segunda-feira, 29 de setembro de 2014

"UM CÉU COM ESTRELAS E SÓ"


Tenho sobre a cabeça um céu estrelado.
Um pouco abaixo dois olhos estupefatos
com tanta beleza solta no espaço.

A lua arredia,não veio,pra não ofuscar,
desfila solene sobre o veludo negro
a noite com sua veste de gala.

Brilhos de um tempo,
que tiro pra admirar,
quando o silencio remete a reflexão.

O coração do poeta palpita,
os olhos colhem beleza,
nem uma palavra se arrisca definir este olhar.

Não interessa se as estrelas sabem do meu amor,
se sabem quem sou,
ou que faço nas noites sem lua.

Colho no silencio o brilho distante,
das noites lindas de inverno,
rabisco palavras que só dizem saudade.

Encontro estrelas tão longe...
Não te acho dentro de mim!

Reginaldo

"EU"


Saudade daquele tempo gravido de futuro,
sem as maculas de um passado obscuro,
onde as superficialidade profunda
sempre metia seu bedelho.

Hoje busco no espelho
reflexo da luz dos olhos,
aquele que via azul
em meio ao breu do desconhecido.

Fico estarrecido,
me vejo perdido por não encarar
o que insiste em mostrar o espelho,
uma alma despida de sossego.

Nas intercorrências rotineiras,
nos dias vindouros sem poesia,
na truculência dos atos insanos,
que me fazem humano.

Me vejo tão fora do interior,
que me perco debaixo dos olhos,
numa ilha solitária,
no arquipélago do meu peito.

É meu defeito dissimular,
mascarar a felicidade
ocultar em carcere a liberdade
de um livre arbítrio arbitrário.

Vou romper com o espelho,
assumir meus demônios,
transmutar para os sonhos
onde possa ser feliz amanhã.

Só espero a coragem,
chegar no vento de outra estação,
onde eu possa parir novo tempo,
despido de qualquer ilusão.

Então serei "EU"a verdade,
que os cacos do espelho agora mostram.
Um mosaico de muitos olhares,
decifrando meus enigmas.

Reginaldo

"ARDÊNCIA"


Quando menor o regato,
maior o desejo de mar,
quando menor a distancia,
maior a possibilidade de amar.

Reginaldo

"AGUÇADO"


O silencio sussurra confidencias...
A alma evidencia.

Os olhos se abrem pra fora,
Janelas no tempo.

Ouvidos atentos ao pisar,
serenos em folha secas.

Barulho de outono findando,
O que primas. ..Veras!

Reginaldo

"DECIFRANDO"

"No vão do amor,
tudo fica explicito
nas entrelinhas"
Reginaldo

"BOCA Á BOCA"


O beijo é um basta as falas,
quando o silencio se faz notar
em bocas que se acham...
Só se ouve os olhos!
Reginaldo

"INOCÊNCIA ROUBADA"


"O Amor é um plano
que traça o destino,
quando o homem
abandona o menino"

Reginaldo

"ESCRITO"

"No tronco da vida,
que vai desfolhando,
escrito no cerne está...
Eu te Amo"

Reginaldo

"OUVINDO"


"Sobre a sombra do silencio,
a alma encanta-se com
o barulho do vento"



Reginaldo

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

"REDE-MOINHO"


Cansei de quatro paredes,
das palavras úmidas
morrendo de sede.

Joguei minha voz ao vento,
em rabiscos,esboço que seja,
encontrei olhos sedentos,
do outro lado da rede.

Tudo ligado,conectado,
num afã de ajuntar.

O sentido está
em trazer pra perto da gente,
gente do lado de lá!


Jose Reginaldo Da Silva da Silva

"IN-VISÍVEL"


"O espelho oculta o vulto,
parou para refletir,
agora mostra um vazio!"


Reginaldo

"DESCASULAR"


Se tudo é passagem,
leveza,
desembaraço...

Meu destino eu traço.

Depois do parto,
parto.
Em suma Renasço!


Reginaldo

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

"OLHAR DE PASSARINHO"


Da janela abre o tempo,
do mudo silencio em grito,
amanhece orvalhado
o capim do meu jardim.

A noite chorou...!

Por medo da escuridão
e do abandono da lua cheia,
que lhe negou o clarão.

Meu quintal é um sertão
de canto e encantos amiúdes,
onde os pássaros brotam
com o alvorecer.

Aqui dentro recluso,
uma alma engaiolada,
que deixa os olhos voar
para além do jardim.

Este olhar é passarinho,
que aceita o espinho,
mas não abre mão do pouso
suave sobre a rosa.

Reginaldo

"ANINHA"

"O Amor é vão,
onde você se acha
entre as fendas!"

