terça-feira, 29 de abril de 2014

"TUDO PODE SER"


Toda palavra escrita é flor,
todo papel branco é canteiro,
todo lápis é semeador.

Tudo que brota é vida,
tudo é renascido sentir
tudo é colorido,é jardim.

tudo é poesia
toda hora ,todo dia,
tudo pode ser encantador,se
tudo tiver amor.

Todo poeta é jardineiro,
tudo que escreve o vento leva,
tudo brota,esparrama e lastra,
tudo pra tornar a alma leve.

tudo é cíclico,toda vida,toda flor,
todo broto um dia eclode,
todo amor um dia perece,mas...
Toda semente poética...

Floresce!


Reginaldo

segunda-feira, 28 de abril de 2014

"SOBRE SENSAÇÕES E PERCEPÇÕES"




A lua afaga com sua claridade,
a alma iluminada expandi 
o interior aflora pelo lume dos olhos,  
ganha o mundo minha satisfação.

A noite é dia,vê-se o longe,
a distancia é nada se desbravando,
os vales se mostram
o silencio é ouvido em sons diversos. 

Tudo é encantamento se alma receptiva
estrelas em comitivas desfilam,
na passarela celeste,
no tapete veludo azul escuro. 

Tudo é onírico,utópico,
sinto que não é real de tão belo.
Tenho olhos pro alto,
enfeitiçados pela lua cheia.

Invade a madrugada meu deslumbramento,
sinto a brisa mansa,
o vento tocar meu rosto
num beijo do tempo.

Abraça-me o sono,
o travesseiro e os lençóis,
chega de sonhos acordado,
fecho a janela,enfim sós.

Entrego-me ao cansaço,
já sonhei o que podia,
a cama acalenta o corpo,
que espera outro dia.

Amanhece em passo lento,
brilha o sol entre as cortinas,
tenho o ar,o dia ,a vida,
todo encantamento...

Vejo cores,flores e odores matinais,
nos olhos o mesmo alumbramento,
tenho minha Rotina de volta
e um naco de contentamento...

Tenho passante as horas
que correm ao abraço do tempo...
Porque tudo passa,é efêmero,
tudo é finitude e encurtamento.  


Reginaldo  28/04/2014

domingo, 27 de abril de 2014

"CONSELHO"



Suspire,respire 
mire na beleza do olhar.
Sinta o abraço macio 
da Poltrona do canto da sala,
ouça a musica de longe,
encante-se com o silencio

Deixe-se saturar,
quando estiver cheia do vazio,
que te invade,esparrame,
inunde,alague...
Invista,persista,
se vista de brilho,insista!

Tens tudo ao entorno,
delírios e sonhos amiúde,
nestas frequências sintonize,
encontre-se,perceba-se...

E como a um broto,
nascido em galho seco,reviça,
floresça,adorne,enfeite,
deleite-se com a luz da vida...

Exista!


                                                                                                   Reginaldo

sexta-feira, 25 de abril de 2014

"RECORDAÇÃO"


Em meio as paginas amarelas
uma rosa desidratada se escondia
doou todo viço que tinha,
virou poesia.

Brotou escritas e encantos
com suave cheiro de campo,
relva e orvalho.

Os olhos percebem o frescor,
a maciez e o furor 
das palavras lidas.

Entende ali o sentido,
do sacrifício contido naquela flor,
for ofertada um dia,
no auge da fantasia
que se chamou de Amor.


Reginaldo 25/04/2014

"LACUNA"



"NO COMEÇO DAS COISAS E 



                    NO FIM DE TUDO,



                                   EXISTE UM ESPAÇO VAZIO 


                                                                                                                                             CHAMADO ESPERANÇA!"


Reginaldo

quarta-feira, 23 de abril de 2014

"O VOO DA BORBOLETA"



Segue voo a borboleta,
entre margaridas e violetas,
levando suave cheiro de saudade.

Sereno voo em delicadeza
pousa numa,beija outra,
enquanto sussurra,
sopra o vento sutilezas.

Suas asas meu silencio,
meu coração em seu bater,
vai contigo meus delírios
um sublime amanhecer.

Tua beleza aparente
disfarça fragilidade,
os olhos que te admiram
buscantes a felicidade.

Como pode?Tamanha beleza
sintetizada pequenez,
refletir oníricos desejos
ou quem sabe insensatez.

Farei então dos meus dias
um imenso jardim atraente
cores,sabores e vida
e um olhar inocente.

Voara além dos limites
deste campo em flor,
levando consigo ao vento
arautos do meu amor.

