUE DE ESPADA EM PUNHO,
SE MOSTRA VALENTE E GUERREIRA,
MAS É LEVADA PELOS BISPOS
A SEGURANÇA DA ABADIA DA VILA,
ONDE SE CERCA DE FÉ E PROTEÇÃO,
ENQUANTO AS FORÇAS SE PEGAM LÁ FORA.
MAS NO TABULEIRO DOS CAMPOS,
SEMPRE VERDES E FLORIDOS,
HÁ VERMELHO DEMAIS ESPALHADO NO VERGEL,
E NÃO SÃO AS ROSAS DA RAINHA,
HA UM RIO DE SANGUE COLOCANDO EM XEQUE
A PAZ DO REINO.
O FANTASMA DA MORTE QUEBRA O SOSSEGO,
OS ESCRIBAS SÃO MORTOS
E NADA PODE SER DITO,
NEM ESCRITO OU DESENHADO.
ENFIM,INVADEM O CASTELO
E EM NOME DE DEUS A BARBÁRIE É CRUEL,
SÃO CORPOS ESTATELADOS PELOS CORREDORES,
HA SANGUE POR TODO LADO,
A VIDA TENTA SE ESCONDER,
DE MAIS UM XEQUE-MATE.
A CRUZADA AGORA,
É PARA RESTABELECER LIMITES,
DE LIBERDADE,DE TOLERÂNCIA,DE RESPEITO...
PORQUE OS SENTINELAS,NADA PODEM FAZER,
OLHANDO INCÓLUME A BATALHA DO ALTO DA TORRE,
EM PLENA IDADE MEDIA NOS IDOS DO SECULO XXI!


Reginaldo

"DEU LHE ASAS E ABISMOS"



Do nada anseia o voo,
porque nada mais resta,
o caminho se finda,
onde se abre uma fresta,
rota de fuga,abismos,
desaloja as asas,
atrofias um tempo,
não sabes voar ,
mas se joga!

Tens coragem,
o portal é passagem,
é começo da miragem
que lhe roubara o sono,
tormentos e pesadelos,
segredados ao travesseiro,
no inconsciente do sonho,
quase inconsebível!

Agora vês além da cama,
onde mucama vassalava,
aos impropérios do teu senhor,
és dona do teu destino,
a beira do precipício,
respira o ar do mar,
alforriou-se!

Sois ondas espumantes,
asas de súbito voos,
livre como o vento,
livrou-se dos tormentos,
aqui jaz todos os murmúrios,
lamurias e sofrimentos,
Enfim,a chave do tempo,
permite o recomeçar...

O passado virou pó,
o futuro não causará dor,nem dó,
Desatou-se o nó,
o elo da escuridão rompeu,
com o desejo de ir e vir negado,
renegado a servidão,
veio a sorte travestida de morte,
lhe abrir a senzala.

Nem senhor ,nem patrão,
senhora de si agora...
Tens tua Libertação...Vá,
o presente é voar!

Reginaldo