Reginaldo

Imagem de Leila Angelina Zanardi

"BREU"

"Solidão é um barco encalhado
na inquietude do medo,
no deserto da alma!"

Reginaldo

Imagem de Leila Angelina Zanardi

"SER É ESTAR"

"Livre estou,
quando livre sou"

Reginaldo

imagem de Leila Angelina Zanardi

"VOO RASANTE"

"Ainda que meus passos sintam o chão sob os pés,
meus olhos são pássaros de voar no infinito!"

Reginaldo

Imagem de Leila Angelina Zanardi

"O TREM E O MENINO"


Saudade que o tempo deixou lá trás,
parado na estação destino,
carregada de lembrança infanto,
que o futuro atropelou.

Foi alegria de guri,
correria,algazarra,
quando soava o apito,
engasgado de fumaça.

Subia a serra quase parando,
de propósito,
para ver a paisagem,
pressentindo que podia ser
todo dia a ultima viagem.

Até que veio
o danado do progresso,
acelerando tudo,
fazendo grande o menino traquina,
que sempre esperava
seu sorriso ali na esquina.

Agora é parte da historia,
peça de decoração,
ainda guardo seu choro,
dentro do coração.

Ainda guardo o sorriso,
ainda ouço o barulho,
ainda sou o menino,
ainda tenho orgulho.

A moldura mudou,
um pouco mais betumada,
porque tudo passa de pressa,
tudo é carta marcada.

Quem te vê não esquece,
a alma apetece,
saudade aquece,
lembrança amanhece
a memória fortalece,
os joelhos se dobram em prece,
uma certeza acontece,
fica clara aparece,

Maria Fumaça,
parada no tempo
só saudade que é,
da infância feliz
de um moleque,
vivida em MARIA DA FÉ!

Jose Reginaldo Da Silva
Imagem de P.H Fotos

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

"POR DETRÁS DO CAMAFEU"

Deboche,
um broche no lado esquerdo,
como adorno de pescoço,
vislumbrado camafeu.

No silencio de seu quarto,
como que um relicário,
rosário,proteção contra coisas das sombras,
escapulário.

No espelho reflexo de uma atriz,
do real apagado ao desejo
ardente de meretriz.

Durante o dia,
vestida de ocultar vergonha,
a noite despida á pelo,sem cerimônia.

Era dama da alta burguesia,
sem amor ,sem fantasia,
só freguesia!

Olhar frio de um corpo encandecido,
imersa em chama,á alma
arde em brasa viva.

Só espera a cortina negra,
cintilante de estrelas
invadir a janela e adeus.

Segue noite á dentro,
sem pudor se entrega,
disfarçando sua dor.

Não interessa á ninguém
seu intimo ser,
seu corpo é moeda de comprar prazer.

Até que o dia amanheça,
e de novo lhe cubra
dos pés á cabeça!


Reginaldo



"ENTRESSONHANDO"



Olhos semi abertos,
rosto amarfanhado,
cheiro de manha,
aroma de café quentinho,
sol na vidraça,terço na mão,
bençãos do céu,oração!

Dia longo,vida curta,
curta vida ao longo do dia,
antes que o sol se ponha
por detrás da escuridão.

Abrace,beije,agradeça,
não murmure,
não se aflija ou aborreça.
ontem já era,já foi,
correu água pro mar.

Hoje os olhos se abrem aos poucos,
descortina um mundo novo,
na igualdade imutável da rotina.

É a vida que deixa tentar de novo,
seguir em frente,em meio as tempestades,
na ânsia louca da felicidade.

Tudo verde,azul,muito colorido,
ali janela afora no canto do sabiá,
entra pelos olhos amanhecidos de sonhos.

Hoje é tudo que temos,
sem perceber,não notamos
que é tudo que precisamos!

Reginaldo

"LAMENTO NO PASTO"


Seriema canta no pasto,
dizem os mais antigos,
que é sinal de chuva...
Seriema canta triste,
não é canto,é lamento,
acho até que é saudade...
Saudade dos tempos
que seu canto,era canto
de chamar chuva...
Hoje, não é canto,
é choro,pra molhar a terra,
e abrandar a saudade...
Pois ainda não avisaram,
a pobre da Seriema,
que o homem está matando sua musa!

Reginaldo

"COLO E POESIA"



De costas o mundo,
olha noutro rumo,
oposto as tuas rotas.

tudo empurra pra longe,
varre pra fora,
pra que vá embora.

És sobra,produto do meio,
dejeto social,espúria,
segregado ao ócio.

Invisível a qualquer sensibilidade,
vaga por entre os canteiros da praça,
só lhe resta o colo da noite fria.

Sentas ao lado da inércia,
no bronze lembrança de um dia,
quando todos lhe viram as costas,
só lhe resta o ombro da poesia.