Que chegue aos olhos dela
isto que me encantou,
que seja receptiva
aos encantos deste voo.

Efêmero e eterno
instantes de infinitudes,
todo amor que couber
em sua plenitude.

O amor é voo de borboleta,
e amar é voar além do jardim,
abraçando o começo do sonho
ignorando a incerteza do fim.


Reginaldo


terça-feira, 22 de abril de 2014

"SUPOSIÇÕES SOBRE UM MAL QUE SÓ FAZ BEM"



O mal de amar,pode ser o mar
que os olhos faz brotar,
quando entende a alma
seus devaneios e epifanias.

Pode ser desviar dos espinhos,
pra tocar a veludes das pétalas, 
no mais inocente bem me quer.

Pode ser a troca de olhar,
com toda profundidade do azul,
que banha este meu existir.

Pode ser o mal de amar,
a resistência em navegar nessas águas,
no mar do teu olhar.

Pode ser o chover sem cessar,
mal é não se molhar,
nesta inundação.

O mal de amar,pode ser
a iminente entrega
este sentimento dominador,
sem oposição ao qual chamamos de Amor!


Mal de amar,é não Amar!



Reginaldo 22/04/2014












segunda-feira, 21 de abril de 2014

"O NÓ"



"Os laços que nos prendem são os nós de nós"


                                                        Reginaldo

domingo, 20 de abril de 2014

"INQUIETUDES DE UM SONO ATRIBULADO"




O silencio me é negado
no auge do sono,
em sonhos atribulados
ao cricrilar dos grilos.

O silencio é denso,
viscoso e tenso,
sussurra ventos uivantes,
em noites em que me lanço.

Insólito caminhar nas sombras,
onde só,tendo encontrar,
na escuridão deste delírio,
meus restos e sobras.

Alinho minha alma
ao silencio infernal,
atravesso estas veredas
anseio marginal.

Nada vejo,que não ouço,
beira,abismo e calabouço,
um impulso me acomete,
cai um corpo de repente.

Trombo o chão do despertar,
agora sim o silencio se faz,
o ar invade o peito,
meio sem jeito,enfim paz.

Saio ileso desta viagem,
uma vertigem,outra miragem, 
la fora depois da chuva ,aragem,
o sol pede passagem.

Acordo aos poucos,
no leito de repousar,
a luz que não via nas sombras
vigia meu despertar.

Dois pares luzidos,
incandescidos de viço,
verde vida,pra ver a vida
encanto,feitiço.

Um beijo na fronte,
encerra as atribulações,
cessa o pesadelo
e outras perturbações.

Passou a noite de açoite, 
foi o  barulho embora,
do meu lado desperta comigo
a mulher amada e nova aurora.


Reginaldo 20/04/2014

sábado, 19 de abril de 2014

"SOBRE FINITUDES E PASSAMENTOS"



Nada tenho além do dinamismo,
das horas ligeiras,
do tempo escorregadio,
passante entre os dedos.

Só momentos,
são reflexões,
pensar,solidões,
Um leito frio,
peito aberto,
absorvições.

Resultado,
entrega e confiança,
vida,volta,recuperação.

Se tudo passa,tudo finda,
esta teimosia,
fantasia infinitude,
plenitude resta ainda.

Vou passando...Por cima,
pulando os obstáculos,
superando,abraçando a Vida,
caminhando junto com minha Sina.

Caminhar é preciso,
longo é o caminho,
mas ha flor e espinhos,
neste jardim suspenso,
o qual chamamos de vida.

Pulsa infinita enquanto não passa! 

Reginaldo

terça-feira, 15 de abril de 2014

"LUA DE SANGUE"




Ontem ela se tornou mulher,
mudou de fase,maturou,
sob as bençãos do tempo ,
deixou de ser menina,menstruou.

Ganhou outro charme,
com adornos de quentura,
curvas sedutoras,
ingenua candura.

Evidencia o encanto,
os olhos e tantos espantos,
toda maquiada de vermelho,
se fez diva no palco da noite.

Varias faces tens,
nova,cheia,minguante,
oculta,aparente,escura,clara,
inspiração dos amantes.

Imutável Lua,
disfarça suas fases,
em face ao humor do tempo,
que tenta esconde-la.

Mas seu brilho é mais forte,
sua aura encandece,
seu charme entorpece,
sempre aparece.

Eterna menina moça,
sempre admirada,
depois da Lua De Sangue,
agora mulher Amada.


Reginaldo

"ANSEIOS E CONJECTURAS"


Desejo...
O primor do cantar,
o voar dos passarinhos,
o pouso suave do sorriso,
qual folha seca tocando o chão,
num beijo profundo de renascimento.