Reginaldo

domingo, 14 de setembro de 2014

"SOMBRAS REAIS"


Quando a arte emociona,
quando os olhos se funde em fonte,
quando toca, toca a alma,
quando o choro é real,
quando a vida é arte,
no teatro de viver.

A vida se aplaude,
em copiosas lagrimas,
que os olhos não disfarçam,
evidenciando a capacidade do ser,
de ser simplesmente...Humano!

Reginaldo

"MORENA"



Pequena,
com olhos de fenda,
esconde segredos do mundo,
que seu brilho desvenda.

Sonho que cresce,
como coisa que se prenda,
linda,
doce Helena.

Que o mundo seja seu,
amigo,
que seja seu colo quente,
para seu deleite Helena.

Seja feliz com fartura,
sobre em você formosura,
todos os sonhos reais,

Cresça com graça plena,
conserve sempre serena
porque todo dia é...
dia de Helena.

Reginaldo com carinho para "Morena"

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

"OLHOS DE VER AS CORES"



Um vaso no parapeito,
olhando pra fora no tempo,
tem saudade do jardim,
do carinho e frescor do vento.

As florzinhas pequeninas,
são enfeites para os olhos,
colhidas antes do sol,
ainda molhadas de orvalho.

Um arco-íris em cor,
mais de sete por sinal,
sempre juntas no vasinho,
alegria matinal.

O sol bate no vidro da janela,
esplendor em brilho intenso,
o dia chega aberto pra vida
e aos sonhos pretensos.

Sigo como um girassol,
o encanto de acordar,
tenho um acordo com tempo,
que vai além do olhar.

Desta vida simplesinha,
aqui do alto da serra,
longe de tudo que ruim,
a paz sempre impera.

Um pouco desta felicidade,
embrulho e solto no vento,
pois tem sempre em outro cando
alguma aflição e tormento.

Que estes corações se acalmem,
como as florzinhas do vaso,
que encontrem as cores da vida,
que tormento é mero acaso.

Reginaldo


Para- Edith Jardim.

"MEMÓRIAS DE UMA SOMBRA "



Um corpo 
entre a massa,
desnudo de cor,
silhueta ignorada,
uma sombra...

Oculta vivacidade,
nos recônditos da iris.
Rompe o cinza
do tempo lá fora,
busca não ficar invisível,
sob o nevoeiro matinal.

Certo de sua rutilância,
resiliente o corpo
não desassombra.

Vê dissipar o viço,
não deseja que seja,
ainda que será...

Memoria,
lembrança
sombra de uma saudade,
que perdeu o corpo
num buraco do caminho!


Reginaldo

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

"JARDIM DE INVERNO"




SOBRAM PALAVRAS,
QUE A BOCA NÃO DIZ,
QUE OS OLHOS NÃO MOSTRAM,
QUE AS MÃOS NÃO DÃO CONTA DE ESCREVER...

SOBRAM RESTOS DE SILENCIO,
SOLTOS NO ESTIO DESTE SER,
FLORESCE MUDAS DE NADA,
AINDA SIM CALADAS.

O JARDIM HIBERNOU,
FAZ FRIO QUE ARDE ALMA,
TEM ESCURO E SOMBRA
AS MARGENS DESTE CURSO.

VEREDAS DESTINO.
CAMINHOS LONGOS DE FINITUDE,
BROTOS AMIÚDE
ECLODEM ATEMPORAL.

FALTAM OUVIDOS,
FALTAM SENTIDOS,
FALTAM CALMARIAS,
ONDE SOBRAM POESIAS.

Reginaldo



quarta-feira, 10 de setembro de 2014

"DESCOBERTA"


Na avidez dos versos,
na tês da pele tua,
na maciez do toque
suavidade nua.

La fora a lua,
cheia de curiosidade,
invade o quarto.

Clareia eternos momentos passantes,
num piscar de olhos resiliente,
retrata tua silhueta.

Outra noite em que o silencio
grita calado,para o amor mudo
ficar só com os gemidos.

Só mais uma vez!

Reginaldo

"TEMPO A FORA"



Sobre a mesa, sobra saudade
em livros de poesia,
sobra alma só,
em voos rasteiros,
curto além do jardim.

Cheiro de relva,
na folha de inhame
água parada de chuva,
ele parado na janela
orvalhando o para peito.

Lembrança dos idos
doidos sentir,
apertado,
vontade de voar além das asas.

Os pés se arrastam,
levando um corpo cansado,
com cuidados de porcelana.

Toda vitalidade se fora,
a lisura da pela enrugou,
o espelho mostra o tempo e seu efeitos.

Não há problema,
os olhos ainda brilham,
ainda tem vida sob os escombros.

Ainda sente o odor das manhas,
o sol invadir a janela,
ainda tem Cecilia na mesa,
Manoel de barros,Drummond,
e outras paginas amarelas,
que sempre vem pro café.

Reginaldo

terça-feira, 9 de setembro de 2014

"DIÁLOGO COM UMA SAUDADE"



Ontem...
Corria eu e a bola,
As águas do rio
Onde meu corpo nadava,
Eu peixe menino.
A bola rodou tempo abaixo,
O rio e a água foram pro mar,
Ficou o homem perdido,
Aqui neste corpo,
Forçado a buscar,
Sem saber o que,
Preso aos resquícios de um menino
Que se recusa crescer.

Hoje...
Tem sol La fora,
Tem aurora despertando,
Tem pássaros no pessegueiro,
Flor e abelhas trabalhando,
Pra chegada da primavera,
Que está logo ali,
No sopé de setembro,
Se bem me lembro.

Amanha...
Restarão as palavras escritas,
Avesso ao que sente este velho,
Nos versos que invento,
Pra alento da alma,
Momento de ir embora o menino,
Como uma folha seca,
Varrida pelo vento
No final de mais uma estação.

Reginaldo

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

"MELANCOLIA"



Chora a lua cheia,
escorre minguante
ante o encanto
da noite que chega.

Colho suas lagrimas
no silencio da janela,
essencialmente nua,
úmida e ainda sim ...Bela!

Desfila seus lamentos,
saudade do sol e do vento
em noite de calmaria.

Choro de lua é orvalho,
que banha as madrugadas
com seiva na relva.

É melancolia,
inspiração,
poesia.

Reginaldo

"NO FIM SOU EU E EU"



A solidão,encontro de essências
refletidas da alma,
que os olhos sentem
e as mãos quase podem tocar.

Nestes instantes absoltos,
de profunda absorvência,
onde encontro meu Eu,
sou minha única companhia.

Tento dissolver esta escuridão,
buscar o lume no fim do caminho,
que mostre oásis ao deserto,
uma mesa redonda de vozes.

Espanto solidão com presenças externas,
com olhos,bocas e sentidos alheios,
receio que assim abro caminho
entre os espinhadeiros.

Mas quando cai a noite,
volto pra meu silencio,
as veredas desta tormenta
abrasa o meu sossego.

Não ha rota de fuga,
encaro meus demônios,
mãos dadas,entrego em sonhos,
pra despertar com os passarinhos.

Outra vez,até o próximo vazio!

 Reginaldo

domingo, 7 de setembro de 2014

"TORTO"


"ÍNFIMA"



A menor flor,que for,
na palma da mão,
sentir o pequeno odor,
reverenciar a cor,
agradecer ao céus,
acariciar os cabelos dela,
e enfeitar com este mimo,
pequeno amor.

Reginaldo

"NEVOEIRO SOBRE O JARDIM"


Penso flor,aceno folha,
num corpo vaso,que vazio ficou.
Feitiço da lua cheia,
que vai embora cedinho,
sumindo devagarinho
por causa do amanhecer.

Penso razão,pé no chão,
cabeça,braços e mãos
desfazem a imaginação.
Um corpo cheio de incertezas,
vaga na contra mão.

Penso pedra,dureza,
embrutecido não bate,
não pulsa,
perdido entre os canteiros
do meio da rua...
Espera pela noite nua de estrelas,
Saudoso do feitiço da lua.


Reginaldo

"DECIFRADOR"



Escrevo sobre o cotidiano,
sobre todos os meridianos,
as mensuras do sinto.

Por vezes escrevo mais do vejo,
quando sinto tocar no rosto,do vento,
afago gostoso de um beijo.

Vento sacana,atiça e sai fora,
deixando aguçada imaginação,
logo no jardim do papel aflora.

Colho pedras pelo caminho,
as vezes entre os espinhos
a flor do mandacaru.

Meus dias sempre iguais,
pela poesia difere,
para não sofrer ainda mais.

Quando chega a noite,
que o veludo negro descortina,
vem o sono e os sonhos que eu não escrevi...

Mas faço questão de ler!


Reginaldo

"ALMA DE BORBOLETA"



Tens lirismo na alma,
assim silencioso,
qual voo de borboleta.

Tua serenice não difundi
o conflito armado
que travas em teus confins.

Dês-voa e pousa,
resiliente senta parada
a beira do córrego.

Este de curso lento e manso,
passante efêmero,
qual vida de borboleta.

Dura apenas uns voos,
um sopro e pronto,
asas ao chão e barro outra vez.

Anseia ninfa acasulada,
pelas mãos ávidas do oleiro,
que lhes devolvam a calma.

A lira e voo...!

Reginaldo