Espero...
Pela chuva fina,
na ânsia do tempo,
ter tempo pra ver nascer outra flor,
assim do nada, no torpor 
do amanhecer orvalhado
colher o broto mais viçoso amor.

Regar...
Com o que resta nos olhos,
colorir com borboletas,
reviçar o jardim dos dias,
flores,bichos,verdes e companhia,
depurar os sonhos semeados,
em buques e poesias.


Reginaldo

"SOB A NEVOA DA MADRUGADA"




Ronda o silencio
no vazio das ruas
as luzes nuas
segredos e gemidos.

Passa apressado
um casal no escuro
nem passado,nem futuro,
presente seguro.

Confidencia ela 
desejos,risos,alegrias,
a lua encantadora
desvela-cio.

O amor pode acontecer,
na madrugada vazia,
no banco da praça central
real fantasia.

Nem um fio de vida,
horas mortas,
grunhidos noturnos,
sob a nevoa descendente.

Levanto os olhos ,
nada espreita além da esquina,
abraço o silencio,
adentro,sumo na neblina.


Reginaldo

segunda-feira, 14 de abril de 2014

"MINHA DOR,MEU AMOR"

Andei pelo campo dos sonhos,
subjugado a dor,ao sofrer,
afim de obter isenção dos pecados.

Não adianta noite escura,
ou  tortura da alma,
se tudo é repetição.

Retórica ,rotina,
amar sem medida
destino,sina.

Cai a noite,cai todo meu penar,
no chão que pisas, lá estou,
segurando teus passos.

Pecado,fardo pesado,
calando no intimo,
eu condenando.

Mas que fazer,
aqui no peito,o defeito,
é o perfeito amor por você.


Reginaldo

sexta-feira, 11 de abril de 2014

"MONÓLOGO DA DESPEDIDA"



Enchi uma mala com todo nada que tinha,
botei o pé na estrada desta vida esburacada,
sem acostamento pra descansar.

Fui pro mundo,me lancei,
sai deste canto onde o canto 
do sabiá laranjeira não deu fruto.

Antes de partir,passei na bica,
enchi uma bexiga d'água 
pra molhar o cantar deste infeliz andarilho.

Depois passei ma igreja,
pedi as bençãos de Deus,
água benta pro padre,
pros maus do caminho espantar,
e um naco de vinho pras noites frias esquentar.

Levarei comigo a viola, 
eterna companheira de solidão,
pra disfarçar a saudade
no dedilhar da canção,
esta que trago no peito,
junto do coração.

Sem muito alarido,vou sair sem alarde,
assim na boca da noite,bem no final da tarde.
Vou sem alvoroço,logo depois do almoço.

Vou por o pé na estrada de chão,
pé descalço no encalço da felicidade,
vou pra outras bandas além do horizonte,e até,
já decidi vou pro que der e vier. 

Vou buscar minha metade bem longe deste lugar,
outra quimera ,outro quelônio,
chega de pesadelo,vou buscar o meu sonho.

Vou me embora aqui não fico mais,
já deu pra mim,a saudade judia demais,
vou voltar pra Minas Gerais.

Rever o gado nos pastos,
o cachorro latindo faceiro,
o riacho correndo ligeiro,
pra pular na cachoeira.

Abraçar os amigos de ontem,
as meninas,moças formadas,
vou regar minha esperança,
encontrar minha amada.

Quando enfim amanhecer,
eu lá estiver chegado,
vou acalmar a emoção,
desacelerar este velho companheiro,
levantar as mãos e agradecer.

Valeu ter vivido cada instante,
mesmo por caminhos distantes,errantes ,
vagantes só pra ter a chance de regressar.

Agora cheguei onde devia estar,
terra de amores e amares,
berço cheirando terra fresca,
onde o mar nunca pisou.

Aqui é meu chão,
é meu céu ,minha realização,
é meu pedaço de paraíso,
seu Moço,
Minas é meu Sertão.


Reginaldo.


"CORPO EM CHAMAS"


Foi dormir bem cedo,
percebeu sobre teus olhos,
um vento doce,
este lhe soprou conjecturas,
indecências,profanou teus sonhos
em mais um sono atormentado.

Um beijo suave como uma prece,
teceu o desejo, ensejo de entrega,
como fugir não cabia,não sabia,
relaxou e despejou afagos.

Era meio vento,
brisa mansa encandecida,
um acúmulo de carências, 
segredos ocultos,
lava endurecida.

Mas ainda decifrava enigmas,
explorou aquele corpo faminto,
aventurou em tuas vias,
adentrou viagens e rotas,
tateando minuciosamente
cada canto.

Descobriu ,desnudou,
o olhar entregou o oásis,
um poço de delícias,
de prazer e encantamento,
indefesa subitamente
se entregou a volúpia.

Na penumbra sombria do quarto,
o mistério a meia luz,
Explodiu no ápice da cumplicidade,
o Amor aconteceu,
num raro momento de eternidade.

Depois desta aventura,
dos ventos e das erupções
deste sonho capcioso,
mudo e sem alarde,
não lhe restou mais nada,
foi dormir mais tarde. 



Reginaldo

quarta-feira, 9 de abril de 2014

"FILTRANDO SONHOS"





Amanhece alma molhada,
orvalhado pensamento,
sentimento umedecido,
de tão rasteiro tantos sonhos.

Revelam o peso,
viagem insólita,
fundo do poço.
escuras entranhas.

Embrenhamentos distorcidos,
sem coordenação,
tua sentença,
tua condenação.

Abismos teus,
sonhos,sem beleza,
só dureza e pedras no pisar,
neste pesar que não finda.

Caminhos noturnos,
que sempre trazem de volta,
turbulentos andares,
inconsciente presente.

Culpas involuntárias,
aventam nos olhos,
apavorado despertar,
fonte de lagrimas ressentidas.

Molhados sonhos,
maltratado dormir,
encharcados olhares
serenidade roubada.

Não lhe resta mais nada,
toda escuridão lhe caiu,
passa a noite ,
desperta vivo por um fio.

Vivo,da graças a luz,
abre assustado os olhos,
ainda lacrimejados,
poe-se de pé e vai!

Abraça o dia ,
a luz e alegria,
não é da sombras,
gosta da fantasia.

Desperta,abre a cortina,
uma prece ligeira,
um café preto no copo,
vai pra trincheira.

Luta que segue,
labuta diária,
rotina temerária,
sina,destino...

Relicário.


                                                                                                   Reginaldo

terça-feira, 8 de abril de 2014

"CAMINHO DOURADO"




Vai o dia,
vem a tarde,
os paralelepípedos da rua 
na praça central,
recebem o abraço do sol.

Veio se despedir 
e desejar boa noite.

Logo impera o silencio,
a cidade adormece,
o frio aquece
o coração Mariense.

Estas ruas douradas
que beija o sol,
chão sagrado,
de segredos guardados,
revela a beleza a cada passo.

Este quebra cabeça
montado a mão,
estas pedras cinzentas,
polidas pelo tempo,
resistem ao vento,
que não lhe rouba a história.

Memória de um passado,
fincado no piso teu,
a que que se lembrar
dos dias idos,
Dos Jucas,Tiões,Zés,
estes  e tantos 
que fizeram Maria Da Fé.

Hoje estas ruas nuas,
são espelhos do sol da tarde,
que sem alarde,
espalha seu brilho,
ajeita seus raios,
abre a boca da noite,
e parte.

Rastro de encanto,
aqui neste canto de mundo,
meu recanto,meu céu,
Onde encontrei acalanto,
caminhos dourados onde conto
sem pressa os passos,
com os olhos voltado pro alto.

Em prece agradeço de pé,
por esta porção de encanto,
encravada na serra,
no alto da Mantiqueira,
pra quem livre Amar queira,
Minha Maria Da Fé.


Reginaldo
foto de Joel Edson

segunda-feira, 7 de abril de 2014

"PEDAÇOS DE IMPERFEIÇÃO"




TEM ALGUMA COISA NO AR,
ALGO QUE FRACIONA MEUS DIAS,
FRAGMENTA OS SENTIDOS,
ME FAZ EM PEDAÇOS.

PEDAÇOS SÃO OS VÁRIOS,
EM QUE ME TRANSMUTO,
POR HORAS OU MINUTOS,
EM DIMINUTOS SERES.

TENTO JUNTAR OS CACOS,
DO QUE SOU,
DO PROVEDOR,
DO POETA VISLUMBRADO,
QUE BUSCA BELEZA NO CAOS,
ALI DEPOIS DO ALAMBRADO.

VOU TENTANDO,
TENTADO A CONSEGUIR,
SEGUIR,NÃO DESISTIR,
SOMATIZAR OS SENTIDOS,
AMAR A QUALQUER PREÇO,
PRECE AOS CÉUS,
PELOS SEUS.

RABISCO MINHA HISTORIA,
RASCUNHO A PRÓPRIO PUNHO,
RASURANDO AS VEZES,
ESCREVENDO TORTO,
TORTURAS DE UMA FACETA,
QUE MACERA E TRITURA,
ESTA ESCULTURA INACABADA.

SOU PIGMENTO COLORIDO,
NA TELA EM BRANCO,
BORBOLETEANDO NAS PINCELADAS
DO ARTISTA ANONIMO,
SOU SÓ UMA SINGULAR PARTE,
DESTA FRAGMENTADA OBRA DE ARTE.

NÃO SERIA PERFEITO,
SE NÃO FOSSE INCOMPLETO!



Reginaldo

"VIOLÃO"


As margens do pensar,
imagino a canção,
dedilho sereno as cordas do tempo,
violo todas as regras,
ali na periferia das horas,
nas curvas sinuosas de tua cintura,

toco,a melodia do sol,
do mar e do azul do céu,
seu cantar envolve os sentidos,
sereia oriunda da maresia,
para acompanhar teu cantar,
as margens do pensar,
revivo a emoção,
troco o vermelho do meu coração,
pelo celestial azul do teu violão. 

Reginaldo

"SUJEITO OCULTO"


Revirei o lixo,
o entulho amontoado,
afim de encontrar 
onde me joguei.

Procurei entre as quinquilharias,
acúmulos do tempo.
Procurei nos sonhos,
procurei nos desejos,
nos abraços não dado,
na boca ,
nos beijos perdidos.

Nas mulheres milhares,
sintetizado na unidade,
havia vestígios de mim,
mas não estava ali.

Segui na busca,
nos campos ,
nos vales,
nos profundos lugares,
perto,longe,
distante andanças embrenhei,
mas não encontrei.

Passaram os dias ,
os anos,décadas
e a busca inglória,
não lograra exito.

Desisti da procura lá fora,
assentei parada,
aventei outras rotas,
me aventurei pra dentro dos olhos,
janela da alma,
portal da essência.

Abracei a surpresa
felicitude e beleza,
viagem serena,
tão perto de tudo,
tão distante de mim.

Só ai comecei entender,
não existe um mundo 
de liberdade lá fora,
com todo meus "EUs" 
aprisionado em mim.

Preciso me encontrar,
me conhecer,me apresentar,
descobrir e descortinar,desmascarar-me,
encarar o ser liberto e viver
alinhado com tudo que venha ser
essencialmente "EU".
E assim cessar a busca!


Reginaldo



sábado, 5 de abril de 2014

"COMO ÁGUA"



Um sopro passa 
espremido entre os dentes,
um assobio desafinado 
de uma alma em desalinho,

externando minha essência
em busca da luz.

Colho água pura,
molho o rosto,
mato a sede,
revitalizo meu caminhar.

Rego as flores da estrada,
retiro do verde o viço,
amparo,deparo e depuro,
passo pelo crivo ileso,
recolho vida.

Tenho pressa nenhuma,
a calma dita o ritmo,
cadencia os passos,
penso e passo.

Sou liquefeito,
sob efeito do belo despertar,
das lagrimas da noite,
que foi de acoite,
deixando o dia brilhar.

Me fiz água,
córrego,corredeira,
cascata e cachoeira,
me deixo correr entre margens,
beijando de passagem,
abraçando o delta que me espera,
no Mar sem fim...

Enfim Amar. 

Reginaldo 05/04/2014

sexta-feira, 4 de abril de 2014

"ROMPENDO PRA LUZ"

Brotou com o despertar,
um filho verde claro,
um filete da rama buscando pegas,
pra se por de pé.

Brotou no campo da alma,
traze portanto o esperado acalanto,
a serenidade oculta na felicidade,
no instante do parto.

Semente fora,já não é mais...

Este poema não diz nada,
as palavras são mudas,
o entendimento está abstrato,
na cômoda vazia,
sob o porta retrato.

Retraio, e constato o fato.

Passaram os anos,
vejo o brilho opaco e dissoluto,
dos olhos teus refletindo saudade,
no eternizado momento 
em que fora feliz como o vento.

Mas é chegada a hora
de sair do casulo,
deixar a proteção da casca,
romper pra fora.

Será doloroso,
sofrido,traumático,
mas tem que ser assim.

Um parto natural,
com suas surpresas,
tristezas nulas 
ante a beleza da luz.

Pendure na cerca,
que cerca o entorno,
cresça e seja frondosa copa,
se for pra ser,
ou quem sabe rasteira folhagem,
cedendo matizes as manhas despertas.

Viçoso verde,
em cada ponto de musgo,
mostrando vida na minucias,
nas entrelinhas,nos apequenamentos.

Porque todo findar 
é uma gestação pro nascer
de uma nova aurora.


Reginaldo